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Mariana Lopes, Mónica Soares campeonato terminado

Mariana Lopes e Mónica Soares, atualmente a jogar na Alemanha, optaram por regressar para junto da família em Portugal, para enfrentar em casa a pandemia que se vive por causa do COVID-19.

Mariana Lopes, que representa o Thuringer HC e Mónica Soares, jogadora do Füchse Berlim, contam como foram os primeiros tempos na Alemanha quando começaram a surgir os primeiros casos do vírus COVID-19.

Mariana Lopes e Mónica Soares

Mariana Lopes e Mónica Soares optaram por regressar para Portugal

Mónica Soares conta que “durante o tempo que estive em Berlim, apesar do exponencial aumento de casos, sempre me senti em segurança, mesmo no meu normal dia-a-dia. Senti que a cidade nunca abrandou, sempre com o tráfego normal e os transportes públicos sempre cheios”.

Mas assim que senti que a situação estava a agravar, decidi voltar para Portugal, em que o número de casos era muito reduzido. Fez-me um pouco de confusão passar por três aeroportos e nenhum deles fazer qualquer tipo de controlo”, constata.

Agora estou em casa, numa aldeia perto de Águeda, onde estou bem mais descansada pois é uma aldeia muito pequena, onde consigo fazer a minha vida minimamente normal, e posso sair de casa para correr sem estar em contacto com outras pessoas”.

Lembro-me de haver os primeiros casos na China em Dezembro e uma amiga da minha equipa comentou já com preocupação e eu descartei completamente.Os números eram menos preocupantes que uma gripe normal. No entanto, estes foram aumentando e chegou à Europa mas em Erfurt, onde vivo, não se sentiu diferença no dia-a-dia”, referiu, também, Mariana Lopes.

Voltei para Portugal na terça feira da semana passada e o infantário da minha rua ainda estava cheio de crianças, no parque ainda havia grupos a fazer churrascos e jogar futebol. Sinto que as pessoas estão tão confiantes na eficiência do sistema de saúde que não estavam a tomar medidas, de todo”, relata.

Treinos e jogos suspensos desde meio de março

As duas atletas internacionais viram os treinos e jogos suspensos desde meio de março, por decisão dos respetivos clubes e da federação alemã.

A 13 de Março teria jogo, mas na quinta-feira anterior ao dia de jogo foi-nos comunicado, por parte da direção do clube, que a época para já seria suspensa e que teríamos de esperar para ver como evoluiria toda esta situação”, relatou Mónica Soares.

Na sexta feira, dia 13, era suposto termos um dos jogos mais importantes do campeonato. Ambos os clubes tentaram fazer todos os possíveis para que não se cancelasse. No dia anterior tivemos treino e ficou decidido que o jogo seria à porta fechada, mas iria realizar-se”.

Na sexta-feira de manhã recebemos a informação que a federação alemã tinha suspendido todos os jogos até abril. Tivemos treino na sexta todas juntas e combinamos treinar na segunda-feira”.

Durante o fim-de-semana começou a ouvir-se mais sobre o aumento do números de casos na Alemanha e no meu distrito, todos os recintos desportivos fecharam e as atletas foram aconselhadas a treinar em casa”, testemunhou Mariana Lopes, que começou logo a pensar no regresso a Portugal.

Mariana Lopes
Mariana Lopes

Mariana Lopes “As fronteiras fecharam e começaram a falar em fechar os aeroportos”

As fronteiras fecharam e começaram a falar em fechar os aeroportos, então falei com o meu clube e vim no primeiro voo de terça-feira. Entretanto esta semana a federação alemã já anunciou o cancelamento do campeonato mas ainda esperamos a decisão sobre a Final da taça que se ia realizar em maio”, revela a própria.

Ainda sem saber a data de regresso à Alemanha, as duas atletas seguem um plano de treinos em casa. “O clube disponibilizou às atletas planos de treino e temos mantido contato para acompanhar toda esta situação”, atesta a jogadora do Füchse Berlim.

