FINAL DE JOGO DRAMÁTICO PARA PORTUGAL COMPLICA SONHO DOS QUARTOS

Foto: IHF / Kloktiff

Já com o Selecionador Nacional, Paulo Pereira, no banco, a primeira parte do jogo de estreia no Main Round jogou-se a um ritmo mais lento e nem sempre com as melhores decisões tomadas, de parte a parte, mas – praticamente – sempre com Portugal na liderança do marcador.

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Fonte: Federação de Andebol de Portugal
Foto: IHF / Kloktiff

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Portugal empatou com o Brasil, e complicou sonho dos Quartos

Victor Iturriza foi a única mudança face ao 7 inicial que defrontou a Hungria e foi o próprio pivô de 32 anos quem abriu o ativo, antes de António Areia colocar os Heróis do Mar a vencer por 2-0.

Uma exclusão lusa madrugadora, curiosamente a Victor Iturriza, permitiu ao Brasil, responder com um parcial de 0-3 para se colocar pela primeira vez – e única – na dianteira nos primeiros 30 minutos.

Aos seis minutos foi a vez de Portugal ficar em situação de superioridade numérica, que não foi aproveitada em termos práticos, porque o guarda-redes brasileiro Rangel da Rosa disse presente por três ocasiões.

O jogo seguia lento e cauteloso de parte a parte e a partir dos nove minutos, a inspiração de Miguel Espinha Ferreira começou a aparecer mas, apesar de três defesas do guardião luso em seis minutos, Portugal falhou por diversas ocasiões a oportunidade de voltar a ter dois golos à maior – algo que só tinha acontecido ao 2-0 e aos 15 minutos o marcador registava um empate a cinco golos (5-5).

A seleção brasileira tentou surpreender com o recurso ao sistema defensivo 5×1, mas a equipa lusa soube adaptar-se e à entrada para os últimos minutos da primeira parte liderava por 9-7.

O Brasil teve apenas uma oportunidade para passar de novo para a frente (após o 2-3), mas a mesma foi anulada por nova intervenção de Miguel Espinha Ferreira, aos 25 minutos, mantendo a igualdade a nove golos, após um momento de crescimento dos sul-americanos.

Até ao intervalo, um parcial luso de 2-0 (11-9) e uma resposta idêntica do Brasil (11-11), antecederam o último golo da primeira parte, que pertenceu a Alexis Borges – que neste jogo acabaria por ultrapassar a marca dos 100 golos pela Seleção Nacional.

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Portugal veio do intervalo com mais vontade de resolver o jogo

Portugal entrou com mais vontade de resolver o jogo e apresentou-se na segunda metade com o sistema 7×6, mas foi o Brasil a beneficiar disso: um parcial de 1-4 e a primeira vantagem de dois golos (13-15) marcaram os primeiros minutos após o recomeço.

Apesar da contrariedade, os Heróis do Mar recompuseram-se e deram a volta ao cenário, voltando à dianteira pela mão de Miguel Martins, aos 38 minutos (16-15).

Só que continuava a faltar o ‘clique’ para que Portugal conseguisse disparar no marcador até patamares seguros, e uma das razões chamava-se Leonardo Terçariol, guarda-redes que entrou na segunda parte e que fechou a baliza a sete chaves, anulando sistematicamente as investidas lusas, algumas delas sem oposição, aos seis metros.

Por esta altura – perto dos 42 minutos, Portugal levava quase quatro minutos sem marcar (17-19).

Com novo parcial de 3-0, a Seleção Nacional voltou a liderar (20-19) mas o filme do jogo na reta final acabou por ser inglório para Portugal.

Sistema 7×6 tanto resultava em golo, como permitiu sofre golos

O sistema 7×6 tanto resultava em golo, como permitia que o Brasil fizesse inúmeros golos ‘fáceis’, de uma ponta à outra, face à ausência do guarda-redes português, o que complicava a tarefa de Portugal em distanciar-se, algo que nunca aconteceu até ao final.

Os últimos momentos foram de nervos e já dentro do derradeiro minuto final, Francisco Costa assinou o 28-27 após time-out, deixando o Brasil com menos de 20 segundos para tentar empatar o jogo, algo que não aconteceu e após soar a buzina, houve festa dos Heróis do Mar, mas… o jogo não iria acabar aí.

A dupla de arbitragem francesa – as gémeas Charlotte e Julie Bonaventura – auxiliaram-se no VAR para, desqualificar Alexis Borges – por este não ter cumprido a distância de 3 metros no último livre de 9 metros – e assinalar o respetivo livre de 7 metros para o Brasil, já para lá do tempo regulamentar.

Jean Pierre Dupoux – melhor marcador da partida com 11 golos – não falhou e no final houve divisão de pontos após o resultado final de 28-28.

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“…não vale a pena pensarmos na Suécia, se não ganharmos a Cabo Verde” António Areia

António Areia, ponta da Seleção Nacional, abordou este encontro com o Brasil: “A segunda parte foi um pouco estranha para a nossa equipa – com o marcador para a frente e para trás.

Penso que criámos algumas situações de finalização em 7×6 mas apanhámos um guarda-redes que fez uma excelente exibição e terá sido por aí.

Alguma falta de eficácia em alguns momentos do jogo, uma defesa não tão coesa mas no final íamos conseguindo ainda assim uma vitória, não acho que seja tudo negativo.

Em relação à posição de Portugal no Main Round: “Seguimos focados no objetivo, independentemente de dependermos de nós ou não, o nosso foco tem que ser sempre o mesmo e, agora, será somar pontos frente a Cabo Verde.

Foi um empate duro, decidido já com o jogo acabado – são as regras e contra isso não há nada a fazer – aquilo que depender de nós e que nós conseguirmos controlar tem que se traduzir numa vitória contra Cabo Verde.

Não vale a pena pensarmos na Suécia, nem em fazermos contas, se não ganharmos a Cabo Verde.

Esta sexta-feira, Portugal voltará a entrar em campo para novo duelo especial, frente à seleção de Cabo Verde, que antecede o último jogo do Main Round II contra a Suécia.

Para que os Heróis do Mar possam continuar na corrida pela passagem aos Quartos de Final, terão que vencer os dois próximos duelos e esperar que os suecos vençam a Islândia e a Hungria.

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