O Judo com “Célio Dias” e “Telma Monteiro” estagiam por terras espanholas

O peregrino e o atleta são diferentes na sua actividade. Iguais, contudo, na sua essência: crença. Ambos são movidos pela mesma incerteza; buscam saciar as mesmas âncias. Movidos pelo mesmo combustível. Ser atleta é sinónimo de se ser peregrino, compreendidos bem os factos. As medalhas são sempre estrelas polares num céu divergente nas suas motivações. Os atletas buscam com a sede de garganta seca o sucesso: o cicatrizante e bálsamo das férias; a terra prometida que confere sentido ao momento de sofrimento.

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Foto: Marcelo Rua

Foi com a mesma ambição e desejo que, no último dia do mês de Outubro, parti de Lisboa para a Costa do Sul: Málaga seria o nosso destino final. E digo nosso porque fui acompanhado da minha grande companheira de guerra, a extraordinária Telma Monteiro – que na presente época conquistou o seu quinto título europeu e bizou no emblemático Grand Slam de Paris. Durante uma semana esteve a decorrer um estágio organizado pela União Europeia de Judo nas terras de nuestros hermanos. O objetivo era bastante claro: se por um lado procurávamos aumentar a nossa qualidade de treino com esta deslocação a Málaga, pretendiamos, por outro, preparar devidamente o próximo desafio de competição – Grand Slam de Tóquio – no final da linha pode-se dizer que foi um forma de nos reforçarmos para o ano olímpico que se avizinha. Para esta fase crucial da preparação pudémos contar com a orientação sábia, nipónica, do treinador e colaborador da equipa nacional: o mestre Go Tsunoda. Chamá-lo mestre é um pouco estranho para mim, pois a nossa relação cresceu muito para além do âmbito do Judo. Por isso, gosto de chamá-lo de acordo com a simplicidade do seu nome e carácter: Go.

O estágio começou na Segunda-feira. Contrariamente aos restantes treinos internacionais que tive oportunidade de participar este ano, nos treinos de Málaga não estavam os principais atletas da minha categoria de peso. Desta forma, permitiu-me treinar de forma mais relaxada – apesar de séria. A não presença dos nomes pesados dos -90 kg permite-me trabalhar situações específicas e que necessitam de ser aperfeiçoadas com parceiros com características mais próximas dos adversários que vou encontrar na competição. Os treinos não poderiam ter corrido da melhor forma: intensos e produtivos. Tive uma grande semana de trabalho em Málaga. O calor de Málaga aqueceu-me o corpo durante a minha estadia na cidade; deu-me conforto ao afagar as ambições que se pintam no horizonte, de contornos quase palpávies – inconfundíveis. Saí de Espanha de sorrido rasgado, não diferente dos raios de luz que se pintavam numa moldura de final de dia; confiante para os próximos – exigentes – desafios.

Texto: Célio Dias

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Foto: Paco Lozano

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