ÁGUAS DE GAIA, RUI E RAFAELA VENCEM
Com a pandemia de Covid-19 a dar tréguas e a ficar controlada, a vida começa a tomar o seu rumo normal, e como tal também o atletismo começa a compor o seu calendário.
Se o ditado diz que em Abril as águas são mil, podemos dizer que as provas também já são mil.
E já que falamos em águas, falemos então do XII Grande Prémio de Atletismo das Águas de Gaia.
Leia também
CORRIDA DA TOALHA REGRESSA EM ABRIL
Página da organização
Texto: Nuno Fernandes
Fotos: Cedidas pelo Clube Pessoal Águas de Gaia
Grande Prémio de Atletismo do Clube Pessoal Águas de Gaia
O XII Grande Prémio de Atletismo do Clube Pessoal Águas de Gaia aconteceu Domingo (10) de Abril pelas 10 horas em Vila Nova de Gaia e foi organizado pelo Clube do Pessoal Águas de Gaia com a cobertura técnica da Associação de Atletismo do Porto, cronometragem a cargo da Desportave e de OPraticante.pt como média do evento.
A compor o evento que teve partida e chegada junto à sede das Águas de Gaia esteve uma corrida cronometrada de dez quilómetros e a tradicional caminhada na extensão de seis quilómetros e que tinha fins solidários a favor da pequena Lívia.
A equipa de OPraticante.pt esteve presente no evento e agora apresentamos todas as notas como tudo decorreu
Percurso exigente e num verdadeiro carrossel pelo centro de Gaia
Se há algo que os atletas não podem dizer sobre o percurso desta prova é que é monótono.
Desde cedo a prova mostra ao que vem e logo no primeiro quilómetro há uma amostra do que os atletas terão que ultrapassar com um constante sobe e desce pelas ruas de Gaia com curvas e contracurvas que levam os atletas por dentro das ruas adjacentes à principal avenida de Gaia.
A ajudar à festa estão alguns troços de piso empedrado que são “sempre” do agrado dos atletas.
O percurso do GPA do Clube Pessoal Águas de Gaia é composto por duas voltas, sendo a primeira volta ligeiramente mais extensa que a segunda volta.
Começando na sede das Águas de Gaia, o primeiro percurso da prova começa de forma descendente rumo à zona residencial da Rua Quinta das Pedras onde se corre num terreno empedrado por entre as habitações dessa zona.
A partir daí acontece a primeira passagem na meta que é em subida.
O quilómetro seguinte é talvez o mais acessível da prova, com os atletas a se dirigirem para uma passagem junto ao quartel da Serra do Pilar descendo posteriormente para a zona do Jardim do Morro.
Os dois quilómetros seguintes são os mais exigentes do percurso onde se percorrem as várias ruas laterais à Avenida da República com a subida a ser constante e em certas zonas as rampas têm um bom grau de dureza.
Na entrada do quarto quilómetro há uma inclusão na própria Avenida da República para uma passagem junto ao El Corte Inglés para depois se descer para nova passagem na zona residencial da Rua Quinta das Pedras e igualmente nova passagem na meta e assim realizar novamente o percurso.
O percurso deste Grande Prémio de Atletismo é o que se pode considerar um percurso da velha guarda onde é preciso ter pernas para o fazer em condições.
É um percurso exigente mas um excelente desafio de atletismo.
Rui Teixeira vence 12º GPA das Água de Gaia
A vitória na edição deste ano do GPA das Águas de Gaia foi para Rui Teixeira em representação do Sporting Clube de Portugal com um tempo final de 29:47 min.
O atleta leonino destacou-se na frente da prova e controlou a concorrência nos últimos quilómetros.
Completaram o pódio, Bernardo Rocha do Sport Comércio e Salgueiros com 29:59min e Ricardo Pereira do Jardim da Serra com 30:08min.
Rafaela Fonseca vence na competição feminina
Na vertente feminina deste grande prémio, a vitória foi para Rafaela Fonseca do Sport Comércio e Salgueiros que cortou a linha de meta, isolada com 34:14min.
A completar o pódio estiveram a vencedora do ano de 2012, Doroteia Peixoto dos Amigos da Montanha com 34:50min e Sara Duarte do Sporting Clube de Braga com 35:15min.
A prova teve vencedores por escalão e estes foram os seguintes:
Na competição masculina triunfaram:
Rui Teixeira do Sporting Clube de Portugal (Seniores);
Vitor Oliveira do GDC de Guilhovai (M40);
Paulo Gomes do GDC de Guilhovai (M45);
Davide Figueiredo da A. Figueiredos Runners & Friends (M50);
Joaquim Figueiredo do Grupo Desportivo de São Salvador do Campo (M55);
João Pereira do Afis Ovar (M60);
e Manuel Dourado do Carcavelos Caravela Seguros (M65).
Na competição feminina venceram:
Rafaela Fonseca do Sport Comércio e Salgueiros (Seniores);
Rosa Madureira (F40);
e Lucinda Moreiras do Grupo Desportivo de Bragança (F50).
Na competição por equipas de séniores, a nível masculino triunfou o C.F. Oliveira do Douro e a nível feminino o CD Póvoa.
