Correr com a luz das estrelas e do frontal em Esmoriz

Esmoriz Night

Foto: J.V fotografia

Aí está o mês de Junho! O Verão vai chegar, as festas populares também, mas no que diz respeito ao atletismo, o mês é longo com um grande número de provas a acontecerem de norte a sul em todos os fins-de-semana para assim se chegar ao término da época desportiva, desta vez foi a vez de Esmoriz receber a presença de OPraticante.pt.

Foto: Atletas Net Portugal

Esmoriz Night Race

Na zona norte de Portugal, uma das provas de relevo neste primeiro fim-de-semana do mês aconteceu em Esmoriz com a terceira edição da Esmoriz Night Race que prometia uma prova recheada de desafios aos atletas.

Para testar estes desafios, o Opraticante.pt esteve presente no evento e agora apresentamos as nossas notas em reação ao mesmo.

A Esmoriz Night Race que aconteceu este Sábado (2) de junho pelas 21:00 horas foi organizado pela atletas.net, em colaboração com o Sporting Clube de Esmoriz, a Câmara Municipal de Ovar e a Junta de Freguesia de Esmoriz.

O evento foi composto por três provas, a principal, cronometrada numa distância de doze quilómetros, a caminhada com sete quilómetros de extensão e ainda uma corrida da pequenada sem fins competitivos com quinhentos metros.

Foto: Atletas Net Portugal

Percurso desafiante mas problemático a vários níveis

A proposta desta prova era uma corrida nocturna num percurso misto com doze quilómetros de extensão que envolvia passagens em terra batida, alcatrão e caminhos florestais de pinhal. Para quem lê-se este pressuposto certamente ficaria na ideia que tinha nesta prova um excelente desafio. Será que o foi?

A prova teve partida e chegada na Avenida Infante D. Henrique (frente ao Barra Mar´s) e passado o primeiro quilómetro de prova, os atletas entravam numa estrada em terra batida toda esburacada com o paredão junto ao mar do lado direito e por ai seguiam deste a praia de Esmoriz até à praia de Cortegaça. Se o percurso mais agressivo fosse todo assim não havia muitos problemas, mas estes começariam em breve.

O desafio seguinte e o mais complicado levava os atletas para o caminho florestal ao lado do parque de campismo de Cortegaça e monte a dentro seguiam durante dois quilómetros. Se fosse somente caminho florestal, com mais ou menos cuidados até que se fazia mas este trajecto estava cheio de areia que não permitia correr.

Portanto quem quisesse fazer grandes tempos de prova, tinha aqui um grande obstáculo. Juntamente à areia havia raízes que faziam redobrar a atenção, atenção que este quem vos escreve não teve e quase no final do troço acabou por cair. Um grande abraço ao parceiro de prova que vinha atrás de mim e me ajudou a levantar.

Foto: J.V fotografia

Retorno

Terminado este segmento, a prova tornava-se fácil e os atletas faziam o retorno de volta a Esmoriz pelo passeio pedonal ao lado da estrada que liga Cortegaça ao Furadouro e que é palco da Meia Maratona de Cortegaça.

Foi engraçado percorrer este segmento e relembrar que o mês passado se correu ali de dia e com muito calor e agora estava totalmente de noite e só com a luz do frontal. Este foi o segmento mais rápido da prova.

Chegados a Esmoriz, os atletas percorriam algumas vias locais e faziam passagem no estádio local para pisar a relva. Passando esta parte, tudo levava a crer que seria um término de prova tranquilo. Puro erro!

Saindo do estádio, havia um cruzamento e ninguém sabia para que lado ir, se pelo centro ou se contornava o espaço através de um passadiço de madeira. Fomos pelo centro e ao chegar à estrada para a entrada da meta viam-se alguns atletas a virem pelo passadiço de madeira. Algo falhou aí!

Foto: J.V fotografia

O interesse da prova estava nos diversos segmentos que a constituíam

No que toca aos diversos segmentos que compuseram o percurso desta prova não tenho que expressar qualquer crítica. O interesse da prova estava neles e na capacidade dos atletas em os superar. Sou apenas da opinião que o percurso florestal repleto de areia e raízes talvez tivesse que ser melhorado.

Pergunto, se alguém sofreasse uma queda mais violenta a meio do segmento e requeresse ajuda médica mais séria como fariam? É necessário ter isso em conta! A segurança dos atletas tem de estar em primeiro lugar!

