Correr entre o mar e a floresta na MM de Cortegaça

MM de Cortegaça

Foto: Luís Castelão

Prossegue o mês de Maio e este é por norma um mês relativamente calmo no calendário de atletismo fazendo a transição para um agitado mês de Junho que promete grandes provas.

Os grandes destaques deste mês na zona norte do país para além da sempre concorrida corrida da mulher, são várias meias maratonas. O Opraticante.pt esteve este fim-de-semana em Cortegaça para uma das meias maratonas mais antigas do país.

Foto: Luís Castelão

MM de Cortegaça

A MM de Cortegaça que neste ano de 2018 celebrou a sua 34ª edição aconteceu este Domingo (13) e foi uma organização dos “Os Falta d’Ar” em conjunto com a Lap2Go. A completar o evento para além do percurso que dá nome à prova aconteceu uma estafeta (2x 10,5km) e ainda uma caminhada na extensão de oito quilómetros.

Percurso por entre o mar e a floresta mas assolado por muito calor

A MM de Cortegaça apresenta um percurso certificado pela Federação Portuguesa de Atletismo e teve partida e chegada na praia de Cortegaça.

Foto: Dinis Gonçalves

O percurso desta prova e que dava cognome ao evento era correr entre o mar e a floresta pois este ligava as praias de Cortegaça e do Furadouro numa via por entre a floresta característica dessa zona.

O percurso desta meia maratona era quase todo ele na sua totalidade plano havendo alguns segmentos que apresentavam ligeiras subidas que eram disfarçadas pela grande extensão da estrada.

O percurso após a partida seguia pela rua da praia, virando depois para a rua da floresta e avenida da nato até à rotunda junto da praia do Furadouro onde aí se fazia o retorno para depois se fazer o percurso inverso.

Na minha opinião, o percurso de regresso à meta não tinha uma componente de subida tão forte como o segmento de ida.

A prova ficou marcada pelo forte calor. Apesar de o percurso ter uma grande componente de floresta que proporcionava algumas zonas de sombra, a temperatura estava bem elevada e na parte do percurso entre o km 8 e 12 o sol não deu tréguas e castigou bem os atletas. O ponto onde se fazia o retorno e onde se fazia a transição na estafeta estava com sol muito forte o que certamente não agradou a muitos atletas.

Vencedores

Paulo Gomes – Foto: Máquinas do Asfalto

Paulo Gomes vence competição masculina

O grande vencedor da 34ª MM de Cortegaça foi Paulo Gomes do GDC de Guilhovai com um tempo final de 01:08:27. Na segunda posição ficou José Sousa do União Clube Eirense (1:08:40) e na terceira posição Vítor Santos do Fiães SC (1:09:55).

Carla Martinho vence competição feminina

Na vertente feminina da prova, o destaque vai para a dobradinha do Recreio Desportivo de Águeda que colocou duas atletas nas duas primeiras posições do pódio.

A grande vencedora foi Carla Martinho com um tempo final de 01:14:58. A atleta depois de no ano passado ter ficado na segunda posição da prova, este ano sobe ao lugar cimeiro do pódio. Na segunda posição e destacada da vencedora ficou Cristiana Valente com 01:17:43. A fechar o pódio ficou Marisa Barros do Sport Comércio e Salgueiros com 01:18:24.

Carla Matinho – Foto: Máquinas do Asfalto

Vencedores por escalão

A meia maratona teve vencedores por escalão e estes foram os seguintes:

Na vertente masculina triunfaram Paulo Gomes do GDC de Guilhovai (Seniores), Vítor Santos do Fiães SC (Vet40), Gil Ferreira do Recreio Desportivo de Águeda (Vet45), João Cavadas (Vet50) e Pedro Terra dos Serviços Sociais do Pessoal de São João da Madeira (Vet60).

Na vertente feminina triunfaram Carla Martinho do Recreio Desportivo de Águeda (Seniores), Madalena Silva dos Amigos da Corrida (Vet40) e Matilde Baptista da Juventude Atlética Mozelense (Vet50)

Foto: Página do facebook da Meia Maratona de Cortegaça

ACD São João da Serra vence competição em estafeta

A equipa do ACD São João da Serra foi a grande vencedora da competição por estafetas que estava integrada na prova. A equipa composta por Sérgio Rodrigues e Ricardo Silva terminou a prova com um tempo final de 01:10:37. A completar o pódio ficou a equipa do União Clube Eirense (Telmo Nascimento e Fábio Abrantes) com 01:12:30 e a equipa do Águias de Alvelos (Bruno Silva e Henrique Pires) com 01:13:02.

Opraticante.pt representado na competição por estafetas

O Opraticante.pt esteve presente na prova de estafeta e foi representado por Susana Rodrigues e Patrícia Silva que alcançaram o tempo final de 01:52:20 para atingirem a 59ª posição da geral.

Foto: Dinis Gonçalves

Prova clássica do atletismo português com um grande ambiente

A MM de Cortegaça é uma prova clássica do atletismo português. É uma das meias maratonas que toda a gente quer participar. O facto de ser a sua 34ª edição fala por si.

