DuraTrail uma prova de Campeões

Romeu Gouveia a vencer a prova

A quinta edição do DuraTrail realizou-se no dia 28 de outubro e reuniu atletas de todos os cantos do país, encerrando assim o conjunto de trails serie 150 do Campeonato Nacional de Trail. Foi organizada pela equipa Outdoor Clube de Setúbal, contou com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal e deu a conhecer o parque Natural da Arrábida. O evento apresentou três distâncias distintas: o trail curto de 18km com um desnível de 684 metros, o trail longo de 32 km, com 1310 metros de desnível e uma caminhada de cerca de 13 km.

Momentos antes da partida controlada

A organização contabilizou um total de 940 inscritos. Houve uma grande adesão na caminhada, tendo sido contabilizados 180 caminheiros. Números que excederam e muito a anterior edição. Com mais participantes no evento a organização apostou no reforço de voluntários, o que fez com que fosse um sucesso o evento.

A Baía da Arrábida

Bem cedo os participantes reuniram-se na baia da Arrábida para poderem participar no trail que já é uma referência nesta zona do país. Ambas as distâncias partiram às nove horas locais. Parecia cedo mas foi a decisão mais acertada por parte da organização. Pelas oito horas da manhã já o estacionamento do Parque  Urbano de Albarquel  era escasso para tantos atletas. Aqui e ali viam-se atletas fora do carro a contemplar a maravilhosa vista para o Sado! Se não tivéssemos calendário, diríamos que estávamos em pleno mês de agosto.

Atletas a contemplarem a paisagem

Manhã de outono com temperaturas de verão

O sol deitava-se sobre as águas transparentes fazendo inveja a qualquer dia de verão. O calor que se fazia sentir já convidava a um mergulho, antevia-se uma prova difícil, não só pela dureza do percurso na serra da Arrábida, mas também pelas temperaturas que iriam subir ao longo da prova.

A beleza do Sado

Partida controlada

A partida controlada junto ao Sado foi dada pontualmente às nove horas e todos os trailistas percorreram a cidade num percurso de 1,3 km guiado por ciclistas da organização. Quando virámos à direita, começámos a subir para a serra, e nesse momento foi dada a partida largada. Estávamos prontos para conhecer esta serra…

Logo na primeira subida, e que subida… ela deu-nos as boas vindas. Mandou-nos avançar por um single track que nos permitiu voltar a correr com a passada solta começando a ziguezaguear com pequenos “sobe e desce”. Só pelo começo adivinhava-se um percurso muito recortado tal como mostrava a altimetria do dorsal. Por volta dos onze quilómetros dissemos adeus aos trailistas dos 18 km e ficámos só nós e a serra. O relógio do tempo de prova avançava, aumentava o calor. Nesta fase já os trailistas recorriam constantemente à água que levavam.

Atletas dos 32km numa descida acentuada

Ultrapassámos algumas subidas longas e algumas muito técnicas que antevinham descidas muito acentuadas. O estado de alerta estava no seu máximo, qualquer desequilíbrio ou apoio menos consistente podia levar a quedas. Cruzamos várias vezes vias de alcatrão onde circulava o trânsito.

Traços do percurso permitiu impor um bom ritmo de corrida

Estes pequenos traços do percurso permitiu-nos impor um bom ritmo de corrida e, ao mesmo tempo, a atenção redobrada. Em todas essas situações não faltou membros da GNR e membros da própria organização a garantir a segurança dos atletas revelando assim o cuidado que a organização teve nos pontos mais sensíveis do percurso. O último cruzamento com estrada de alcatrão antevia também o último abastecimento. Estavam percorridos sensivelmente 25 quilómetros.

A mente já só pensava na meta

A camisola transpirada, a boca seca e a mente já só pensava na meta. Uma paragem rápida neste último abastecimento, refrescamos a cara e o corpo e desaparecemos de novo no meio do monte. Os últimos quilómetros são um misto de alucinação com cansaço físico e calor! Imaginas-te a mergulhar nas águas do Sado, imaginas-te a cruzar a meta. Sobes uma última inclinação que não te deixa ver nada além da interminável subida. Evitas levantar a cabeça, não vês o fim da escalada, mas também não vês o tamanho da resiliência para a ultrapassar. Quando chegas ao ponto mais alto esqueces-te da exaustão física, paras por milésimos de segundo e à tua direita consegues espreitar pela vegetação a baía de Setúbal. Esta paisagem magnífica faz brilhar de alegria os teus olhos e injeta a última adrenalina no corpo. Já se avista a baía, o fim está próximo, é só descer a encosta.

Já se avista a baía

Descemos com a vontade e a adrenalina no máximo, a energia no mínimo, os músculos dão sinais de elevado desgaste, mas agora já não se corre com as pernas, mas com a alma. Já só queremos terminar a prova. A descida é sinuosa e muito técnica. Ainda é necessário energias para travar e já falta controlo sobre o corpo. Agarras-te à vegetação e assim consegues contornar o último serpenteado do percurso. Ouves uns sons distorcidos, a meta está cada vez mais próxima. O locutor grita qualquer coisa que ainda não consegues compreender…

Atletas dos 32km na praia de Albarquel

Pisas a areia da praia de Albarquel. Apercebeste de pessoas a fazerem praia. O sol convida a isso. Mas tu só queres terminar a tua prova. Corres atrás da areia molhada em busca de menos esforço. Voltas ao alcatrão, uma última subida e finalmente entras pelo passeio do parque que te mostra a meta.