Também o Thuringer HC “permite que cada jogadora, mesmo durante o decorrer da época, siga o plano de ginásio das suas seleções ou dos seus treinadores pessoais, portanto tenho mantido o mesmo tipo de treino que fazia anteriormente, só acrescentando algumas componentes de cardio e de andebol para tentar compensar”, descreve Mariana Lopes.

Com o país em Estado de Emergência, as jogadoras cumprem as recomendações das autoridades e permanecem em casa, o que faz com que as rotinas diárias sejam forçosamente diferentes do habitual.

Praticar outras atividades para não perder o ritmo

Mónica Soares confessa: “Tem sido um pouco estranho, completamente diferente do que estou habituada, visto que nesta altura estaria a competir e numa fase importante”.

Tenho aproveitado para fazer outras atividades para não perder o ritmo e tentar distrair a cabeça. Por vezes não é fácil manter sempre o foco a e a motivação, estando sempre em casa, por isso tento arranjar outras soluções para me distrair”.

Mariana Lopes aproveita o tempo de quarentena da melhor forma possível: “Tenho a sorte de ter um cão, o que me permite sair pelo menos três vezes por dia. Confesso que aproveito para dar uma volta um pouco maior para aproveitar o ar fresco, sempre por zonas não tão populadas e com as precauções necessárias”.

Treino todos os dias com o meu marido e personalidade trainer, Gonçalo Miranda, que me ajuda a treinar em segurança e com a qualidade e intensidade sempre alta. Gosto muito de cozinhar e fazer bolos e pães por isso tenho aproveitado para experimentar coisas novas”.

Ainda não pude passar tempo com a minha família porque me encontro em quarentena, mas em breve espero conseguir voltar aos jantares de família e comida da mãe que já sinto falta”, garante.

Mónica Soares “É imperativo não sair de casa”

Em casa, encontram-se formas de matar saudades de familiares e amigos: “Sobretudo através de videochamadas e mensagens. Estou com os meus pais todos os dias, mas com o resto da família tem de ser por chamada porque como todos nós sabemos, é imperativo não sair de casa”, adverte Mónica Soares.

Mariana Lopes tem o marido e o irmão como companhia do dia a dia: “Ainda estou no período de quarentena, porque voltei na semana passada e passei no aeroporto de Frankfurt que tem sempre um grande foco de gente”.

Sinceramente ainda não estive com ninguém exceto o meu marido e o meu irmão, que também está de quarentena. O máximo de contato que tive com amigos e familiares foi por videochamadas ou de varandas para a rua”, relata.

Com o campeonato dado por terminado, numa decisão da federação alemã, Mónica Soares e Mariana Lopes aguardam para saber o que vai acontecer até ao final da época, na Alemanha.

Mariana Lopes “Não sabemos ainda como vai ser”

Não há campeão, nem classificação. Não há descida de divisão, mas pode haver subida. Ainda está em discussão, porque na Alemanha as equipas da 2ª Divisão têm de pagar uma quantia para a subida, para garantir orçamento e duas equipas já tinham pago. Não sabemos ainda como vai ser”, esclarece a jogadora do Thuringer HC.

O campeonato já está cancelado, mas a final da taça está a ser adiada para setembro, em princípio. O problema é que, no primeiro fim-de-semana de setembro, normalmente realiza-se a Supertaça e, logo de seguida, começa o campeonato, portanto não vejo como vai ser possível. Continuamos a esperar atualizações”, conta Mariana Lopes.

Neste momento penso que é impossível fazer qualquer tipo de previsão de quando e como a época vai voltar à normalidade. Seja em Portugal ou em qualquer outro país, esta situação está cada vez mais grave e resta-nos esperar que tudo corra pelo melhor para todos e que tudo volte ao normal o mais rápido possível”, deseja Mónica Soares.

Texto: Federação Portuguesa de Andebol

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