FERNANDO ANDRADE, A TAXA E O TACHO
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Em relação à famigerada taxa que os novos regulamentos da FPA prevêem, quem me conhece sabe que sou frontalmente contra, principalmente o que faz com que a Corrida lúdica deixe de ser uma saudável manifestação de liberdade e seja coercivamente equiparada à Corrida competitiva, onerando a sua prática e transformando a sua simplicidade num processo burocrático, que responsabiliza os organizadores pelo cumprimento de um desígnio que lhes foi imposto (o de cobradores da FPA) e os corredores por terem de se licenciar contra a sua vontade.
Isto faz duvidar se estamos perante uma medida legítima ou prepotente.
Mas, reflitamos um pouco, nos pontos de vista dos que estão a favor e dos que estão contra.
Fonte: Fernando Andrade
Perguntas Frequentes
Todas as modalidades são reguladas pelas respetivas federações, porque não a Corrida?
Sim, a FPA deve tutelar a Corrida, mas na sua vertente competitiva e de alto rendimento.
A Corrida lúdica, feita por quem apenas pretende lutar contra o sedentarismo, ganhando alguma saúde com a sua prática através da participação em provas que servem de encontros-convívio entre milhares de amigos que a própria Corrida proporciona, nada tem a ver com a competição com que a FPA se deve preocupar.
Se os corredores pagam uma inscrição caríssima nas provas, por que não podem contribuir com 2 ou 3 euros para que a FPA desenvolva a modalidade?
Os corredores aceitam o pagamento de uma inscrição a quem lhes presta um serviço.
Se acham que são bem servidos, dão por bem empregado o que gastaram. Se foram mal servidos, não voltam lá. É uma opção livre de cada um.
E a FPA? Que fez ela para que os eventos de corrida popular se realizem, para serem dignos da taxa que querem aplicar?
Homologaram o regulamento da prova, via Associações. Certo, mas receberam a respetiva taxa. Que mais lhes é devido?
A FPA precisa de ser financiada. Não seriam os próprios corredores, que amam a Corrida, os mais indicados para contribuir?
Sim. Ninguém saberá valorizar melhor o esforço dos nossos campeões e entender o verdadeiro esforço que fazem do que aqueles que praticam a Corrida.
Porém, os primeiros sinais que os atuais dirigentes nos deram logo que tomaram posse não apontavam nesse sentido, como é o caso do aumento substancial dos vencimentos dos dirigentes.
Que benefícios a FPA oferece em troca da taxa?
Um seguro, em redundância com o que as provas já possuem.
Os corpos sociais da FPA não foram eleitos democraticamente para gerirem a modalidade como melhor lhes parecer?
Os corpos sociais da FPA são eleitos em Assembleia Geral, maioritariamente, pelas Associações distritais/regionais (sócios ordinários) com 2 votos cada uma e pelos extraordinários (Associações de Atletas de alta competição, Treinadores, Juízes, Organizadores e ATRP) com um número variável de votos.
O que acontece é que as Associações Distritais/Regionais representam os atletas de competição.
Os corredores informais, que são a esmagadora maioria, não estão representados nas Associações cujos dirigentes votaram na FPA.
A contestação aos regulamentos não será mais um capricho dos organizadores do que dos corredores?
É justo reconhecer que cabe aos organizadores o crescimento da corrida popular.
Foram os organizadores que preencheram uma lacuna que a FPA nunca se preocupou em preencher, e que foi criando na população o hábito de correr e de caminhar.
Os corredores informais sabem disso e estão muito mais perto dos organizadores do que da FPA.
É falso que os corredores não se tenham manifestado. Basta reparar na petição pública entregue na AR (cujos principais subscritores já foram ouvidos) com 12.500 assinaturas.
Existem vantagens em ser atleta federado?
Provavelmente existirão. Mas compete a cada um decidir sobre a forma como quer viver a Corrida e não ser coagido a integrar uma associação.
Os atuais dirigentes da FPA, quando da sua candidatura, anunciaram que pretendiam aplicar uma taxa aos corredores e/ou aos organizadores?
Anunciaram expressamente que não iriam aplicar qualquer taxa. E se “o prometido é devido”, esta medida é um exemplo claro de incoerência.
Enfim, os milhares que dizem que não valerão menos que as dezenas que dizem que sim?


