RIQUÍSSIMO ESPÓLIO DE TRILHOS DO PALEOZÓICO EM VALONGO
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No passado dia 20 de Março de 2022 decorreu a nona edição dos Trilhos do Paleozóico.
Organização a cargo de Luís Pereira com a coorganização da Câmara Municipal de Valongo, Junta de freguesia de Valongo e do Grupo Dramático e Recreativo da Retorta.
Prova certificada pela ATRP que percorre trilhos e caminhos na serra de Santa Justa e de Pias no concelho de Valongo, onde está inserido o Parque Paleozóico de Valongo e o Centro de Trail de Valongo, com partida e chegada no Largo do Centenário.
Contou com cerca de 1800 participantes divididos nos eventos Ultra Trilho Paleozóico (48km com 2600D+), Trilho Paleozóico (23km com 1200D+), Mini-Trilho e caminhada Paleozóico (12Km com 500D+).
No dia anterior, 19 de Março, decorreu o Campeonato Nacional de Ultra Trail 48 Km exclusivo a sócios da ATRP.
Texto: Pedro Garrido
Fotos: Frítz Photography
Página do evento
“Riquíssimo espólio de Trilhos” em Valongo
Até há pouco tempo atrás nunca tinha praticado trail em Valongo, ou mesmo ido a Valongo por qualquer outro motivo.
De repente, em poucos meses, já não chega os dedos de uma mão para contar as vezes que me desloquei a Valongo.
O slogan da prova dizia “As Trilobites estão à tua Espera”. Trilobites não tive oportunidade de ver, mas o que vi sim mais uma vez, e aqui uma analogia ao tema, foi um riquíssimo espólio de trilhos em Valongo.
Mesmo não tendo uma serra imponente em termos de altimetria, é um concelho que aposta muito no trail, com uma boa rede de percursos marcados que podem ser visitados a qualquer altura do ano, com pessoas que dinamizam a modalidade e que sabem receber todos aqueles que visitam a região.
Merecido “prémio” terem recebido o Campeonato Nacional de Ultra Trail.
Partida do Ultra Trilhos do Paleozóico!
Com os dorsais levantados e colocados, cada um passa aquele tempo antes da partida à sua maneira: a aquecer, a fazer uma última verificação do equipamento, a pensar no desafio que tem pela frente.
Este tempo que antecede a partida é também um momento de rever outros colegas destas andanças, desejar uma boa prova e até para trocar impressões sobre o percurso, dar ou receber dicas!
Eu recebi uma: “a primeira parte é muito rápida, cuidado!”
Já com todos os atletas na linha de partida, começou a contagem decrescente do Ultra Trilhos do Paleozóico.
Subida à Igreja Santa Justa e um “tal correr” até Pias
Logo após o primeiro quilometro entramos nos trilhos da Serra de Santa Justa e iniciamos a primeira subida de destaque em direção à Igreja de Santa Justa.
Apesar da grande inclinação a enorme escadaria ajudou a ultrapassar. Se a descer os degraus não ajudam a subir acho que ajuda bastante!
Chegamos à igreja com cerca de 3km e daqui para a frente foi um “tal correr” até Pias.
Single track fantástico na companhia de uma ribeira, aquele sobe e desce em que com o embalo da descida quase subimos sem ligar a tração.. uma delícia!
Com cerca de 10km, passamos na aldeia de Couce onde estava instalado o primeiro abastecimento, sem parar.
Logo a seguir passamos uma ponte sobre rio Ferreira e continuamos a bom ritmo, naquele sobe e desce relativamente “fácil” de correr, incentivados também pela beleza da natureza que nos rodeava!
Ao km 19, ponto de controlo, uma zona que percorremos um bonito trilho, o que em tempos terá sido uma levada de água, junto ao rio Sousa.
Já com o rio para trás, começamos a subir, com o pensamento de chegar ao segundo posto de abastecimento de Pias, ao km 24.
A dura segunda parte, essencial abastecimento em Bustelo
Bem, passei em Pias, mais uma vez sem parar no abastecimento, com metade da prova realizada.. “apenas” em termos de quilómetros!
Pois em termos de superação do desafio, as maiores dificuldades estavam ainda para ser ultrapassadas.
Logo para começar uma parede, e era mesmo quase uma parede tamanha era a inclinação, para chegar ao topo da Serra de Pias.
Quando lá cheguei ainda olhei duas vezes para o Trono Romano lá instalado pois era bastante sedutor!
