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Quem participa uma vez… Quer ir mais duas ou três…

Mais um ano que passa e mais uma edição do Geotour – Aldeias do Xisto – Rotas Míticas que termina, quem participa uma vez… Quer ir mais duas ou três… No caso a 7ª Edição, naquele que para muitos é um dos eventos mais espetaculares dos organizados em Portugal, daí a “correria” afim de ser um dos contemplados com uma inscrição.

 

Quem participa uma vez… No Geotour – Aldeias do Xisto – Rotas Míticas… Quer ir mais duas ou três…

Um fim de semana que todos deram por bem empregue, ou não fosse uma vez mais um sucesso a organização desta prova por parte do BTT Gardunha em parceria com a Junta de Freguesia do Fundão.

Pese embora as dúvidas acerca das condições meteorológicas que se apresentariam durante o decorrer do evento, ainda mais na altura do ano em que a mesma decorre, uma vez mais as inscrições disponibilizadas pela organização voaram num ápice, o que fez com que quem ficou de fora ficasse ainda com mais vontade de em 2020 voltar a tentar conseguir a “preciosa” inscrição como anteriormente referido.

 

Sendo esta prova unicamente guiada por GPS, depois de fornecidos os tracks pela organização, cada participante foi responsável pela gravação do seu percurso, e só essa garantia no final a conclusão e validação com sucesso da etapa, no caso das duplas teria de ser apresentado pelo menos um dos aparelhos.

Em termos de classificações, no Geotour – Aldeias do Xisto – Rotas Míticas, os atletas foram agrupados em escalões tendo por base o nascimento antes ou após 1980, estando assim inseridos nas classificações Elite ou Masters masculinos e femininos e em duplas em masculinos, femininos e mistos.

 

Geotour – Aldeias do Xisto – Rotas Míticas

Voltando à prova, desde cedo se pode afirmar que a mesma decorreria com condições atmosféricas do melhor que podemos querer para a modalidade, atingindo ainda assim temperaturas primaveris na ordem dos 26ºC o que foi do agrado de todos e que deixou os atletas apenas “preocupados” com o pedalar e desfrutar dos excelente traçado com que o BTT Gardunha nos brindou nestes dias 23 e 24 de Fevereiro.

Tal como na edição de 2018, a prova teve inicio no Pavilhão Multiusos da cidade do Fundão, estando aí montado todo o quartel general do evento, sendo ainda o local de términus da 2ª etapa no dia seguinte.

Logo na sexta-feira dia 22 de fevereiro deu para notar um anormal movimento de pessoas pelo Fundão, em especial nas imediações do Pavilhão Multiusos, com muitos atletas a optarem por fazer a viagem de véspera e tratar de toda a logística da prova com tempo e ainda aproveitar para passear pela cidade e ganhar algumas horas de descanso que não o teriam caso fizessem a viagem no sábado de manha.

1ª Etapa – Fundão – Pampilhosa da Serra

Para esta etapa a organização traçou um percurso de plena harmonia com a natureza onde não faltaram os excelentes trilhos e caminhos que existem na região, sendo de apontar os quilómetros de trilhos abertos propositadamente para o evento, o que só por si é merecedor de apontamento e de parabéns a todo o staff responsável, que tudo fez para que nada fosse deixado ao acaso.

Etapa com inicio no Fundão e final na Pampilhosa da Serra, numa distancia de 80km com 2100d+, sendo que a meta de cronometragem se encontrava ao km 73, permitindo uma vez mais que o trilho da Levada, um dos mais bonitos existentes em Portugal, fosse percorrido descontraidamente e em segurança pelos atletas e assim o pudessem admirar e desfrutar ao ritmo que entendessem, assim como tirar fotos para recordação desta passagem pelas margens do Rio Unhais.

Cerca das 10h deu-se a partida da etapa sendo que os primeiros quilómetros desta etapa foram percorridos em andamento controlado, atrás dos motociclos da GNR e do veículo da organização até à saída do asfalto sensivelmente ao km 3,5 na Aldeia de Joanes.

Rapidamente os atletas chegaram à freguesia do Telhado, onde se deu a primeira ascensão do percurso, a subida da Argemela.

A imponente Serra da Estrela dum lado, do outro a belíssima Serra da Gardunha

Chegados ao alto foi possível aos atletas vislumbrarem paisagens deslumbrantes que são imagem de marca durante todo o percurso do Geotour.

Podia ver-se de um lado a imponente Serra da Estrela e o ponto mais alto de Portugal Continental, no caso a Torre, e do outro a belíssima Serra da Gardunha.

