Rúben Guerreiro nono na primeira etapa de montanha da Volta a França do Futuro

O português Rúben Guerreiro foi ontem o nono classificado na quarta etapa da Volta a França do Futuro, ganha pelo dinamarquês Mads Würtz Schmidt. O chileno José Luis Rodríguez passou a liderar a competição e Guerreiro subiu 26 posições na geral, sendo agora 30.º, a 1m49s.

A etapa de 146,7 quilómetros, entre Annemasse e Cluses foi endurecida ainda antes da dupla escalada do col de Cântillon-sur-Cluses, nos últimos 40 quilómetros. Foi no terreno plano que a alta velocidade fez com que a média das duas primeiras horas de corrida chegasse aos 45 km/h, a que se juntaram várias quedas, reduzindo o pelotão antes das duas subidas da fase final.

A Seleção Nacional/Liberty Seguros esteve atenta às muitas movimentações táticas, colocando um corredor, João Rodrigues, no grupo de oito ciclistas que abalou do pelotão com cerca de 50 quilómetros percorridos e do qual sairia o vencedor da tirada. O português perdeu o contacto com a frente da corrida na última subida, a 15 quilómetros da meta. Da fuga inicial, resistiram quatro corredores, que discutiram entre si a tirada. Venceu o dinamarquês Mads Würtz Schmidt, seguido pelo belga Dries Van Gestel e pelo norueguês Anders Skaarseth. “O grupo partiu no alto da subida. O João descuidou-se com mais dois ciclistas, perdeu alguns metros e já não conseguiu colar. Acabou por ser absorvido a 2 quilómetros do final. Foi pena não ter conseguido discutir a etapa”, lamentou o selecionador nacional, José Poeira.

O primeiro pelotão gastou mais 24 segundos do que os escapados. Rúben Guerreiro, nono classificado, Nuno Bico, 32.º, e João Rodrigues, 43.º, entraram neste grupo, catapultando a Seleção Nacional/Liberty Seguros para o décimo lugar da geral coletiva. Rui Carvalho foi 47.º, a 49 segundos do vencedor, Luís Gomes foi 79.º, a 8m06s, e César Martingil foi 97.º, a 11m32s.

O chileno José Luis Rodríguez, a correr pelo Centro Mundial de Ciclismo, assumiu o comando da classificação geral, tendo o anterior comandante, Tom Bohli, descido para o 34.º lugar. O segundo classificado é o espanhol Imanol Estévez, a 4s, e o terceiro é o dinamarquês Mads Würtz Schmidt, a 1m14s.

O primeiro aperitivo montanhoso da corrida provocou um primeiro rearranjo na geral individual, levando Rúben Guerreiro a subir 26 lugar, para o 30.º posto, a 1m49s do líder. Nuno Bico ascendeu ao 38.º lugar, a 1m55s, João Rodrigues progrediu para a 41.ª posição, a 1m57s, Rui Carvalho avançou para o 49.º posto, a 2m31s, Luís Gomes é 77.º, a 9m33s, e César Martingil é 95.º, a 13m14s.

“Hoje já se fez uma primeira seleção e nós estivemos bem, mas amanhã a montanha será, por assim dizer, mais a sério. Esperamos continuar a progredir, de modo a dar luta na geral individual e na classificação por equipas”, avança José Poeira.

Os Alpes serão palco da quinta etapa da competição, primeira com chegada em alto, marcada para esta quinta-feira. A tirada terá 103,1 quilómetros, dos quais 47,3 serão a subir, repartidos por quatro contagens de montanha, a última, de primeira categoria, coincidente com a meta, em La Rosière. O pelotão vai partir de Megève, devendo começar a fracionar-se na escalada de segunda categoria no col des Saisies (13,6 quilómetros de extensão com inclinação média de 5 por cento). Seguem-se três subidas de primeira categoria: col du Pré (12,7 km com 7,7%), Cormet de Roselend (6 km com 6%) e La Rosière (16 km com 6%).

Terceira etapa: César Martingil 15.º em Tournus

O português César Martingil foi hoje o 15.º classificado na terceira etapa da Volta a França do Futuro, uma ligação de 137 quilómetros, entre Champagnole e Tournus, ganha pelo dinamarquês Søren Kragh Andersen. Rúben Guerreiro segue como melhor luso na geral, na véspera do início da montanha.

A última oportunidade para os roladores e para os sprinters favoreceu os primeiros, pois, mais uma vez, deu-se uma escapada com sucesso, inviabilizando uma discussão em pelotão compacto. Depois de anulada a fuga mais persistente da etapa, sucederam-se os ataques, até que, a cerca de 10 quilómetros do final, saiu do pelotão um grupo de cinco corredores.

Apesar de a diferença nunca ter chegado sequer aos 30 segundos, o quinteto não foi alcançado pelo pelotão. Triunfou o primeiro camisola amarela da prova, Søren Kragh Andersen, que deixou os restantes lugares no pódio para o holandês Mathieu van der Poel e para o alemão Johannes Weber, segundo e terceiro, respetivamente.

O corredor mais rápido da Seleção Nacional/Liberty Seguros, César Martingil, voltou a imiscuir-se no sprint do pelotão, sendo o 15.º classificado da etapa. Toda a restante equipa chegou também integrada no grupo principal, a 7 segundos dos fugitivos. João Rodrigues foi 21.º, Rúben Guerreiro terminou em 55.º, Rui Carvalho chegou em 70.º, Nuno Matos ocupou o 80.º posto e Luís Gomes cortou a meta no 94.º lugar.

O suíço Tom Bohli manteve o comando da geral individual, tendo como adversários mais próximos o chileno José Luis Rodríguez, a 9 segundos, e o espanhol Imanol Estévez, a 13. Rúben Guerreiro continua como melhor português, no 56.º lugar, a 1m58s do primeiro. Luís Gomes é 61.º, a 2m00s, Nuno Bico é 74.º, a 2m04s, João Rodrigues é 79.º, a 2m06s, enquanto César Martingil e Rui Carvalho estão a 2m15s da liderança, sendo 91.º e 92.º, respetivamente.

“A primeira metade da Volta decorreu como tínhamos previsto, sem perdas de tempo significativas para os favoritos e com o mínimo desgaste possível. A etapa de hoje foi muito rápida, mas a nossa equipa esteve bem, já que as sensações dos corredores portugueses têm melhorado de dia para dia. Veremos se, a partir de amanhã, conseguimos confirmar o bom momento de forma”, diz o selecionador nacional, José Poeira, aludindo às quatro etapas de montanha que faltam para o final da competição.

A quarta etapa, a disputar amanhã, ao longo de 146,7 quilómetros, entre Annemasse e Cluses, é uma espécie de aperitivo para as dificuldades da reta final da Volta a França do Futuro. Nos últimos 40 quilómetros da tirada os corredores irão subir duas vertentes do col de Chântillon-sur-Cluses. Na primeira terão pela frente uma escalada de 5,4 quilómetros com inclinação média de 5 por cento. A última subida tem 9 quilómetros e uma pendente média de 5 por cento, estando a contagem de montanha, de segunda categoria, colocada a 13 quilómetros da meta.

Texto e foto de: FPC

Parceiros