Serra do Alvão, cuidado com os Lobos no trail

Serra do Alvão

Fisgas de Ermelo

A matilha do Trail running não se deixou intimidar pelos lobos da Serra do Alvão e compareceu em força em Vila Real, no dia 8 de Dezembro de 2019, prontos para percorrer os trilhos da Serra.

Foto: Nuno Lucas

A Associação Positive Sensations colocou à nossa disposição o UTSA com 55 km o TSA com 32 Km e o Trail e caminhada com 15 Km.

Ainda o dia não nasceu e já os atletas que vão participar no UTSA se juntam para ouvir as ultimas recomendações fornecidas pela Organização, as quais são proferidas de forma sussurrada porque os habitantes de Vila Real ainda dormem.

Foto: Matias Novo – Fotografias

Cuidado com os Lobos no UTSA – Ultra Trail Serra do Alvão

Pelas 7 horas é dada a partida e os corajosos Ultramaratonistas mergulham na escuridão com os frontais acessos, prontos para enfrentar os 55 km de trilhos talhados na Serra do Alvão, a qual do alto dos seus 1283 metros, observa quem se prontificou a percorrer os seus caminhos a enfrentar os seus lobos.

Foto: Matias Novo – Fotografias

Para os restantes corredores e caminheiros estava na altura de entrar nos autocarros que os aguardavam para levar para a Aldeia Lamas d` Olmo, uma jóia em granito, em pleno Parque Natural do Alvão, onde os dias passam ao ritmo das estações.

Foto: Matias Novo – Fotografias

Os cães demonstravam a sua alegria metendo-se com os forasteiros e as vacas soltas pela Aldeia olham desconfiadas para quem lhes foi perturbar a pacatez do dia a dia.

De repente um grande alvoroço, aproximam-se os primeiros posicionados do UTSA e no meio de saudações, gritos e palmas lá seguem o seu caminho, porque ainda faltavam muitos kms para percorrer.

Foto: Ultra Trail Serra do Alvão

Partida das restantes provas

Finalmente é dado o sinal de partida para os restantes atletas, os quais abençoados pela chuva que se fez sentir durante todo o dia, arrancam para completar os 32 Kms que lhes estavam destinados, logo seguidos pelos que iriam completar 15 km e a caminhada.

Agora sim, já todos estavam embrenhados na Serra do Alvão e poderam começar a desfrutar da sua grandeza com trilhos técnicos.

Foto: Matias Novo – Fotografias

Nas descidas não se podia descansar, porque as pedras dos caminhos obrigavam a ter cuidados redobrados e a um constante saltar entre elas, a lama tornava escorregadios os caminhos transformados em ribeiros.

Corremos acompanhados por levadas de água, na margem de ribeiros, na beira de precipícios, atravessamos uma mata encantada e depois de uma subida “interminável” somos atingidos pelas rajadas de vento que açoitavam o planalto, mas nada nos esmoreceu.

Serra do Alvão
Foto: Matias Novo – Fotografias

Apesar da chuva, vento e da neblina era praticamente impossível alguém se perder e foi possível verificar que Organização se esforçou com a colocação da sinalização e que as zonas de abastecimento estivessem bem fornecidas, tendo inclusive a ocasião de aquecer a alma com uma canja de galinha bem quentinha.

Cascata das Fisgas de Ermelo

O nevoeiro em algumas zonas era muito denso, mas após passar pela Aldeia de Ermelo, tivemos oportunidade de vislumbrar a cascata das Fisgas de Ermelo, uma das maiores quedas de água de Portugal, com um desnível de 200 metros de extensão, precipitando-se em vários saltos, cavados pelas águas do Rio Olo.

Serra do Alvão
Fisgas de Ermelo – Foto: Ultra Trail Serra do Alvão

Ao longo de todo o percurso eram vários os voluntários, que heroicamente aguentavam as adversidades, para nos apoiarem, e a determinado momento perdido no meio da Serra comecei a ouvir uma grande algazarra e pessoas a cantar, tendo me ocorrido, apesar de muito disparatado de que alguém tinha organizado uma Rave, continuei a correr e para meu espanto vejo que eram dois jovens voluntários que cantavam e dançavam enquanto a chuva caia.

Que espectáculo!! Alegria assim não se vê todos os dias, parece que recebi um shot de energia, obrigado a eles.

Serra do Alvão
Foto: Matias Novo – Fotografias

Com a Meta colocada no centro da Cidade era grande a festa que animava a Praça, e uma bifana acompanhada de uma canja era o precisávamos para recuperar do empeno.

Trilhos eram fenomenais pela Serra do Alvão

Foi com muitas reticências que recebi a notícia de que havia oportunidade de participar no UTSA.

Fazer 400 km para correr em Trás-os-Montes em pleno Dezembro?

Foto: Matias Novo – Fotografias

Felizmente aceitei o convite, os trilhos eram fenomenais e a Organização tudo fez para que todos tenhamos chegado ao fim com a vontade de regressar.

Só me resta agradecer em meu nome e em nome do projeto que representei, à Associação Positive Sensations, por nos ter proporcionado um fantástico dia de Trail Running e pela parceria criada com “OPraticante.pt”.

Uma prova a não perder em 2020, e se possivel a repetir, fica atento e reserva o teu lugar a 5/6 dedezembro.

Evento 2019.

Página do evento.

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Texto: Nuno Lucas
Fotos: Matias Novo – Fotografias / Nuno Lucas / Organização

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