Privacy Policy Page
Privacy Policy Page
Coluna Dto
Coluna Dto
Coluna Dto
Coluna Esq
Coluna Esq

Impossível, imortalizar o nome na rocha de xisto

Arouca recebeu as “As voltas do impossível“, primeira prova de trail aventura a realizar-se em território nacional, com um “argumento” criado pelo Grão Mestre da Confraria Trotamontes, José Moutinho.

Todos os atletas regressaram ao ano de 1942, no qual, para o esforço da Grande Guerra, nestes montes e vales da Serra, se fazia a Exploração do Volfrâmio, metal imprescindível na corrida às armas.

Uma história de homenagem aos milhares de pessoas que, naquela altura, lutaram para mudar a sua vida e traçar o seu destino.

A corneta, tocada pelo pai do Trail Running português, marcou o compasso de espera de, exatamente, 1 hora até ao início da prova, e às 7h30 da manhã avistou-se a luz da lanterna que deu início à prova.

impossível

Os “Pilhas” da “As voltas do impossível”

Os aventureiros, já alinhados e a cumprir o distanciamento social necessário, partiram às voltas em busca do seu destino.

A presença da Sra. Presidente da Câmara de Arouca, Margarida Belém, fez-se também notar na linha de partida.

Uma prova que passou por vários locais do concelho de Arouca, contornando a aldeia de Cando, Tebilhão, e Cabreiros, passando ainda por o Alto das Chãs, descendo a Candal, estas ultimas duas localidades pertencendo a Concelho de São Pedro do Sul e terminando, por fim, no túnel mineiro de Rio de Frades.

O dia previa-se cinzento, mas as hipóteses de finalizar as 5 voltas estavam em cima da mesa para todos os “Pilhas” desta aventura.

Mário Elson e Pedro Marques foram os primeiros atletas a chegar ao túnel da aldeia onde se inicia a prova, e terminaram, assim, a 1ª volta, com o tempo recorde de 2:59.

Seguiu-se o atleta arouquense, Sérgio Vieira, 10 minutos depois.

A 1ª volta trouxe aos atletas contratempos inesperados, alguns saíram do caminho principal, e outros não avistaram as caixas com as guias de transporte, sendo a última caixa a mais difícil de encontrar.

Guilherme Lourenço e Alice Lopes, a primeira mulher a terminar a primeira volta com o tempo de 3h40, foram dois dos nomes que andaram uns quilómetros para trás em busca da última guia.

Alice Lopes

“prova que me desafiou a muito níveis” Alice Lopes

Alice Lopes declarou à nossa equipa de reportagem: ““As voltas do impossível” a prova que me desafiou a muito níveis.

ORIENTAÇÃO, tecnicidade dos trilhos, o tempo por volta e outros muitos factores que conhecendo o Moutinho sabia que ele iria dificultar ao máximo a tarefa dos atletas.

E assim foi. Ele foi cirúrgico nos trilhos, difíceis, maravilhosos, técnicos quanto baste e até colocou uns escassos metros de estrada para nos mimar e nos deixar esticar as pernas.🤔

Foi a prova que, a quem teve oportunidade de a fazer, nos levou às origens.

Falo por mim, trabalho de equipa, entreajuda, amizade e muito muito mais.

Se me derem a oportunidade no próximo ano, irei lá para completar as 5 voltas e escrever o meu nome naquela imponente lápide.😁”

A terceira volta foi completada somente por 8 corajosos, sendo possível no final avistar Guilherme Lourenço e Mário Elson a disputar a chegada ao túnel.

Guilherme Lourenço

“Senti que tudo fez sentido e tudo valeu a pena” Mário Elson

O Impossível consegue transmitir o receio e a inquietude ao mesmo tempo que a vontade e a curiosidade.

E foi com este espírito que me apresentei na partida da 1a edição das Voltas do Impossível.

Sabia que iria ser muito difícil concluir o desafio, apesar de muita gente achar que eu seria um forte candidato a concluir.