Na competição de equipas em veteranos masculinos triunfou o GDC de Guilhovai.
OPraticante.pt
A equipa de OPraticante.pt esteve representada por Nuno Fernandes que terminou a prova em 1h12min (628º geral / 64º M40) e por Raquel Neto na caminhada.
Prova já enraizada no calendário e de atletas para atletas
Estando nesta prova pela terceira vez, o ambiente que esta prova vivência não foi novidade. Desde cedo na manhã, a sede das Águas de Gaia começa a receber os vários atletas que vão participar nesta prova.
Esta prova apresenta sempre uma grande presença de atletas veteranos.
A sua grande presença acontece devido ao elevado número de prémios monetários que a prova oferece com premiação ao top10 de cada escalão e também pela forma como são bem recebidos pela organização do evento.
Como se diz na gíria desportiva, o GPA das Águas de Gaia é uma prova organizada por atletas para atletas.
A base do evento fica na sede das Águas de Gaia e no espaço estão colocadas todas as valências que uma grande prova deve ter.
Secretariado de corrida e caminhada separados e a funcionar com rapidez e com staff sempre simpático e empenhado e ainda casas de banho e balneários ao dispor dos atletas.
Após a prova, o espaço de quem corria era separado dos que iam caminhar e todo o espaço era vedado para se evitarem confusões. Tal como nas edições anteriores, longa foi a fila para receber as ofertas finais dentro do edifício das Águas de Gaia.
Em questão de logística da prova não há qualquer falha a apontar à organização.
Evento com bom kit de atleta
Nova edição do evento e mais uma vez a organização não poupou esforços para presentar aos atletas em prova um bom kit de ofertas.
Conhecida no meio como a prova da toalha, esta fez de novo parte do conjunto de ofertas.
Para além da toalha, os atletas no final da prova receberam um saco que continha ainda água,bolachas, revista de natureza, um artigo para uso na praia, um suporte em cortiça e claro está a medalha finisher referente à presença na prova.
Para o preço de inscrição que a prova tinha, o kit de atleta esteve a um bom nível.
Regresso ao normal até na falta de público
Como mencionado anteriormente, o percurso do GPA das Águas de Gaia é um bom desafio de corrida.
Em nenhum momento há monotonia já que os atletas ora sobem ora descem, o que faz com que seja muito agradável correr esta prova.
Em termos de logística do percurso, também nada de errado há a apontar. Ao longo do percurso, havia placas informativas da quilometragem, todos os cruzamentos estavam fechados por autoridades e voluntários.
Ao quilómetro cinco aconteceu um abastecimento de águas e onde se notou a preocupação ambiental com a existência de contentores para se despejarem as garrafas vazias.
Se a qualidade da organização se voltou a repetir neste regresso pós Covid, a falta de apoio popular também se voltou a repetir infelizmente.
Tal como já tinha dito anteriormente na reportagem do evento de 2019, é triste uma prova que percorre ruas, ruelas, passa por entre prédios e casas de habitação numa grande cidade como Vila Nova de Gaia não receber um aplauso.
Diria que tirando a zona de meta onde os atletas recebiam um bom incentivo, no restante do percurso podem-se contar pelos dedos das mãos as pessoas que aplaudiam os atletas.
É a cultura desportiva que se fomenta neste país.
GPA das Águas de Gaia regressou a bom nível após o Covid
O regresso do atletismo após a pandemia de Covid 19 tem sido marcado por algumas provas a revelarem uma quebra de afluência.
Relutância dos atletas em ir a eventos de massas, ou mesmo a conjuntura financeira atual, todos são motivos válidos para justificarem este decrescer de participação mas o GPA do Clube Pessoal Águas de Gaia deste ano não foi muito afetado por esta quebra de participação.
O GPA do Clube Pessoal Águas de Gaia é uma prova já consolidada no calendário nortenho de atletismo. Olhando aos seus números é facilmente percetível que já tem o seu nicho de atletas conquistado e assim obtêm números de participação regulares.
A edição deste ano teve um total de 644 atletas finalizadores. Este valor revela uma perda em relação ao valor de 762 obtidos no evento de 2019.
Convém mencionar que em Espanha decorreu a maratona e meia maratona Vig-Bay que tem sempre um grande contingente lusitano do norte de Portugal e afecta a afluência das provas nacionais decorridas no mesmo dia.
Para finalizar esta reportagem, irei voltar a repetir o que mencionei na reportagem de 2019, pois nada se alterou: “O GPA do Clube Pessoal Águas de Gaia é uma prova da velha guarda, com um percurso a condizer e com rácio preço de inscrição / kit de ofertas muito interessante.
Para além disso é uma prova com um nível de competição muito elevado para uma prova popular, basta olhar aos tempos dos primeiros classificados.
Na verdade, e voltando a reafirmar o que já tinha dito o ano passado, a sensação que se fica é que esta é uma prova organizada por um conjunto de pessoas, que não pretende tirar qualquer vantagem de quem nela vai participar.
Com um preço de inscrição reduzido consegue apresentar uma boa prova e agradecer a presença aos atletas com um bom kit de participante.”







