AFONSO EULÁLIO SOFRE, RESISTE E CONTINUA DE ROSA
Foto: LaPresse
O português Afonso Eulálio voltou a escrever uma página marcante no ciclismo nacional ao conseguir manter a camisola rosa no Giro d’Itália, mesmo depois do primeiro grande teste de montanha. A sétima etapa, com chegada ao exigente Blockhaus, terminou com vitória autoritária do dinamarquês Jonas Vingegaard, mas foi também um enorme exercício de resistência e coragem por parte do corredor português.
Fonte: Helena Santos
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Vingegaard atacou, mas Eulálio não quebrou
Na etapa mais longa desta edição do Giro, o pelotão enfrentou uma jornada desgastante antes da primeira chegada em alto. O ritmo imposto pelos favoritos foi endurecendo à medida que a subida final se aproximava, até que Vingegaard lançou o ataque decisivo a menos de seis quilómetros da meta. O dinamarquês acelerou de forma demolidora, precisamente no momento em que Afonso Eulálio começava a ceder contacto no grupo dos candidatos à geral.
Ainda assim, o camisola rosa nunca entrou em colapso. Com a preciosa ajuda do experiente colega Damiano Caruso, o português limitou perdas e cruzou a meta a 3m05s do vencedor da etapa, exatamente dentro do cenário que tinha antecipado antes da partida.
“Senti-me no limite quando faltavam seis quilómetros. Estes rapazes voam. Só tentei sobreviver”, confessou Eulálio no final, visivelmente exausto, mas satisfeito por conservar a liderança da corrida. O corredor da Bahrain-Victorious mostrou lucidez e maturidade ao gerir o esforço numa subida onde muitos acabaram por quebrar.
Camisola rosa continua em mãos portuguesas
Apesar do triunfo de Vingegaard, a classificação geral continua liderada pelo ciclista português, que mantém uma vantagem de 3m17s sobre o dinamarquês, agora assumido como principal ameaça à camisola rosa. Um cenário que poucos imaginariam antes do arranque da prova italiana.
Atrás de Vingegaard, o jovem italiano Giulio Pellizzari ainda tentou responder ao primeiro ataque, mas não conseguiu acompanhar o ritmo devastador do vencedor. O austríaco Felix Gall terminou na segunda posição, enquanto o australiano Jai Hindley fechou o pódio da etapa.
Para o ciclismo português, o dia acaba por ter um sabor especial. Mesmo perante um dos maiores trepadores do pelotão mundial, Afonso Eulálio resistiu, mostrou personalidade e continuará vestido de rosa na oitava etapa. O sonho segue vivo — e Portugal continua no topo da maior corrida italiana.