Chegados cedo a Cortegaça foi com naturalidade que se assistiu a um encher da zona de partida com centenas de atletas mas com a veterania a ser palavra de ordem nos presentes.

O levantamento do dorsal aconteceu na sede dos “Os Falta d’Ar” e decorreu sem filas nem esperas. Também levantamos o dorsal cedo, mas acredito que na hora mais próxima do fecho do secretariado a fila fosse maior. Aos atletas para além do dorsal com chip era entre um saco alusivo à prova e respectiva t-shirt técnica em tons pretos e com o slogan da prova estampado.

No final da prova era entregue para além da medalha finisher, águas, um bolo queque, maçã e copos de sumo.

Na zona junto à partida havia todas as valências para os atletas. Casas de banho espalhadas ao longo do recinto, guarda-roupa disponível para se guardar a mochila, balneários para após a prova. Nesta questão, não há nenhum problema registar.

Antes da prova, as pessoas que desejassem fazer o aquecimento com a ajuda de um instrutor poderiam fazer isso com um disponibilizado pela organização no pódio.

Para além disso, desde cedo, o speaker da prova começou a animar as hostes e esteve também muito bem no final da prova a enunciar os nomes de quem terminava a prova.

Ou seja em termos de organização pré-prova, quase nenhum ponto negativo se pode apontar. Talvez apenas o facto de não haver uma caixa de partida separada por boxes de tempo dada a grande afluência da prova.

Foto: Luís Castelão

Prova decorrida sob forte calor mas com excelente atmosfera humana

Saindo cedo de casa, a chuva caía certinha e o panorama seria de uma prova que decorreria sob céu nublado e com períodos de chuva. Puro engano! Antes uma hora da prova, o céu abriu em força e aquele nublado desapareceu para dar lugar a um sol forte e que prometia fazer das suas.

Dado o tiro de partida, foi bonito ver a avenida da praia a ser inundada pelos atletas e nas laterais as gentes locais a apoiarem os atletas.

Na viragem da primeira rotunda estava um grupo numeroso de pessoas que por lá ficaram até ao término da prova a apoiarem os atletas. Se na ida aplaudiam, na vinda incentivavam. O meu bem-haja a eles.

Entretanto nas avenidas por entre a floresta, reinava o silêncio e os pássaros a cantar, sendo somente interrompidos pelos gritos de apoio dos corredores que ao lado no passadiço em madeira treinavam fora da prova.

O percurso estava todo ele isolado e controlado nos cruzamentos por forças de autoridade e todos os quilómetros da prova estavam indicados por placas informativas.

A prova teve abastecimento de águas a cada cinco quilómetros e com águas em boa temperatura. Para além disso, havia ainda esponjas molhadas para os atletas se refrescarem. Por ser uma meia maratona e dado o preço que se pagou talvez se requeresse um outro tipo de abastecimento nos pontos intermédios da prova.

Foto: Máquinas do Asfalto

Problemas de transporte aborreceram atletas da estafeta

A MM de Cortegaça apresentou alguns problemas de logística durante a prova.

No inicio da prova, o speaker anunciava que os participantes da caminhada não podiam deitar no chão qualquer lixo para não sujar a floresta. Durante o percurso da meia maratona, em nenhum ponto de abastecimento havia pontos de recolha de garrafas e esponjas.

Quero acreditar que no final da prova tudo ficou limpo e a zona florestal nas imediações dos abastecimentos foi vasculhada dado a grande quantidade de lixo que estava na estrada.

Foto: Máquinas do Asfalto

O principal ponto negativo da prova foi os problemas de transporte dos atletas da estafeta. Se na ida para o ponto intermédio não houve problemas, a vinda para a meta já foi muito diferente.

Meia Maratona de Cortegaça, uma prova que se estabeleceu no atletismo nacional

A MM de Cortegaça é uma prova clássica no atletismo nacional. Ao longo das mais de trinta edições, a prova foi conquistando a sua base de atletas e desde à alguns anos tem atingido a marca de milhar nos participantes da prova. Este ano não foi excepção com a prova a ter 1058 finalizadores, sendo este o terceiro melhor número que a prova teve na sua história.

Para além disso, mais atletas participaram na competição por estafetas e na caminhada. A competição por estafetas é algo bem pensado para trazer mais atletas ao evento e um sinal que a organização sabe pensar com olhos no futuro e quer evoluir.

Foto: Máquinas do Asfalto

Algo que há a destacar nesta prova é a excelente grelha de prémios para os vencedores e para os vencedores por escalões. É uma grelha de prémios a condizer com a história da prova e um bom incentivo a que atletas de nível estejam na prova.

Para os atletas de pelotão que estão arredados destas conquistas, a prova tem para oferecer a sua simpatia e um percurso que decorre numa paisagem belíssima com mar e floresta e totalmente diferente das meia maratonas atuais que decorrem por entre prédios e ruas.

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Texto: Nuno Fernandes
Fotos: Dinis Gonçalves / Luís Castelão / Máquinas do Asfalto / Meia Maratona de Cortegaça

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