TRAIL BEM VIVER, O PARAÍSO TAMBÉM SE CORRE
Foto: Infinity Produções
Ainda antes do nascer do sol, Bem Viver já respirava trail.
O silêncio da manhã era interrompido pelo som das sapatilhas nos paralelos, pelos últimos ajustes nos coletes e pelos olhares concentrados de quem sabia que o desafio não seria simples.
À frente não estava apenas mais uma corrida.
Esperava-os um território duro, genuíno e apaixonante, onde cada subida testa o corpo e cada quilómetro obriga a alma a responder.
Entre os vales do Douro e do Tâmega, o Trail Bem Viver voltou a proporcionar uma experiência memorável, marcada pela superação, pela beleza natural e por uma identidade cada vez mais forte no panorama do trail nacional.
Fonte: Eduardo Ferreira e Helena Santos
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Trilhos autênticos num cenário de paraíso
Ao longo dos percursos, os atletas atravessaram alguns dos locais mais deslumbrantes da região, sempre acompanhados por paisagens arrebatadoras sobre o rio Douro.
As passagens pela Quinta da Piela, Quinta da Samoça e Quinta Casal da Silva ajudaram a transformar esta edição numa autêntica viagem pela natureza, entre montanha, floresta, caminhos antigos e miradouros naturais capazes de cortar a respiração.
Houve momentos em que o desgaste físico parecia desaparecer perante a grandiosidade da paisagem.
O Douro surgia lá ao fundo, sereno e imponente, enquanto os trilhos serpenteavam pelas encostas como se corredor e natureza corressem lado a lado.
Para muitos participantes, correr em Bem Viver foi correr num verdadeiro pedaço de paraíso.
A dureza do trilho… e a mítica subida do “rebuçado”
Mas o Trail Bem Viver nunca escondeu a sua identidade.
Os trilhos exigentes, as subidas longas e as descidas técnicas voltaram a marcar presença numa prova onde não existem facilidades nem espaço para entrar em piloto automático.
Cada quilómetro trouxe desgaste acumulado.
E foi precisamente nesse desgaste que muitos atletas descobriram o verdadeiro espírito do trail.
Entre todos os desafios do percurso, houve um nome que voltou a ficar na memória coletiva, a famosa subida do “rebuçado”.
Uma subida dura, daquelas que obrigam as pernas a parar e a cabeça a continuar.
Mas no final, bastava olhar para os rostos dos atletas para perceber que havia felicidade genuína em cada chegada.
Porque há subidas que custam muito… mas que acabam por se transformar nas melhores histórias de uma prova.
Organização amplamente elogiada
No final do evento, houve algo em que praticamente todos os participantes concordaram, a qualidade da organização.
Os atletas destacaram a excelente marcação dos percursos, os abastecimentos estrategicamente colocados, a dedicação dos voluntários e a forma próxima como toda a prova foi conduzida.
Os elogios aos trilhos foram igualmente constantes.
Autênticos, técnicos q.b., duros na medida certa e sempre ligados à identidade rural e serrana da região, os percursos conquistaram atletas experientes e estreantes.
A envolvência natural, a logística cuidada e o ambiente vivido na zona de partida e meta ajudaram a criar uma experiência que foi muito além da componente competitiva.
O Trail Bem Viver continua assim a afirmar-se como uma prova feita por quem conhece verdadeiramente o território, organizada pelo Grupo Desportivo de Magrelos, com o apoio da Junta de Freguesia de Bem Viver e da Câmara Municipal do Marco de Canaveses.
Como referiu Hugo Gonçalves:
“Há projetos que se organizam. E há projetos que se sentem. O Trail Bem Viver é um deles.”
E sentiu-se isso em cada quilómetro.
Os grandes vencedores do dia
Trail Mini — 14 km
No setor masculino, a vitória sorriu a Nelson Loureiro, da Pegasus OCR ProTeam, com o tempo de 01:16:27.
O segundo lugar foi conquistado por Cristiano Mendes, da Cinfães a Correr, com 01:18:52, enquanto Antonio Nogueira, da Duelo d’Ocasião, fechou o pódio com 01:19:33.
Na competição feminina, Paula Soares foi a grande vencedora com 01:29:55.
Joana Rodrigues terminou na segunda posição com 01:42:24 e Elisabete Rocha, dos Leões de Tardariz Trail, completou o pódio feminino com 01:47:11.
Trail Curto — 20 km
Nos 20 km, Tiago Pereira, do Futebol Clube Penafiel, conquistou a vitória masculina com o excelente tempo de 01:41:04.
O segundo lugar pertenceu a Daniel Gomes, da A.R. Sequeirô/Destemidos, com 01:42:31, seguido de Paulo Moreira, da EDV-VianaTrail, com 01:42:50.
Na classificação feminina, a vitória foi para Cristiana Lagoa, do NAST – Núcleo Associativo de Santo Tirso, com 02:13:11.
Joana Soares, da Associação Desportiva Aventuras de Paiva – Tuga Mobile, terminou em segundo lugar com 02:24:04, enquanto Beatriz Moura, do GDRJ Ribeiras, fechou o pódio feminino com 02:30:02
Trail Longo — 31 km
Na distância rainha da prova, Leonel Cunha, da EDV-VianaTrail, foi o grande vencedor com o tempo de 02:55:50.
Aitor Buján, do Boavista Trail, terminou na segunda posição com 03:05:36, enquanto André Almeida, da AD Marco 09, garantiu o terceiro lugar com 03:05:54.
Na competição feminina, Cristina Arreiol, do Clube Escola do Estreito, venceu com autoridade em 03:43:59.
Merche Diz, dos Lobos do Brunheiro de Chaves / Anteros, terminou em segundo lugar com 03:55:08 e Fatima Novais completou o pódio feminino com 04:06:05.
OPraticante.pt também esteve no trilho
Entre os participantes esteve também Eduardo Ferreira, em representação do OPraticante.pt, que concluiu os 14 km do Trail Bem Viver em 01:33:30.
Num percurso duro e exigente, alcançou o 20º lugar da classificação geral e o 5º lugar no escalão M45, vivendo por dentro uma experiência marcada pela autenticidade dos trilhos, pela dureza das subidas e pelas paisagens deslumbrantes sobre o Douro.
Muito mais do que uma corrida
Mais do que tempos e classificações, o Trail Bem Viver voltou a ser um encontro entre pessoas, histórias e emoções.
Houve quem lutasse pelos primeiros lugares.
Houve quem lutasse apenas para chegar à meta.
Mas todos terminaram com o mesmo sentimento: orgulho.
Orgulho por enfrentar trilhos duros, paisagens imensas e um percurso que obrigou cada atleta a sair da sua zona de conforto.
Também o Trail Bem Viver Kids deixou marca nesta edição, enchendo os trilhos de alegria, energia e esperança no futuro da modalidade.
Pequenos pés, grandes sonhos.
Um Trilho, Dois Rios… uma identidade que continua a crescer
Sem perder autenticidade, sem atalhos e mantendo uma ligação profunda à terra e às pessoas, o Trail Bem Viver continua a crescer edição após edição.
Mais do que uma prova, tornou-se uma experiência capaz de ficar na memória de quem a vive.
Entre o Douro, a montanha, os trilhos brutais, a superação e as emoções verdadeiras, Bem Viver voltou a mostrar porque é um dos segredos mais especiais do trail português.
E depois desta edição, ficou uma certeza:
As subidas são mesmo para ficar!








