ORLANDO DUARTE AINDA SOBRE A TAXA OU IMPOSTO…
Não sei se será a última vez que escrevo sobre o tema, talvez não, mas quando me recordo das promessas do candidato que venceu, sobretudo na Lourinhã, da maneira pouco profissional como tratou da sua candidatura junto da Mesa da AG, com muita falta de dados, a questão dos e-mails que só leu vários dias depois, o que levou a que fosse excluído do processo, e depois como foi repescado para as eleições, deixa-me triste, por um lado, era uma figura que respeitava e tinha muita consideração, e por isso, indignado também…
Fonte: Orlando Duarte
Esta é mais uma análise que faço e que a Federação ( e seus defensores) muitas vezes tentam evitar, pois esta análise retira a questão do campo do “valor simbólico” e coloca-a no campo do grande negócio.
Vejam um raciocínio matemático que expõe a escala real do que está em jogo.
Primeiro ponto prévio
A receita da FPA para 2026 é de 8 283 532,44€
(oito milhões, duzentos e oitenta e três mil, quinhentos e trita e dois euros e quarenta e quatro cêntimos)
Segundo ponto prévio
Remunerações da Actual Direção (Mandato 2024-2028)
Presidente (Domingos Castro):
Remuneração Base Anual: 41.642,86 € (corresponde a 3.470,24 €/mês).
Despesas de Representação: 15.000,00 € anuais (pagos em 10 prestações de 1.500,00 €, exceto nos meses de junho e novembro). Total Anual (Base + Representação): 56.642,86 €.
Vice-Presidentes com Funções Executivas (5 membros):
Remuneração Base Anual:
26.651,43 € (corresponde a 2.220,95 €/mês).
Despesas de Representação:
7.000,00 € anuais (pagos em 10 prestações de 700,00 €), com exceção do responsável pelos eventos/competições que recebe 12.000,00 € anuais nesta rubrica.
Total Anual por Vice (Base + Representação): 33.651,43 € (ou 38.651,43 € para o responsável de eventos).
Sub total Direção: 174.900,00 € (remuneração de 6 pessoas) + 55.000€ em despesas de representação (6 pessoas).
Total Direcção: 229.000€
Outras Regalias e Benefícios (Atual Direção)
Além do vencimento, os membros executivos têm direito a:
Ajudas de custo e transporte: Até 62,75 €/dia ou 0,40 €/km se usarem veículo próprio (considerando a residência fiscal e não a sede em Linda-a-Velha).
Seguros:
Seguro de acidentes pessoais com capital equivalente a 50 vezes a remuneração mensal e seguro de saúde.
Viatura e Refeição:
Direito a viatura em serviço e subsídio de refeição nos mesmos termos dos restantes trabalhadores.
Férias:
22 dias de férias anuais remuneradas.
Total custos: ???
Terceiro ponto prévio
Entre provas de estrada, trail e montanha, a minha estimativa é de 500.000 inscrições anuais, estamos a falar de um potencial de receita bruta de 1.250.000,00 € (um milhão e duzentos e cinquenta mil euros).
E agora os pontos fundamentais para reforçar a tese de que isto não é sobre “duas moedas e meia de euro”, mas sobre um financiamento paralelo e massivo:
1. O Peso no Orçamento da FPA
Olhando para o orçamento de 2026 que analisei e já vos dei nota, a FPA prevê rendimentos totais de cerca de 8,28 M€.
Se a receita das licenças diárias atingir o valor que estimo (1,25 M€), isto representa cerca de 15% de toda a receita da Federação.
É uma verba colossal para ser extraída de um sector (o atletismo de lazer) ao qual a Federação dedica uma percentagem ínfima do seu orçamento de investimento, os tais 500€ de aumento na formação, e cerca de 2 mil euros no atletismo juvenil, que já referi na publicação anterior.
2. A “Cesta de Ouro” das Corridas Populares
Enquanto o atletismo federado de pista é deficitário (custos de juízes, manutenção de estágios, viagens, equipamentos, etc. etc.), o atletismo de estrada e trail é lucrativo.
Ao cobrar 2,50€ por cada “passo” dado num evento de lazer, a FPA está a usar os corredores ocasionais/informais para subsidiar os federados e a sua elite, mas também a estrutura administrativa de Linda-a-Velha que, como já vimos em cima, aumentou com esta nova direcção de 4 para 6 elementos executivos – rubrica 1.1.1 gastos com pessoal, passou de 483 235€ para 653 032€ + 169 797€ / 35.13%!
Como bem se sabe, o praticante ocasional/informal não tem uma associação que o defenda, o que faz dele o “contribuinte ideal”: paga e não reclama porque não tem voz nas assembleias – daí estas minhas sucessivas publicações.
3. A Comparação com o Reforço do IPDJ
Isto torna-se ainda mais grave quando lembramos o dado que já vos disse na publicação anterior: o IPDJ aumentou o apoio à FPA em mais de 600 000€ para 2026.
A pergunta lógica é: Se o Estado já deu mais de 600 mil euros à Federação, e se a Federação já tem o potencial de arrecadar mais de um milhão de euros em taxas de inscrição, por que razão no Orçamento, no seu ponto 5.2, prevê só 10 mil euros de receita, e assim o lucro líquido orçamentado é de “apenas” 113.384€?
4. A Falácia do “É só um café”
O argumento da FPA de que “são só 2,5€” é uma técnica clássica de marketing para minimizar a resistência. Mas, multiplicando pela massa de corredores em Portugal:
2,50€ parece pouco para um indivíduo.
1.250.000,00€ é uma verba que poderia construir ou renovar várias pistas de atletismo pelo país todos os anos, construir mais que uma casa das selecções ou garantir seguros com coberturas médicas ilimitadas (como em Espanha) para todos os praticantes.
Conclusão
Trata-se de uma transferência de capital directa do cidadão saudável para uma estrutura federativa que, historicamente (convém lembrar o tema das “provas piratas” dos anos 80…), sempre olhou para o atletismo popular com um misto de desconsideração, mas com muito apetite financeiro…

