Alto rendimento, Estado anda a brincar com o desporto

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Afonso Costa e Pedro Fraga - Foto: Julia Koacic

“Numa altura em que o remo português consegue um apuramento olímpico e a Federação Portuguesa de Remo (FPR) regista resultados financeiro francamente positivos – depois de ultrapassar um período de insolvência – o Estado, através do Instituto Português do Desporto e Juventude, anuncia um corte de 50 mil euros num Orçamento global de 450 mil para o desporto de alto rendimento.

Esta decisão revela que os financiamentos públicos, em Portugal, nada têm a ver com a avaliação do mérito, mas com factores totalmente alheios.

Desta forma, o Estado insiste em nivelar por baixo, contrariando todas as regras daquilo que deve ser o apoio ao alto rendimento.

Texto / Fotos: Federação Portuguesa de Remo

Luís Ahrens Teixeira – Presidente da Federação Portuguesa de Remo

O Estado português anda a brincar com o desporto

Em 2013, quando a actual equipa directiva tomou posse, a FPR tinha perdido o estatuto de utilidade pública e não estava autorizada a ter contas bancárias.

Foi o dinheiro pessoal dos dirigentes da FPR que pagou as participações nacionais em Taças do Mundo, campeonatos da Europa e mundiais.

A isto somou-se também uma espécie de esmola da federação inglesa de remo e da federação dinamarquesa.

De notar que continua a valer à modalidade que os estágios da seleção são feitos no hotel do presidente da FPR, a custo zero, o que representa uma poupança significativa no orçamento da modalidade.

Da mesma forma, e sem que nada a obrigasse, a FPR entendeu compensar financeiramente os atletas olímpicos Pedro Fraga e Afonso Costa, para que nada lhes faltasse num ano decisivo.

Alto rendimento

Desporto de alto rendimento em Portugal, sem visão, sem estratégia

Esta machada no mérito da FPR e dos seus atletas surge numa altura em que Portugal prepara a organização do Campeonato do Mundo de Remo de Mar, em Setembro, evento para o qual o IPDJ ainda não anunciou qual o financiamento que terá disponível, com a justificação de que há eventos a decorrer sem contrato-programa assinado.

Isto diz tudo sobre o momento de total desorganização e amadorismo que se vive na planificação financeira do desporto de alto rendimento.

O balanço é simples: Contas em ordem e resultados desportivos de relevo valem um corte de mais de 10% no financiamento do Estado ao Remo.

É assim que vai o desporto de alto rendimento em Portugal, sem visão, sem estratégia e com um total desprezo pelo culto do mérito.

Estamos cansados de propaganda. Quando há medalhas, os políticos colocam-se em bicos de pés ao lado dos atletas, multiplicam-se os tweets e as publicações no Facebook, mas nada disso paga a total ausência e falta de apoio no dia-a-dia do desporto nacional.” foram as declarações de Luís Ahrens Teixeira – Presidente da Federação Portuguesa de Remo.

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