Percorreram-se rapidamente estradões de pedra branca que levaram os atletas até aos locais da pedreira e das antigas minas, onde começaram os primeiros single-tracks.

Seguiu-se uma descida rápida até à entrada na freguesia de Silvares, onde se deu o primeiro contacto com o Rio Zêzere que acompanhou de perto os atletas durante muitos kms, até chegar a um dos mais fantásticos e emblemáticos locais do Geotour, o Cabeço do Pião, onde as escombreiras criadas pelo Homem resultantes da extração do minério levou a uma sensação estranha de inferioridade humana perante a natureza ainda que criada pelo homem e que mudou a orografia do local.

Este momento levou a que se passasse primeiro no alto e depois a descida em single-track, com os já conhecidos ganchos desafiantes da técnica dos atletas e deu-se a chegada às margens do Zêzere. Palavras houvessem para descrever a beleza destes trilhos que foram percorridos até à primeira Aldeia do Xisto por onde se passou nesta edição, no caso Barroca do Zêzere.

Grande Rota do Zêzere

Seguiu-se o caminho sempre junto ao Rio por Dornelas do Zêzere, Alqueidão e Janeiro de Cima (outra Aldeia do Xisto) por trilhos que integram a Grande Rota do Zêzere.

Deu-se então o “adeus” ao Rio Zêzere e começou a mais longa subida desta etapa. Sempre com paisagens deslumbrantes passou-se por Brejo de Baixo e aquando da chegada ao Casal da Lapa num ápice tudo se transfigura e a paisagem passa a ter como ponto alto a barragem de Santa Luzia.

Chegada rápida a Armadouro e os atletas rapidamente terminam os quilómetros que ainda tinham a fazer até Sancha Moura onde acaba a etapa cronometrada como anteriormente indicado.

Foto: Paula Silva

 

Na zona da meta instalada na vila da Pampilhosa da Serra situada junto dos Bombeiros Voluntários e da praia fluvial estava instalado o Paddock com reforço alimentar, massagem, banhos, lavagem das bicicletas e parque fechado para as mesmas.

Classificações da 1ª Etapa.

E deu-se assim por terminado o primeiro dia de prova e restou aos atletas recuperarem e descansarem para o regresso do dia seguinte ao Fundão, o que se esperava duro dado o percurso apresentado pelo BTT Gardunha.

2ª Etapa

Era tempo de seguir rumo ao Fundão, numa distância de cerca de 87km com 2400d+, então para isso foi necessário que os atletas despertassem cedo para que tudo estivesse a postos e pronto para a partida que se encontrava apontada para as 8h30 junto do Quartel dos Bombeiros Voluntários.

Manhã fresca mas que ainda assim se adivinhava que a temperatura fosse aumentar, mais que não fosse com a primeira dificuldade do dia, que já vem sendo habitual nas edições do Geotour, e que “aquece” de imediato todos com uma ascensão de cerca de 6km “a frio” como muitos atletas comentaram, mas que deixava antever o que seria este dia em termos de dificuldades e dureza.

Foto: Paula Silva

 

Antes desta subida percorreram-se os trilhos ao longo do Rio Unhais, seguindo-se a anteriormente mencionada subida à qual se seguia uma duríssima subida em estrada de alcatrão.

Após a passagem por Praçais e Ribeiros, iniciou-se a subida rainha do Geotour Aldeias do Xisto 2019, primeiramente em alcatrão até perto da localidade do Cabril e depois ao longo da serra. Pelo facto da vegetação no local ser baixa, os atletas puderam vislumbrar vistas ímpares, sendo que um troço dessa subida, com cerca de 150 metros, apresentava uma forte pendente de inclinação, que levou a um teste extra às capacidades físicas dos atletas, sendo esta perfeitamente clicável, um esforço que foi compensado pelas vistas e qualidade dos trilhos no topo.

Aldeia maioritariamente construída à base do xisto

Seguiu-se a descida para o Vidual, uma aldeia maioritariamente construída à base do xisto, com ruas estreitas e de divertida condução, que deliciou todos os atletas, onde os habitantes saíram à rua e animaram ainda mais a festa.

Foi então que se chegou às imediações da Barragem de Santa Lúzia e por entre single-tracks e caminhos de piso rápido foi possível aos atletas percorrerem os únicos quilómetros do Geotour Aldeias do Xisto 2019 verdadeiramente rolantes e sem dificuldades de maior.

Foto: Paula Silva

Na Malhada do Rei, local de abastecimento, deu-se o “adeus” à Barragem de Santa Luzia e após uma subida com pendentes baixas e bom piso, fez-se a descida em single-track para as Meãs, uma pequena localidade cravada no sopé da Serra do Açor e banhada pelas águas límpidas do Rio Unhais, rio este que uma vez mais nos acompanhou no trajeto.