Ana Soraia Gomes na reta da meta

A reta final merece destaque

Tânia Prates vencedora dos 18km

Esta reta final merece destaque. Pelas pessoas que nos aplaudem, pela beleza que encerra e pelas sensações que nos devolve. Esta pequena reta supera todo o cansaço, toda a dor e todo o sacrifício que trazíamos no corpo e na alma, esta reta devolve-nos o sorriso!

Esta reta transforma-nos em heróis de nós mesmos. É neste momento que nos autossuperamos, é neste momento que colocamos os nossos limites onde não sabíamos ser possível.

A confirmação dos campeões nacionais

O DURATRAIL foi a última prova série 150 do campeonato nacional. Quase tudo estava decidido, Romeu Gouveia, de apenas vinte anos e natural de Coimbra era um forte candidato. O jovem vencedor do Campeonato Nacional SkyRunning tinha feito até ao momento um grande campeonato nacional de trail.

Romeu Gouveia a vencer a prova

Na vertente feminina a disputa estava entre duas grandes atletas da equipa ORALKLASS-Amigos do Trail. Nádia Casteleiro estavam entre as mais bem classificadas. Romeu Gouveia e Maria Areias acabaram por ser os vencedores da prova e, com esta vitória, consagraram-se campeões nacionais de trail.

Maria Areias a vencer a prova

Cerimónia de entrega de prémios

A entrega dos prémios começou pela distância mais curta, seguindo-se o pódio do trail dos 32km. O local escolhido para o efeito foi junto à meta e não poderia ter melhor pano de fundo. Atrás dos bidões dos primeiros lugares aparecia o Sado que se confundia com o céu. O culminar deste evento decorreu sem demora, cumprindo com os horários estabelecidos.

No decorrer da cerimónia alguns atletas ainda estavam no almoço que a organização disponibilizou a todos os participantes. Os atletas puderam provar a típica massa de choco que foi confecionada durante a noite e madrugada por uma equipa de pescadores e gente da cidade. Existia mesas montadas para que todos pudessem almoçar e ficar a aplaudir os vencedores.

Os melhores foram

DURATRAIL 18km

O homem mais rápido nesta distância foi Nelson Graça (Team GoldNutrition | RUN.pt) que acabou a prova em 01:27:59. O segundo classificado foi Rúben Chaves (Individual) que cruzou a meta em 01:28:27 e a fechar o pódio ficou o João Pedro Rebelo (U.F. Comércio e Indústria Atletismo) com 01:30:29.

No setor feminino a vencedora foi a Tânia Sofia Prates (Team Crosswater) que terminou a prova em 01:56:53. Em segundo lugar, e a seis segundos de diferença, acabou a Malvina Maria de Oliveira Gomes (Individual). A completar o pódio chegou a Cátia Rodrigues (OCS PROAVENTURAS) em 01:57:40.

A equipa vencedora foi a Lebres de Domingo com 103 pontos.

DURATRAIL 32km

O grande campeão na distância mais longa foi o ainda sub-23 Romeu Gouveia (Individual) em 02:32:49. Luís Duarte Semedo (acportalegre/utsm) seria o segundo classificado em 02:33:31. E no terceiro lugar do pódio chegou o atleta individual Aita Tamang em 02:38:10.

A primeira mulher a cruzar a meta foi a Maria Areias (Oralklass – Amigos do Trail)) em 3:13:43. A segunda classificada Inês Marques (99PROVASGRATUITAS) em 03:19:50. No terceiro lugar do pódio ficou a Rute Martins (Clube de Atletismo de Ferreira do Zêzere) com 3:32:47.

Coletivamente ganhou a equipa Oralklass – Amigos do Trail com 23 pontos.

Oralklass-Amigos Do Trail

Equipa alcança mais pódios e apresenta a nova Campeã Nacional de Trail

A equipa apostou na prova rainha do Duratrail, os 32km. Paulo Conde foi o melhor homem da equipa, sendo o terceiro melhor sénior a cruzar a meta. António Braziela foi o segundo atleta no escalão sub-23. Seguiram-se Fernando Miguel Neves e João Nogueira em oitavo e nono lugar, respetivamente. Sérgio Anunciação foi quinto classificado no seu escalão M50. Maria Areias foi a grande vencedora no setor feminino e Nádia Casteleiro foi a terceira sénior a cruzar a meta. Coletivamente a equipa subiu ao lugar mais alto do pódio. Sem dúvida que foi uma aposta ganha.

Ainda no setor feminino, a atleta Maria Areias, além de vencer a prova, sagrou-se Campeã Nacional de Trail. Parabéns à atleta e à equipa que tem feito uma brilhante época.

Na distância dos 18km apenas teve a participação do Sérgio Suzano.

Oralklass – Amigos do Trail no lugar mais alto do pódio

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Escrito por: Maria Areias
Fotos: Bernardete Morita – Prozis Trail Running
João Manuel Sousa Santos
Alexandre Cantiga

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