FRANCISCO LARANJEIRA, UMA CORRIDA QUE FICA NA ALMA
Francisco Laranjeira em competição - Foto: Erika Ikeda / CPP
Há resultados que vão para as estatísticas. E há corridas que ficam na alma. A do Francisco Laranjeira, hoje, foi das segundas.
Uma corrida com sabor agridoce, de quem esteve tão perto da medalha no sua estreia em Jogos Surdolímpicos.
Mas a satisfação que a marca alcançada é novo recorde pessoal, que continua a progredir, a evoluir, e breve a medalha será alcançada.
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Fonte: Henrique Dias // OPraticante.pt
“Representar Portugal é um orgulho enorme.”
No final, Francisco Laranjeira destacou à equipa de reportagem do nosso órgão de comunicação OPraticante.pt:
“Estou muito feliz com esta marca e com a forma como competi numa final forte e dei tudo de mim.
Depois de alguns anos complicados, onde tive de lidar com desafios físicos e mentais, voltar a correr desta maneira tem um significado especial para mim.
Fazer 14:59 nos 5000 metros, numa final tão forte, e terminar como o primeiro europeu, atrás de três quenianos de grande nível, deixa-me orgulhoso e muito feliz, foi como tivesse ganho uma medalha.
Este resultado dá-me motivação extra para continuar a crescer e sonhar mais alto. Representar Portugal é um orgulho enorme.“
16 segundos separaram Francisco Laranjeira do pódio
O 4.º lugar do Francisco Laranjeira nos 5000m vale muito mais do que um número no papel no papel.
O atleta rasgou a pista com uma determinação impressionante e terminou a prova com um novo recorde pessoal 14:59.34 minutos (antes tinha 15:16.34).
Por trás deste resultado está uma coragem imensa, uma maturidade competitiva rara e uma capacidade de sofrer, acreditar, de superar as dificuldades e avançar, algo que só está ao alcance dos maiores.
E o Francisco foi gigante numa final duríssima e dominada por três quenianos, Ian Wambui (ouro, 13:52.83), James Mwanza (prata, 14:15.28) e Nelson Rotich (bronze,14:43.35).
Aguentou, acelerou, resistiu, insistiu. E chegou ao fim de cabeça erguida, como um atleta que sabe que deu absolutamente tudo o que tinha.
Hoje, não subiu ao pódio. Mas subiu a um lugar ainda mais raro: o respeito, o carinho, a admiração e o orgulho de todos nós.
Obrigado, Francisco. Por nos lembrares que o desporto é isto: entrega, superação e coração.

