APOPA LANÇA “MANIFESTO DA CORRIDA LIVRE”

APOPA

Foto: APOPA

A Associação Portuguesa de Organizadores de Provas de Atletismo (APOPA) voltou a tomar posição pública contra as taxas implementadas pela Federação Portuguesa de Atletismo (FPA).

A associação alerta para o impacto negativo que estas medidas podem ter na prática desportiva em Portugal, tanto para os atletas populares como para os organizadores de provas.

São Silvestre
Foto: Runporto

A corrida não pode tornar-se um privilégio

Num comunicado intitulado “Pelo Desporto de todos, para todos”, a APOPA manifesta a sua discordância em relação ao aumento das taxas administrativas e de homologação de percursos, considerando que estas colocam em causa a acessibilidade das corridas populares.

“Não aceitamos que a corrida se torne um privilégio sujeito a taxas excessivas.

Organizar eventos é promover saúde pública. Novas taxas não podem ser um obstáculo à dinamização do Atletismo em Portugal”, refere a associação.

A organização sublinha que defende a sustentabilidade das provas.

No entanto, rejeita aquilo que considera ser um “peso excessivo das novas homologações e taxas administrativas”, apelando a princípios de “transparência, equidade e justiça no desporto nacional”.

No mesmo comunicado, a APOPA destaca ainda o papel do atleta informal no desenvolvimento das provas populares:

“O atleta informal não é um número, é a alma das nossas corridas. Dizemos NÃO à taxa que penaliza quem corre por lazer!”

Leixões
Foto: Eventsport

Menos burocracia, mais apoio aos organizadores

Relativamente às regras impostas pela FPA, a associação exige menos burocracia e mais apoio, defendendo regulamentos que protejam simultaneamente quem organiza e quem participa:

“A homologação de percursos deve garantir qualidade e segurança, não asfixiar financeiramente os organizadores locais.

Estamos a trabalhar para que o calendário de provas em Portugal continue vibrante, acessível e inclusivo.

A nossa luta é o vosso direito a correr!”

“Manifesto da Corrida Livre”

Paralelamente ao comunicado, a APOPA publicou no seu site o documento intitulado “Manifesto da Corrida Livre – Pela Sustentabilidade do Atletismo:

O Nosso Compromisso”, no qual reforça a sua visão do atletismo como uma ferramenta essencial de saúde pública.

Segundo o manifesto, “o atletismo é a ferramenta mais democrática de saúde pública em Portugal”, mas os novos regulamentos de taxas da FPA colocam essa democratização em risco.

A associação estrutura a sua posição em três eixos fundamentais:

  • Respeito pelo atleta informal – A APOPA considera inaceitável que quem corre por lazer seja tratado como uma fonte de receita administrativa. A associação sublinha que o atleta não federado é o verdadeiro motor das provas populares.
  • Homologações justas – A certificação dos percursos deve funcionar como um selo de qualidade acessível. Não pode transformar-se num custo proibitivo que leve ao cancelamento de provas históricas ou ao aumento do valor das inscrições.
  • Transparência e diálogo – A associação defende que os regulamentos devem nascer do diálogo com organizadores e clubes, criticando decisões unilaterais que ignoram a realidade do terreno.
APOPA
Foto: Helena Santos // OPraticante.pt

“A corrida é de todos”

O manifesto termina com um apelo à mobilização da comunidade desportiva:

“A corrida é de todos. Junte-se a nós nesta causa.”

Com estas posições, a APOPA pretende pressionar a Federação Portuguesa de Atletismo a rever o modelo de taxas e homologações atualmente em vigor.

O objetivo é garantir que o atletismo popular continue acessível, sustentável e inclusivo.

Além disso, pretende-se preservar o papel social e de saúde pública que as corridas de estrada e as provas populares desempenham em todo o país.

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