Foto: J.V fotografia

A principal crítica que tenho a apontar ao percurso é a sua fraca sinalização. Num percurso com estas condições, nocturno, não basta colocarem umas placas a indicar o caminho. Se na maioria dos locais isso funcionou, em alguns falharam. Não tem que ser o atleta a perguntar ao agente da autoridade para onde é o caminho, não tem de ser o atleta a parar no meio de um cruzamento e esperar por outros atletas e tentarem perceber se o caminho é o correcto. A parte final da prova estava muito mal sinalizada.
Dou a sugestão de na próxima edição da prova usarem umas fitas florescentes a indicarem o caminho nas partes com menor visualização. Certamente não haveria algumas confusões.

Vencedores

Fábio Correia vence Esmoriz Night Race

O grande vencedor da terceira edição da Esmoriz Night Race foi Fábio Correia do Sporting Clube de Espinho / António Leitão.
Depois de na edição transacta, o atleta do clube espinhense ter ficado na terceira posição, este ano alcançou a vitória com um tempo final de 46:00 minutos. Na segunda posição ficou Hélder Pires do Clube de Atletismo de Ovar com o mesmo tempo. A fechar o pódio ficou António Sousa do Ripolins Grijó a Correr com 46:06. Como se pode ver pelos tempos de prova, a prova foi discutida até ao cortar de meta.

Foto: Atletas Net Portugal

Cristina Passos triunfa na competição feminina

Na vertente feminina da prova, a grande vencedora foi Cristina Passos do Running Espinho. A atleta do “clube laranja” terminou a prova com 56:47minutos. A completar o pódio ficou Marta Marques do Maia Runners com 56:57minutos e Lúcia Costa do Juventude Cortegacense com 58:10minutos.

Foto: J.V fotografia

Vencedores por escalão

A prova teve vencedores por escalão e estes foram os seguintes:

Na competição masculina triunfaram, Fernando Mendes (Juniores), Fabio Correia do Sporting Clube de Espinho / António Leitão (Seniores), Ricardo Pereira (Vet35), João Moreira do G.D. Ronda (Vet40), António Sousa do Ripolins Grijó a Correr (Vet45), Paulo Costa do Viriathvs Runners Viseu (Vet50), Manuel Fonseca do Afis/Ovar (Vet55), Fernando Silva do Grupo Corrida de Argoncelhe (Vet60) e Manuel Couto do Ripolins Grijó a Correr (Vet70).

Na competição feminina venceram, Catarina Resende (Juniores), Marta Marques do Maia Runners (Seniores), Marta Reis do Juventude Cortegacense• (Vet35), Cristina Passos do Running Espinho (Vet40), Olga Gomes (Vet45), Angelina Ferreira (Vet50) e Fernanda Almeida do C.M.M.C. Vale de Cambra (Vet60).

Foto: Atletas Net Portugal

OPraticante.pt

Quatro foram os representantes de OPraticante.pt, com destaque para a Patricia Silva que obteve o 10º Vet35 / 269º geral – 1:21;22, Nuno Fernandes 33º Sénior / 225º geral – 1:14;12, Susana Rodrigues 16ª Vet40 / 267º geral – 1:21;21 e José Martins 43º Vet 35 / 268º geral – 1:21;21 completaram a equipa

Foto: Atletas Net Portugal

Animação das crianças abriu a Esmoriz Night Race

Chegando cedo a Esmoriz, local à beira-mar, o tempo não estava convidativo para grandes praias ou corridas, nublado, frio e ventoso.

Aqui e ali, espaçados no tempo, os atletas iam chegando, levantavam o dorsal e recolhiam ora para as suas viaturas, ora para os diversos cafés no local para assistirem ao jogo da Selecção Nacional que começariam antes das 20 horas.

O levantamento do dorsal decorreu sem nenhuma demora ou fila e aos atletas era entregue um saco da atletas.net com o dorsal e chip, uma t-shirt técnica alusiva à prova, folhetos promocionais e uma senha para o levantamento de uma bebida e uma sandes de porco no espeto no final.

No final da prova para além dessa bebida e sandes, na linha de meta era entregue a medalha finisher e ainda uma garrafa de água. Para um preço de inscrição de dez euros, o que foi entregue aos atletas está ao nível do que se foi pago.

Nesse aspecto, o preço foi justo para o que foi entregue e proporcionado aos atletas.

Foto: Atletas Net Portugal

Aproximar do inicio do evento

Com o aproximar da hora da prova, o local começou a ficar composto e foi interessante ver que não eram somente atletas isolados a virem mas sim famílias. Muitas delas com os filhotes equipados a rigor e preparados para a corrida infantil que ia acontecer antes da prova.

Na verdade, quem acompanha os meus artigos, sabe a minha opinião de que todas as provas de atletismo deviam ter uma corrida infantil e o que se passou nesta prova provou mais uma vez o meu ponto. Era ver como estava bonita aquela avenida com crianças a correrem somente por correrem, umas maiores outras mais pequenas a só quererem chegar ao final e receberem uma mera medalha mas que para eles era como se fosse um tesouro.

