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João Oliveira recordista da Ultra Maratona

A Portugal 281 Ultramarathon é inspirada na prova da ultra maratona estadunidense Badwater e na brasileira BR135+. Tal como o nome da prova indica, são mais de 281 km de trilhos pedestres na Beira Baixa.

Portugal Ultramarathon

João Oliveira transformou o seu dia-a-dia numa corrida, numa ultra maratona

OPraticante.pt entrevistou João Oliveira, um dos participantes. O seu gosto pela corrida já vem desde os tempos de escola. Em que nunca se destacou noutras modalidades, como o futebol e o basquetebol, e pedia sempre ao professor de educação física se em vez de praticar esses desportos, podia correr em volta do campo, fazer flexões, abdominais e barras.

Transformou o seu dia-a-dia numa corrida. A sua casa ficava a cerca de 6 km da escola e costumava correr até à escola e à vinda para casa também, em que tentava sempre bater o tempo recorde.

Quando foi voluntário para as operações Especiais, logo na vida militar, pediram-lhe para integrar a equipa de Corta-Mato.

Juntou-se a grupos de corredores civis ao final do dia, que o lançaram nas meias-maratonas, e já posteriormente, quando estudava na faculdade do Porto, juntou-se a outros grupos de corredores que corriam no parque da cidade e na marginal do Porto. Onde conheceu os ultramaratonistas, Fernando Santos, António Oliveira, Ângelo, que o lançaram na ultra maratona.

João Oliveira

O Praticante – Conte-nos um pouco da sua história no mundo do desporto.

João Oliveira – Meu percurso incidiu sobretudo nas ultras. Iniciei nas meias maratonas aos 23 anos, com duas meias maratonas e fiz a minha primeira maratona, com 3 maratonas fiz a minha primeira ultra maratona de 3 dígitos, os 101 km de Ronda. Em dois anos fiz 4 ultras duas de 100 km de Santander, e duas de 101 km de Ronda.

No ano seguinte estava em Atenas, a competir a Spartathlon de 246 km. Posteriormente vieram outras edições, e em outras provas novas a minha presença foi marcada. Em 2014 estriei-me numa ultra maratona de 300 km, a Transomania, em pleno deserto de Omã. Sendo a Maior distancia até hoje, os 900 km da transpirynea, em 2016.

Sou detentor dos recordes de prova dos 300 km de Transomania, 24h de Portugal, PT281+, do ALUT (300 km), 160 km de Marilia – Brasil, Milano-Sanremo, 285 km. Sou detentor de vários títulos de vencedor de provas de 3 dígitos. Os que me lançaram na ultra maratona, ainda hoje dizem, que nunca sonhavam que meu progresso fosse assim rápido e desta maneira.

João Oliveira

‘Um ultra é um corredor que faz uma prova de 100 km e acima disso’

Recordo ainda das palavras de um treino que fiz no porto com o Sr. Fernando Santos, de 35 km, que no final passados uns 3 minutos enquanto falávamos durante os alongamentos, ele me disse ‘fizemos um bom treino com média de 4 minutos e 15 segundos ao km e já estas a falar bem, davas um bom ultra, recuperas muito depressa’ eu na minha inocência o questionei o que era um ultra, e ele disse ‘um ultra é um corredor que faz uma prova de 100 km e acima disso’.

Eu não tombei para o lado de tanto rir por vergonha, que só me ria, pensando que estava a gozar comigo. Recordo ter respondido, que não existem corredores desses nem provas de tantos km. E foi nesse momento que ele me convidou para a minha primeira ultra maratona de 3 dígitos, 101 km de ronda. Desde então nunca mais parei.

João Oliveira
João Oliveira a chegar à meta

O Praticante – Como iniciou esta atividade?

João Oliveira – Iniciei a actividade de atletismo, porque não sabia jogar outras actividades desportivas. Futebol, me colocavam á baliza e era autêntico desastre. No basquetebol, la dava uns arranhões para conseguir nota na avaliação. A única coisa que me atraia no desporto desde novo era a ginástica e o atletismo.

Sempre senti um espirito de liberdade, um bem-estar comigo próprio enquanto corria. Meus pensamentos vagueiam sozinhos, que eu nem sei na realidade o que realmente estou a pensar. Só me dou conta, que as horas passam enquanto corro.

 

O Praticante – Foi a primeira vez que participou num evento desta natureza?

João Oliveira – PT281+, é uma em dezenas de ultras que já fiz. Actualmente conto acima de 67 ultras maratonas.

O Praticante – O que o levou a participar?

