POGAČAR DESAFIA O REI VAN DER POEL
Tadej Pogacar - Foto: UAE Team Emirates
Todas as atenções recaem no duelo entre Tadej Pogačar e Mathieu van der Poel .
O “Inferno do Norte” está de regresso e promete, uma vez mais, escrever uma das páginas mais intensas da temporada.
Inferno do Norte traz novidades relevantes em 2026
A 123.ª edição da Paris-Roubaix arranca este domingo, 12 de abril, com partida em Compiègne e chegada, como manda a tradição, no icónico velódromo André-Pétrieux, em Roubaix.
São 258,3 quilómetros de desgaste contínuo, onde a resistência física, a técnica e a capacidade de sobrevivência ao caos definem o vencedor de um dos “Monumentos” mais imprevisíveis do ciclismo mundial.
O percurso mantém a sua essência, mas traz novidades relevantes em 2026.
Logo na fase inicial de pavé, a organização introduziu uma sequência mais densa de setores, praticamente sem asfalto entre eles, o que deverá endurecer a corrida mais cedo e aumentar o risco de cortes no pelotão.
No total, serão 30 setores de empedrado, somando 54,8 km, com destaque inevitável para os três juízes da corrida:
Trouée d’Arenberg, Mons-en-Pévèle e Carrefour de l’Arbre, todos classificados com cinco estrelas e tradicionalmente decisivos.
A entrada no velódromo de Roubaix continua a ser um dos momentos mais emblemáticos do ciclismo.
Depois de mais de seis horas de sofrimento, os sobreviventes entram num cenário quase mítico, onde o silêncio tenso dos balneários, com os históricos chuveiros individuais e placas com nomes lendários, contrasta com o ruído das bancadas.
É aqui que se decide tudo: sprint reduzido ou triunfo isolado, com o vencedor a erguer o simbólico paralelepípedo, um dos troféus mais icónicos do desporto.
Todas as atenções recaem no duelo entre Tadej Pogačar e Mathieu van der Poel
No plano desportivo, todas as atenções recaem no duelo entre Tadej Pogačar e Mathieu van der Poel.
O neerlandês chega como dominador recente da prova, tendo vencido as edições de 2023, 2024 e 2025, e pode agora igualar o registo de quatro vitórias detido por Tom Boonen e Roger De Vlaeminck.
Já Pogačar regressa com uma ambição clara: conquistar o único “Monumento” que ainda lhe escapa, depois de um segundo lugar que lhe abriu definitivamente as portas deste território.
O contraste de forma entre ambos acrescenta ainda mais interesse ao duelo.
Em 2026, Van der Poel soma vitórias na Omloop Nieuwsblad e na E3 Saxo Classic, mantendo consistência no pavé.
Enquanto Pogačar chega com um palmarés de peso nas clássicas, incluindo triunfos na Ronde van Vlaanderen, na Milano-Sanremo e na Strade Bianche.
Um confronto entre especialização e versatilidade, num terreno onde qualquer detalhe pode ser decisivo.
Para além de Pogačar e van der Poel muitos candidatos para a vitória
Entre os principais candidatos surgem ainda nomes como Wout van Aert, Mads Pedersen, Jasper Philipsen e Filippo Ganna.
Um leque de especialistas capazes de aproveitar qualquer falha dos favoritos.
Num cenário onde quedas, furos e problemas mecânicos são praticamente inevitáveis, a corrida tende a eliminar candidatos sem aviso, abrindo espaço a surpresas.
António Morgado e Rui Oliveira são os dois únicos portugueses em prova
Nota ainda para a presença portuguesa, com António Morgado e Rui Oliveira, integrados na UAE Team Emirates-XRG.
Uma participação que reforça a visibilidade nacional numa das corridas mais exigentes do calendário.
Ambos deverão assumir papéis de apoio às suas equipas, mas com margem para ganhar protagonismo num contexto onde a imprevisibilidade é regra.
Corrida feminina volta também a assumir um papel central
A corrida feminina volta também a assumir um papel central neste domingo, com a Paris-Roubaix Femmes a apresentar o percurso mais exigente da sua história.
148 km desde Denain até Roubaix, com mais de 33 km de pavé e uma entrada precoce no caos graças à nova sequência inicial de setores.
A campeã em título Pauline Ferrand-Prévot parte como principal candidata a repetir o triunfo em casa.
Mas terá forte oposição de Lotte Kopecky, Lorena Wiebes e Elisa Longo Borghini, num pelotão cada vez mais profundo e imprevisível, onde o caos do pavé pode abrir espaço a novas protagonistas.
Mais do que uma prova, a Paris-Roubaix é um teste ao limite do ciclismo moderno e uma ponte entre eras.
A presença de um corredor como Pogačar reforça essa ideia.
Um vencedor de Grandes Voltas a desafiar o terreno mais brutal das clássicas, frente a um especialista que pode entrar definitivamente na história.
Entre ambição, legado e sobrevivência, a edição de 2026 reúne todos os ingredientes para um duelo memorável no coração do “Inferno do Norte”.