Mas mais interessante foi ver muitos “pais atletas” que puxavam pelos seus filhos na beira da avenida e com um ar de puro orgulho. Assim é bonito!

Foto: Atletas Net Portugal

E a luz dos frontais tomou de assalto o recanto à beira-mar

Terminada a curta mas intensa corrida da pequenada, era a hora dos mais crescidos se prepararem para doze quilómetros de um percurso desafiante. Por entre aquecimentos e fotos da praxe, a luz dos frontais foi se tornando dominante no local.

A boxe de partida estava bem composta e com a caminhada ligeiramente separada da corrida. Explicações dadas pelo speaker de serviço e com o anunciar de que o percurso seria um pouco mais extenso que o anunciado. Nada de importante e venha o tiro de partida.

A luz tomou conta da beira-mar mas entre a penumbra ainda se vislumbravam alguns habitantes locais que estavam na beira da estrada a ver algo que não é comum acontecer àquelas horas.

Foto: J.V fotografia

Na verdade, o facto de a Selecção ter jogado nessa hora tirou algumas pessoas da beira da estrada, pois na zona de Cortegaça muitos eram os restaurantes cheios e sem que as pessoas ligassem alguma à corrida que passava na rua ao lado. No restante da prova, excluindo a passagem no estádio do Esmoriz, o apoio foi inexistente. Outros interesses se levantaram.

No que toca ao percurso da prova, já quase tudo foi mencionado em cima mas há ainda a dizer que a prova não tinha placas a indicar a cronometragem, algo que no regulamento dizia que ia ter e dado o tipo de prova seria conveniente.

A prova teve dois abastecimentos de águas, ao quilómetro quatro e oito. Nos dois não havia local para depositar a garrafa vazia e os dois coincidiram junto a um local florestal e sem luz. Acredito que no dia seguinte com luz, tenham limpado os locais.

Foto: J.V fotografia

Final de prova com confusão e filas de esperas

Como mencionado, a parte final da prova foi confusa devido ao mau sinalizar do percurso mas também foi confusa na linha de chegada onde os caminheiros se misturavam com quem corria e a estes se juntavam pedestres que atravessavam a estrada sem cuidados.

Alguns atletas tinham que fazer um ziguezaguear para conseguirem correr até à meta. Devia ter havido uma preocupação maior a delimitar a estrada e a colocarem mais barreiras para impedir a invasão do espaço.

Outra grande crítica que tem que se fazer diz respeito à fila de espera para levantar a bebida e a sandes. Pergunto como uma prova que teve cerca de trezentos participantes na corrida obrigou a que se tivesse na fila de espera, de pé, à noite e com a brisa fria da beira-mar, quase uma hora?

A resposta é terem somente uma mesa com duas pessoas a atenderem. Como seria se a prova tivesse o dobro dos participantes?

Ah e na verdade, o que estava anunciado como sandes de porco no espeto, acabou por ser uma bifana. Algo falhou neste aspecto e era ver as pessoas a se queixarem na fila.

Foto: Atletas Net Portugal

Esmoriz Night Race, uma prova interessante mas que precisa de melhorias

O conceito da Esmoriz Night Race é interessante e bastante apelativo. Nesta época do ano e se as condições meteorológicas ajudarem, a prova tornasse agradável.

Mas, para este conceito diferente levar a sua avante, a organização tem de criar condições para os atletas desfrutarem do conceito. A mais flagrante é terem uma melhor sinalização do percurso para os atletas evitarem confusões e fluírem nas suas corridas.

Outra questão a se ter em conta é melhorar o pós prova e evitarem as filas prolongadas para receber a oferta de comida e bebida que a organização brinda os atletas.

Um pós-prova expedito é sempre a ter em conta e não fica bem, acontecer a entrega de prémios e as pessoas estarem mais uns largos minutos na fila devido ao número escasso de elementos do staff nas mesas de atendimento.

Foto: Atletas Net Portugal

Esmoriz Night Race pode aumentar a sua afluência e ter mais sucesso

Acredito que com estas melhorias e outras que a organização certamente discutirá na reunião pós-prova, a Esmoriz Night Race possa aumentar a sua afluência e continuar a ter sucesso.

Pelos números apresentados e vendo de uma forma geral a lista de participantes, a prova tem o seu principal nicho de participantes nos clubes e grupos de corrida locais mas com algum crer poderá expandir mais a sua afluência.

No que toca à edição deste ano, a prova teve 288 finalizadores, o pior número das três edições da prova e com uma queda de quase uma centena de participantes em relação ao ano passado. Está agora nas mãos da organização, olhar aos números e fazer as mudanças que acharem necessárias.

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Texto: Nuno Fernandes
Fotos: Atletas.net / JVPhotography.com.pt

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