TÂNIA CHAVES CADA VEZ MAIS PERTO DO SONHO

Tânia Chaves

Tânia Chaves em treino - Foto: FPME

No recente Mundial de Escalada Adaptada, realizado em Seul, Tânia Chaves escreveu uma das páginas mais marcantes do desporto adaptado português ao alcançar um histórico 4.º lugar. Ficou a apenas uma presa do pódio, mas mostrou que está entre as melhores do mundo e cada vez mais perto do sonho de conquistar uma medalha. Nesta entrevista, fala sobre as emoções vividas na Coreia do Sul, os desafios da ausência do treinador, o percurso que a trouxe até à escalada adaptada e a ambição de chegar aos Jogos Paralímpicos de Los Angeles em 2028.

Fonte: Helena Santos // OPraticante.pt

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TÂNIA CHAVES COM RESULTADO HISTÓRICO NO MUNDIAL

Um sabor agridoce por estar tão perto do pódio

1. Como descreve em poucas palavras a sensação deste 4.º lugar histórico?

Tânia Chaves – Reconfortante e encorajador mas com um sabor um pouco amargo por estar tão perto do pódio!

2. O que sentiu ao perceber que ficou a uma presa da medalha?

TC – Quando caí percebi logo que tinha ficado em 4° lugar pela reação do público, a sensação foi de frustração e tristeza, tinha perdido a tão sonhada medalha!

Quando me apercebi que fora apenas por uma presa foi um misto de emoções, senti-me bem por saber que estou tão perto da medalha e ao mesmo tempo triste por não ter alcançado a presa seguinte.

Tânia Chaves
Filipe Costa e Tânia Chaves – Foto: FPME

A ausência do treinador fez-se sentir

3. De que forma a ausência do seu treinador em Seul influenciou o resultado?

TC – No fim das contas sou só eu e a parede e não consegui chegar tão alto como as minhas adversárias, no entanto, durante todo o processo antes de começar a subir o treinador faz sempre falta.

Nos dias de treino que tive em Seul antes da prova, para analisar as vias da prova, estudar a melhor estratégia comigo.

Todo o apoio extra conta, e ter a pessoa que me acompanhou e ajudou a preparar durante todo o ano para este momento, seria uma presença fundamental para me dar mais alento.

Amor à primeira vista pela escalada

4. Como começou a escalar e quem a inspirou?

TC – Quando andava no ginásio, o meu PT tinha comentado que um clube em Braga fazia uma prova de escalada adaptada todos os anos.

Depois, quando praticava CrossFit, competia com pessoas ditas “normais” e não achava justo para elas eu poder ficar à frente tendo exercícios adaptados.

Como gostava de competir, lembrei-me do que o meu PT tinha dito e decidi experimentar.

Digamos que foi amor à primeira vista.

5. Porque escolheu a escalada adaptada em vez de outro desporto?

TC – Como referido anteriormente eu praticava CrossFit, algo que eu adorava, mas também gosto de competição, no início foi mais fácil para mim escolher a escalada por causa das provas.

Agora, não me veria a trocar de desporto de um dia para o outro.

Ser referência em Portugal

6. Já se sente uma referência da escalada adaptada em Portugal?

TC – Sim, as pessoas têm me dito isso, espero que este resultado traga mais visibilidade para a escalada adaptada e mais praticantes, quiçá não começaremos a levar mais atletas para as provas.

7. Que significado têm para si os Mundiais de 2027 e os Jogos Paralímpicos de 2028?

TC – Desde que se falava na possibilidade da escalada adaptada poder entrar nos Jogos Paralímpicos, eu redefini as prioridades na minha vida.

Deixei algumas partes da minha vida pessoal em standby para poder lutar por um lugar nos Jogos Paralímpicos.

Claro que tudo pode acontecer, mas até lá, vou lutar até ao fim para alcançar esses objetivo

8. O que gostaria de dizer a quem ainda não conhece a escalada adaptada?

TC – A escalada adaptada é tanto ou mais impressionante de ver como a escalada dita “normal”.

As nossas provas são geralmente em “top rope” com a corda já presa no topo da parede.

É sempre impressionante ver uma pessoa invisual a escalar, pessoas paraplégicas a escalarem só com os braços ou pessoas sem um membro um com algum problema motor/neurológico.

Convido a toda a gente que ainda não conhece a escalada em geral ou a escalada adaptada a ver umas provas, ou procurar por exemplo no canal do IFSC, quem sabe não desperta o bichinho para experimentar.

Penso que não se arrependerão.

Tânia Chaves em competição – Foto: FPME

Equipa maior para chegar mais alto

9. Que apoios e condições seriam essenciais para transformar este 4.º lugar em pódio?

TC – Melhores condições para treinar com corda, mais estágios ao longo do ano.

Participação em mais provas intermédias como taças do mundo.

Para além disso, maior parte das equipas leva para as provas massagistas, técnicos/ treinadores, médicos, muitas vezes psicólogos, parecendo que não, isso faz uma diferença enorme.

Uma equipa maior também poderia ajudar.

10. Quem é a Tânia Chaves fora das competições?

TC – Fora das competições, as minhas rotinas resumem-se em tentar conciliar o trabalho com o treino e tentar ter algum tempo para socializar.

Em termos de paixões, adoro música, viajar e ter experiências gastronómicas diferentes.

Comecei igualmente a fazer crochet há um ano e posso dizer que se tornou igualmente numa paixão.

Ainda mais garra para o futuro

11. Que mensagem deixaria à Tânia que começou este caminho?

TC – O que o treinador te disse no primeiro treino vai acontecer! Diverte-te, treina muito e não desistas à mínima dificuldade!

Vais ter pedras no caminho mas no fim vais ver que tudo valeu a pena.

12. Que frase resume o que sente agora e a sua ambição para o futuro?

TC – Sinto-me feliz, com ainda mais garra para o que está para vir!

Agora é continuar a trabalhar para conseguirmos a tão desejada medalha no campeonato do mundo e um lugar nos Jogos Paralímpicos de 2028.

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