Rapidamente se chegou a São João da Beira mas para isso foi necessário uma subida e descida em single-track, localidade situada numa das encostas do Pico da Cebola, onde novamente se fez a descida por entre ruas de forte inclinação, sempre com atenção e segurança em primeiro lugar.

A saída de S. Jorge da Beira fez-se por single-track seguindo-se um estradão até à ribeira do Porcim, onde a ascensão se fez por uma pequena estrada de alcatrão até ao alto do monte.

Foto: Paula Silva

Rio Zêzere

Aqui o percurso foi feito num constante sobe e desce ligeiro até que se voltou a encontrar o Rio Zêzere.

Novamente percorrido um single-track que faz parte da Grande Rota do Zêzere e passagem por Ourondo, Relva, Barco, Coutada, Peso e Pesinho.

Hora de dizer “adeus” também ao Rio Zêzere que ficou então definitivamente para trás nesta edição 2019 do Geotour.

Foto: Paula Silva

Estávamos então perto do final desta edição 2019 do Geotour e os atletas percorreram os últimos trilhos que os levaram rapidamente para o Fundão, onde a etapa terminou junto do Pavilhão Multiusos do Fundão, local de onde haviam partido na 1ª Etapa.

Aqui foi possível presenciar momentos de confraternização, opiniões acerca do evento e seu percurso, criar-se laços de amizade e assim estava totalmente cumprido o fim com que a organização criou este evento.

Os banhos foram no Pavilhão dos Desportos e almoço servido no Pavilhão Multiusos assim como a entrega dos prémios aos vencedores das diversas categorias em disputa.

Classificações gerais finais.

A edição de 2019 uma versão melhorada, um sucesso

No final do evento foi possível recolher algumas palavras do diretor da prova Paulo Quelhas que confidenciou o seguinte:

A edição de 2019 foi uma versão melhorada da edição do ano anterior, que já tinha sido um sucesso.
A fórmula de 2018 foi mantida, com as duas etapas a ligarem Fundão-Pampilhosa da Serra-Fundão, tendo-se, no entanto, alterado o percurso em cerca de 50% da sua extensão.
Esta alteração do percurso resultou plenamente, com o feedback emitido pelos participantes a ser bastante positivo, teremos estado perante uma das melhores edições do Geotour.

Foto: Paula Silva

Um trabalho desenvolvido que é de louvar

Houve um trabalho desenvolvido por algumas freguesias que é de louvar, nomeadamente em São Jorge da Beira, Barroca do Zêzere, Unhais-o-Velho e Cabril, que limparam e melhoraram muito os caminhos e trilhos existentes, tendo mesmo sido abertos caminhos que há muito estavam esquecidos e abandonados.
As paisagens, essas são uma imagem de marca da nossa prova, e as deste ano mantiveram o padrão de excelência que o evento já nos habitou.

A experiência resultante do ano anterior permitiu melhorar alguns aspetos logísticos e também neste ponto tudo correu na perfeição.
Os municípios do Fundão e Pampilhosa da Serra aumentaram o apoio logístico ao evento e o trabalho cooperativo com a nossa organização foi bastante melhorado.

Uma das mais procuradas provas de BTT em Portugal

Em conclusão, o Geotour Aldeias do Xisto confirmou-se este ano como uma das mais procuradas provas de BTT em Portugal e uma das mais importantes.
Em termos futuros o BTTGARDUNHA irá analisar a continuidade da fórmula dos últimos dois anos com a parceria com os Municípios do Fundão e Pampilhosa da Serra e que tem sido um sucesso.
A promessa, no entanto, fica que o clube irá sempre fazer um esforço para manter o preço das inscrições o mais acessível possível, mesmo tendo em conta o aumento significativo da qualidade dos serviços que estão à disponibilidade dos participantes.
Apesar dos muitos pedidos para se aumentar o número de inscrições disponíveis, estas devem manter-se entre as 250 e as 300.

Números da 7ª Edição do Geotour Aldeias do Xisto

Total de Participantes – 351
Duplas – 101
Solos – 149
Femininos – 12
Atletas estrangeiros – 33
Um Staff de 59 pessoas (todas membros da direção do BTTGardunha ou voluntários)

OPraticante.pt

Foto: Paula Silva

Estiveram em prova em representação do projeto de OPraticante.pt os atletas Ricardo Saraiva e Paul Roothans da equipa BTT Desenferruja Canelas que terminaram a prova na 10ª posição da categoria Duplas Masculinas Elite.

Texto: Ricardo Saraiva
Fotos: Filipe Roberto / Paula Silva

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