GTL 2017: a 25 de novembro, esperamos por ti lá em cima
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Aproxima-se a 4ª edição do gtl, em ano com novos percursos e novas distâncias.
Queres conhecer melhor o que é o gtl?
Um dos elementos da organização partilhou connosco a sua experiência:
“Chegaste cedo à linha de partida.
Pelo caminho, pensaste no gel que ficou esquecido algures, se terás frio, se o baixo mondego será mesmo baixo – parece ser muito plano.
Na linha de partida, poderás entender aos poucos que isto do gtl é uma coisa um pouco mal esclarecida.
No ano passado, novecentas pessoas comeram laranjas, alperce seco, e bifanas.
Em quatro freguesias. Percorreram quilómetros ossudos, pedras e montes esculpidos com mãos e dever de ofício.

Todos chegaram. E riram. Olhas à tua volta. Uma pá de gente veio.
Riem, falam muito. É o fogo próprio dos inícios.
O fogo próprio daqueles que sabem que vão partir.
As mãos apontam o longe, adivinhando caminho próximo no monte que se avista.
Partiste. Tens frio.
Queres ver os trilhos, entender o tanto no pescoço da primeira hora.
Acender depois a alegria no mármore azul das veias.
Cheira ainda a old spice no trilho do pescador.

A noite correu bem a alguém que agora dorme.
Em alfarelos, uma senhora diz-te adeus.
É a ti delfina que te veio ver.
Veio dizer-te adeus com a mão, aquele adeus leve, passante de além-fronteiras.
Chegaste ao alto do senhor da costa.
Não tens frio.
As tuas mãos parecem sorrir, ter coisas para dizer.
Segues, segues, segues.
Levas a língua a baloiço, as mãos as pernas marinhando a sorte turva.
O verde ao longe no paul, na ribeira, o monte mítico de hollywood, anguloso, lembra-te qualquer coisa que conheceste um dia.

Lá no alto, percebes o que trazias esquecido: o sossego, o silêncio, o silêncio.
Inspiras. Gastas os olhos no monte, no verde.
Segues, segues, segues.
Corres, andas, cais, esfolas os joelhos.
Levantas-te, voltas a correr.
O ti armindo pergunta porque corre aquela gente toda.
Alguém responde, com uma lucidez vinda de outro tempo: – correm, porque sabem que um dia vão morrer.
No caminho das lavadeiras, o céu acende-se um pouco.
São seis, sete, oito (dez?), as vezes que pensas que haverá, talvez, sonhos escondidos naquela terra.
Levas já contigo duas mãos cheias de dedos, o pensamento solto de várias telhas.

Levas já contigo, no teu altar aceso, o pantanal, o alto de hollywood, o trilho das cabras, da formiga, do javali, a curva viva do mondego.
Alguém diz que está quase.
Sabes bem o que isso significa: ainda falta, ainda falta, ainda falta.
Uma promessa de finos, de abraços, de banho quente, alivia, por momentos, as tropas que trazes já perdidas no deserto.
Acreditas. Resistes. Vês ao longe a linha de chegada.
Vês pessoas. A rir, a falar, a aplaudir-te.

Chegas.
Chegaste.
Estás vivo.
Há em ti um sol (uma alegria), um sunshine na cabeça.
Isto é o gtl.
Esperamos por ti a 25 de novembro.”
Visualize aqui o artigo sobre a edição de 2016.
Site do Evento.
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Autor : João Vasco Coelho
Fotos: Love Me Tender Photography / Fotos do Zé / FlyZoom