João Oliveira – Quando fiz a PT281+ em 2015, sendo o record da prova até 2018, referi que me tinha corrido mal, e que conseguiria fazer em menos tempo. Voltei somente em 2017, mas o percurso já era outro e com muito mais desnível positivo, fazendo mais tempo que em 2015.

Foto: joaopedrojesus.com

Mesmo assim prometi baixar o tempo. Regressei este ano, 2018, mais uma vez não correu bem entre Oleiros e Sarzedas. Apesar de ter baixado em horas o recorde da prova, poderei dizer que ainda consigo baixar mais esse tempo.

É esse um dos meus objectivos nesta prova, e levar o atletismo flaviense aos mais variados pontos de Portugal, tentando conseguir atrair com o meu desempenho outros atletas a essas regiões.

“Um diamante no coração de Portugal”

 

O Praticante – Correu como esperava? Qual o resultado que obteve?

João Oliveira – Inicialmente estava a correr bem. Mas entre Oleiros e Sarzedas (km 220 ao km 258) as coisas não correram bem. Mal saí do ponto de Oleiros, km 220, corri cerca de 5 km e vomitei toda a comida. Tentei comer umas broas de mel que levei de Chaves, única coisa que tinha, mas o cheiro da comida me dava enjoo. Parei cerca de 15 minutos a beber cola, e depois tentei comer uma das broas, mas vomitei a cola que tinha bebido.

Decidi continuar de barriga vazia e tentar chegar ao km 258. Com o desnível positivo que tinha ainda por diante e os restantes 33 km ate ao último ponto de abastecimento da prova, minhas reservas de energia se esgotaram ao limite, e os últimos 4 km vagueava mais do que corria.

‘Tens comida, tens comida, perguntei ?’

Minha corrida era lenta e desordenada. Isto dito pelo atleta Bruno Bondoso, que era um atleta que estava a fazer equipa com mais 3 e que me apanhou. Me perguntou se estava tudo bem e eu simplesmente disse tens comida, tens comida. Ele me respondeu tenho aqui uma barra e um gel. Eu lhe pedi a barra, e mal a comi, (mas sempre a trotar) senti de imediato um formigar por cima dos olhos e na testa. Era o açúcar a subir e a ser absorvido.

Equipa Quadra Mista (Bruno Bondoso, Ivo Roque, Ana Peixinho, Sónia Cerro) – ATR – Algarve Trail Runnin

Comecei de novo a sentir força nas pernas e bem depressa ambos chegamos ao último ponto de abastecimento, Sarzedas, km 258. A sua parceira de equipa a Ana arrancou de imediato, Bruno me pediu se queria que ela me acompanha-se, podendo fazer a ultima etapa juntos, eu disse que fosse na frente, que ainda a poderia apanhar, são apenas 24 km.

Parei no ponto cerca de 12 minutos, comi bem o suficiente e de imediato me coloquei ao caminho, fazendo o percurso sempre a correr e só consegui apanhar atleta da equipa do bruno a 8 km da meta. Tentei que ela me acompanha-se, mas a Ana, foi honesta e eticamente desportista e disse para eu continuar, porque tinha um recorde de prova a bater. Na meta, estava eu lá a espera da Ana e de todo o resto da equipa mista. Uma excelente equipa que me ajudaram várias vezes ao longo da prova.

O Praticante – Pretende participar numa próxima edição?

João Oliveira – Meu objectivo é de eu fazer a prova em menos tempo possível, e chegar ao fim e sentir que dei tudo, tudo o que tinha de mim, porque a prova correu bem sem falhas. Até lá, minha presença será sempre notada.

O Praticante – Descreva o que foi para si ter participado no – Portugal 281 Ultramarathon.

João Oliveira – Portugal 281 Ultramarathon, é uma prova única, pela sua dureza e ao mesmo tempo de tamanha beleza de paisagens e de um povo bastante acolhedor, por onde passa. Nos dão água, comida, refrigerantes, nos felicitam á nossa passagem.

Uma medalha que pesa! Não apenas pelo volume próprio, mas por toda a simbologia dada por cada participante, por todo o obstáculo superado, que no final concede o poder de a carregar ao pescoço.

Gestos que nem as palavras conseguem descrever, a bondade e o orgulho dessas pessoas que não fazem parte da organização e querem estar presentes e poderem ajudar os atletas a seguir o seu objectivo. São anjos caídos do céu, quando essas pessoas nos aparecem, nos fortalecem e nos encorajam. Poderei resumir a Portugal 281 Ultramarathon, como um diamante no coração de Portugal.

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Texto: Daniela Rebouta
Fotos: Agnelo Quelhas / Portugal 281 Ultramarathon

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