Ao ouvir o “Taps” ao som da corneta Bagle (toque fúnebre) passou-me pela cabeça toda esta fantástica experiência e realmente senti que tudo fez sentido e tudo valeu a pena.

A 4ª volta ficou por explorar por todos os “Pilhas” envolvidos.

A música do silêncio “Taps” foi tocada para todos os atletas, num momento de respeito a esta 1ª edição de trail aventura na montanha.

O espírito, entre todos os 35 atletas, foi de grande companheirismo e, até ao fim, acreditaram que seria possível verem o seu nome gravado na rocha de xisto.

E fica para a história as declarações de mais alguns intervenientes:

Mário Elson

“Voltas do Impossível” “Uma experiência única”

Augusto Oliveira referiu:

As “Voltas do Impossível” uma experiência única, que foi capaz de me surpreender.

Já estive em provas com frio e calor extremo, já corri aos 4 000 m de altitude, e sempre cumpri o objetivo o de chegar ao fim.

Mas as Voltas do Impossível é uma prova onde temos que ir muito mais além do que pensamos que sejam os nossos limites.

Um percurso de 21 km e alguns metros desarmam e chamam à realidade qualquer atleta que pense que o percurso (tamanho de uma meia maratona) será feito a bom ritmo.

É um percurso muito técnico, de uma dureza atroz, onde um acumulado positivo de cerca de 1 700 m se tornam impiedosos e massacrantes.

Para o ano quero repetir e tentar conseguir passar a terceira volta.

A pedra onde vão constar os nomes dos finalistas parece que vai continuar em branco por muito tempo.

Augusto Oliveira

“A prova mais louca”

Vedor Isabel outra das três senhoras que participaram, declarou-nos:

As voltas do impossível fui a prova mais louca que eu já arrisquei até hoje, temos muitas emoções no cimo da montanha.

A melhor que eu tive fui sair dentro do túnel e me sentar dentro duma cascata que tinha a saída refrescar as pernas.

Não sei descrever o que senti nestas duas voltas do impossível muitas emoções que nós temos.

impossível
Isabel Vedor

“Ou se gosta ou se detesta!” das “Voltas do Impossível”

Não se trata de uma simples prova de Trail, não há medalhas, classificações, escalões, fitas ou abastecimentos.

Existe sim, uma paixão pela montanha no seu sentido mais puro e duro.

Somos só nós naquela imensidão da Freita, queremos fazer parte dela sentir o que de mais bonito ela tem para nos dar.

Desde que a luz da lanterna se acendeu até ouvir a melodia “Taps”, eu vivi aquelas 8 horas para a montanha.

Queria fazer parte dela, e sentir toda a sua beleza e história em cada trilho, em cada caminho, em cada cascata.

Aldeias simples de pessoas simples, onde o “bom dia” e o sorriso franco e sincero está sempre presente, num cumprimento que nos carrega de uma energia extra.

Ninguém fica indiferente às “As voltas do impossível” ou se gosta ou se detesta!” palavras de Tiago Salgueiro

impossível
Tiago Salgueiro

A organização recebeu elogios ao superar as expectativas de todos os participantes do evento.

Inspirado nas maratonas de Berkeley, este evento teve como objetivo:

Ser um agente de mudança no panorama nacional da modalidade.

Dar a conhecer uma região com história, na qual os antigos percorreram caminhos difíceis de atravessar, representando as adversidades da vida, aquando da 1ª Guerra Mundial.

impossível
A Pedra de Xisto que nesta edição não imortalizou nenhum nome

Ficou prometida uma nova edição para maio de 2021.

Dando aos atletas uma oportunidade de se começarem já a preparar e, quem sabe, finalmente encontrarem aquilo que tanto procuram.

Texto: Cream / Henrique Dias – OPraticante.pt
Fotos: Frítz Photography

Sobre o Autor

Artigos relacionados

Deixe uma Resposta