Como passei de esposa a assistente / enfermeira / etc.

enfermeira

Aceitei o desafio do “Diário dos meus treinos na Arrábida” e vou tentar não o decepcionar… Não é fácil transmitir aos que estão de fora os meus sentimentos e experiências e muito menos colocá-los em meia dúzia de linhas, explicando como passei de esposa a assistente, enfermeira, etc., em poucas semanas.

Como passei de esposa a assistente / enfermeira / massagista / motorista / mentora em poucas semanas

Quando nos mudamos para Azeitão e talvez devido ao ambiente que nos rodeia o Paulo ganhou o gosto pelo desporto “de rua“.

Ao inicio eu era a esposa que me despedia do marido

Depois de alguns anos apenas em passeios pela serra com colegas nas suas bicicletas, veio a primeira corrida em btt, em Almeirim, apenas porque havia a sopa da pedra e a partir deste dia tudo mudou rapidamente.

Aos poucos foram vindo mais corridas de btt, depois as corridas de estrada, depois o trail e se até aqui a mudança já era grande, passou a ser ainda maior.

Acabaram se as manhãs de fim de semana na cama, corridas que começavam de madrugada, que não me deixavam pregar olho até que ele cortasse a meta e voltasse para perto de mim.

Ao inicio eu era a esposa que me despedia do marido na meta e depois aproveitava para ir tirar umas fotos giras durante as provas…mas com o passar do tempo passei a ser mais, as corridas mais longas e mais exigentes obrigaram-me a ser um pouco de tudo.

A ser sua assistente

A ajudar a preparar a mala, a ajuda-lo a mudar de roupa quando chegava gelado e encharcado aos postos de vida, a encher cantis e a repor alimento na mochila para mais kms e kms, a correr de abastecimento em abastecimento para lhe dar um conforto, uma palavra de força ou para lhe dar o resultado do Sporting (mas esta explico noutro dia)…

enfermeira

A ser enfermeira

A saber tratar das feridas devido a quedas, de bolhas nos pés provocadas pelo roçar de horas e horas de corrida, de pregos espetados, de unhas negras, de entorses, a saber quando usar gelo ou calor, a saber usar antinflamatórios e analgésicos;

A ser massagista

A aprender a tratar dos músculos, os gémeos, os quadricipes, a piramidal, a banda iliotibial, a fazer um cafuné para que ele conseguisse adormecer quando a cabeça está a mil à hora devido à adrenalina de horas e horas a correr.

A ser a sua condutora

Passei a guiar no regresso a casa para que ele pudesse descansar porque muitas vezes ainda ia / vai trabalhar toda a noite.

Dei por mim a ter curiosidade sobre a vida destes miudos, a ler cronicas, blogues, revistas, a aprender e também a lhe puder ensinar algo útil.

Passámos a aproveitar as corridas como escapadinhas de fim de semana, saímos à sexta ao fim do dia e voltamos ao domingo.

Já percorremos o país todo de norte a sul, de este a oeste.

Aproveitamos para conhecer melhor a cidade ou a vila onde se desenrola a prova.

As corridas de BTT ou trail são ótimas para conhecer as aldeias mais esquecidas e as suas gentes de enorme simpatia ou humildade, temos sabido encontrar locais onde a comida ainda tem aquele sabor à moda antiga, onde os sorrisos são doces e sinceros.

São cinco anos de emoções, conhecimentos, partilhas e muitas muitas aventuras, que nos tornaram mais fortes, creio que mais saudáveis, a darmos mais valor um ao outro.

O Paulo é o mesmo, eu sou a mesma, estamos apenas mais ricos!

Visualize também

As Viúvas do Trail

Os Reformados do Trail

[divide icon=”circle” width=”medium”]

Texto / Fotos: Ana Ribeiro Alves

 

Parceiros