A muito custo lá consegui resistir e continuei focado no próximo objetivo que era chegar ao 3º abastecimento em Bustelo, ao km 33, onde tinha programado (e precisava mesmo) de parar para abastecer.
E que abastecimento! Receberam-me com uma simpatia incrível, disponibilizaram-se logo para encher os meus flasks, dar palavras de apoio…
Sabe tão bem, mesmo que seja por pouco tempo trocar uma palavras, interagir com pessoas assim!
Mais “inclinações acentuadas” até Couce
Segui com os dois flasks cheios pois já não tinha intenção de parar em Couce, ao km 42m no 4º e último abastecimento antes da meta.
Os quilómetros começavam a pesar e as inclinações acentuadas não davam descanso.. nem para correr muito!
Uma dessas “inclinações acentuadas” apareceu depois de ter passado por dentro de um lavadouro e entrar num single track sempre a subir.
Lá no alto, avistei o elevador de Santa Justa.. e pensei “bem vou sofrer bastante ali mas já não falta muito para te alcançar!”
Faltava cerca de 5 km para Couce quando comecei a descer e a avistar outros atletas.
É sempre difícil de gerir estes cruzamentos de atletas de várias distâncias.
Podem surgir em locais difíceis de contornar.. ainda penso naquela bonita ponte suspensa sobre o rio Ferreira e dos “gritos” à minha passagem.
Pouco depois passamos mais um rio, o rio Simão, em que os atletas dos 12km seguiam pela sua margem em direção à meta, e nós seguíamos com os atletas dos 23 km para mais uma subida antes de descer finalmente a Couce.
O mítico Elevador de Santa Justa a um passo da meta!
Como previsto não parei em Couce, faltavam 6 km para a meta, e pelo meio o mítico Elevador de Santa Justa.
Já tinha ouvido falar, sabia onde ficava daí o ter reconhecido momentos antes, mas nunca o tinha feito.
Impressionante! Duríssimo! Parece que não saímos do sítio. Mesmo a caminhar é difícil..
Segui em muito esforço e com aquele espírito de partilha da “dor” com outros atletas, em que damos palavras de força e ânimo a outros atletas mas que servem também de força a nós próprios.
Mais próximo do topo do elevador, ouço palavras de apoio de quem assistia e puxava por nós. Sabia que agora seria sempre a descer, a meta estava quase quase ali!
Após a descida percorremos ainda um passadiço na margem do rio Simão até finalmente entrar nos últimos metros para a meta.
Como é tão bom cruzar a meta, sentirmos tão felizes por conseguir ultrapassar o desafio!
Organização dos Trilhos do Paleozóico
Parabéns à organização, a todos aqueles que contribuíram para a concretização da prova. Impecável!
Muito boa comunicação, divulgação de toda a informação, rapidez a responder a qualquer solicitação e a dar apoio ao atleta.
A nível dos percursos, em particular nos 48km (distância por mim realizada), passamos por locais fantásticos, trilhos para todos os gostos, uns mais técnicos outros mais rolantes.
Podemos não atingir muita altimetria mas tem partes muito duras, como um desnível positivo final considerável.
Relativamente aos abastecimentos, o abastecimento em Bustelo deixa boas recordações e o abastecimento final com o essencial, é para mim mais importante que ter muita coisa, sem limitar/condicionar o acesso do atleta ao abastecimento.
Outro ponto super positivo é sem dúvida procederem logo à entrega dos prémios à medida que vão tendo os pódios fechados.
Não esperaram por todos os pódios estarem fechados, ou marcar mesmo uma hora para meio/final da tarde para os entregar, como infelizmente acontece com outras organizações.
Uma palavra de agradecimento também para os fotógrafos que se associaram em força ao evento e que brindaram todos os participantes com excelentes registos desta aventura.
Primeira participação que certamente não ficará por aqui. Lugar cativo na agenda. Venha a próxima edição!
A equipa de OPraticante.pt
OPraticante.pt esteve representado na distância de 48 km por Pedro Garrido – 04h48m38s, que obteve o 1º geral/1º MSenior enquanto que nos 23 km esteve representado por João Garrido – 02h33m29s, 90º geral/41º M40.
A maior participação da equipa foi nos 12 km com 4 atletas: Ana Mafalda Pereira – 01h28m13s, 218º geral/19º FSenior; Marta Carmo – 01h30m01s, 236º geral/7º F40; António Garrido – 01h30m06s, 237º geral/7º M60 e Helena Santos – 02h03m44s, 477º geral/7º FSenior













