Gran Fondo são eventos de grande sucesso
Os Gran Fondos são eventos de grande sucesso. Algumas das grandes cidades, como Nova Iorque, Londres, Berlim ou Roma acolhem anualmente estes eventos dando nome a alguns dos mais famosos Gran Fondos em todo o mundo e agora Portugal, Lisboa têm um Gran Fondo.
Gran Fondo de Lisboa
Desde o dia 22 de abril de 2018 que Lisboa integra esta lista, fazendo a sua estreia no mundo dos Gran Fondos. Esta iniciativa posiciona a capital de Portugal na primeira vaga do calendário anual deste tipo de provas em todo o mundo aumentando assim a sua atratividade para os atletas internacionais.

Sendo já uma referência no acolhimento de eventos internacionais de grande escala, Lisboa providencia experiências multiculturais com influências de todas as partes do mundo, criando um ambiente especial e acolhedor para todos os que participam num evento desta natureza.
Depois de nos últimos dias as condições atmosféricas terem sido um misto de incertezas, eis que chegou o grande dia e São Pedro brindou os participantes com condições propicias à prática desportiva, pese embora as gotas que “arrefeceram” os ânimos dos participantes minutos antes das 8h30, hora apontada para o “tiro” de partida do Gran fondo.

Muitas dúvidas
Muitas duvidas pairavam no ar acerca da realização e êxito de tal evento, devido às características especificas do local de partida, Belém, mais precisamente Praça do Império, bem como dos acessos e necessários cortes de trânsito para que todos os participantes pedalassem em segurança pelo percurso desenhado para este Gran fondo, assim como o possível transtorno que tais cortes poderiam causar à normal fluidez do transito, mesmo tratando-se de uma manha de domingo, e que se esperava que tais cortes continuassem pela tarde dentro.

Até sair da cidade de Lisboa, seriam percorridas algumas das principais artérias centrais da capital em ritmo controlado pelas Forças de Segurança que fizeram o acompanhamento da prova e carro do diretor da prova, a saber Avenida 24 de julho, Praça do Comércio, Praça da Figueira, Rossio, Marquês de Pombal, Saldanha, Entrecampos, Campo Grande, Calçada de Carriche, Odivelas e Loures, este ultimo o local onde seria dado o inicio da “roda livre” … da competição, mesmo apontando a organização para um passeio.

1.200 participantes alinharam à partida
À partida, estavam alinhados cerca de 1200 atletas entre os quais muitos nomes do ciclismo nacional entre os quais Vítor Gamito, Hugo Sabido, Bruno Pais, mas principalmente amantes do desporto neste caso do ciclismo de estrada.
Toda a logística do evento estava montada na Praça do Império onde desde cedo a azafama e correria no local era imensa fosse de participantes a levantares kits de participação e ultimarem pormenores, fosse familiar, amigos e ate curiosos não fosse o local um ponto fulcral de turismo de Lisboa.

Tal como já referido, pelas 8h30 foi dada a partida controlada dos participantes, sendo arrepiante a moldura humana que se formou pelas estradas, e que levou o extenso pelotão em direção à periferia da cidade de Lisboa onde começaria o andamento livre com a ascensão a Montachique via Sete Casas e onde desde cedo o pelotão se alongou e começou a ser feita a normal divisão de andamentos e formação de grupos.
Seguiu-se em direção a Povoa da Galega, Milharado, sendo desde logo possível verificar que o povo veio à rua ver passar os ciclistas formando uma moldura humana espetacular e incansáveis no apoio ou não estivéssemos nós em local com muita história no ciclismo nacional.

Seguiu-se Venda do Pinheiro, Malveira, a difícil subida da Abrunheira, passagem em Mafra onde estava montado o Abastecimento junto ao seu Ex libris o Palácio Convento, mandado construir por D. João V no século XVIII e que constitui a mais grandiosa obra do barroco português, sendo que ficou mundialmente conhecido pela obra literária de José Saramago, “O Memorial do Convento”.
Atenção redobrada
Uma constante nesta região foram as estradas molhadas o que levou a que os ciclistas tivessem de manter uma atenção redobrada com vista a evitar quedas e colocar a sua integridade física e dos seus pares em risco.

Passado a vila de Mafra, seguiu-se em direção a Monte Novo, Santo Isidoro, Ribeira de Ilhas com ascensão a Ericeira sendo que a passagem nesta vila piscatória e muito conhecida pelas suas bonitas praias e um dos locais do mundo mais propícios ao Surf foi feita pelo pavê das artérias interiores da vila o que impôs uma dificuldade e dureza extrema ao percurso e que apanhou de surpresa muitos dos atletas.

Passada esta dificuldade e estando o percurso a meio, seguiu-se em direção à Foz do Lizandro, Azenhas do Mar, Colares, subida da serra de Sintra em direção ao Cabo da Roca e sendo que na Malveira da Serra seguiu-se em direção ao Estoril e pela bela Marginal rumo à meta em Belém com a nuance de esta última estar unicamente ao dispor dos ciclistas o que deu uma segurança excecional.
Nunca é demais salientar a excelente prestação das Forças de Segurança durante todo o percurso, sendo que em momento algum se pode apontar que a organização tenha colocado em causa a segurança dos participantes…um exemplo a seguir aquando da planificação de eventos desta natureza.

Nuno Manso um vencedor isolado
Ao fim de 4 horas e 16 minutos, Nuno Manso cortou, isolado, a linha de meta instalada junto ao Jardim da Praça do Império. O corredor da equipa Viveiros Vitor Lourenço/Sintra Clube de Ciclismo concluiu os 143 quilómetros com uma média de 33,72 km/hora e, no final, desvendava o segredo da vitória: “Vim fazer o reconhecimento esta semana e apercebi-me que era um percurso bastante durinho.
Era preciso que a equipa imprimisse um ritmo forte bem cedo e por isso demos a primeira “sapatada” logo no início da subida para Montachique.
Depois comecei a ganhar vantagem e foi gerir as forças até ao final.”
Nuno Manso conseguiu pôr em prática o plano da equipa, mas não esquece os restantes participantes na prova: “Viemos para o Gran Fondo de Lisboa com o objetivo de ganhar, ficámos satisfeitos com o triunfo, mas também é muito bom ver tanta gente a participar neste tipo de eventos”, concluiu o corredor de 39 anos.
Completando o pódio estiveram João Moreira da equipa Love Tiles e Carlos Gomes igualmente dos Viveiros Vítor Lourenço.

Inês Amaro vence em femininos
Inês Amaro sagrava-se vencedora no escalão feminino. “Não estava à espera!”, desabafou ao fim de 4 horas e 50 minutos a pedalar, “eu tinha como objetivo finalizar a prova, aproveitar a paisagem e estar com os colegas.
Gostei muito do percurso, estava tudo muito bem sinalizado e acho que é um evento muito bom para Lisboa.”
Inês Amaro começou apenas há um ano a participar em Gran Fondo e desafia todos a experimentarem: “O importante é terminar e não há impossíveis!
É treinar, ser todos os dias um pouco melhor, fazer provas e conviver”, concluiu a corredora de 36 anos.
Raquel Rocha da equipa Cnatril Triatlo e Rad Monika obtiveram respectivamente o 2º e 3º lugar.

OPraticante.pt / Biemme Ibérica marcou presença
Ricardo Saraiva de Biemme Ibérica / Opraticante.pt participou no evento tendo terminado a prova no 82º lugar da Geral e 28º lugar no Escalão Master A.

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Texto: Ricardo Miguel
Fotos: Gran Fondo Lisboa 2018