Por trilhos épicos em terras de Abutres!
Um grupo de amigos de Miranda do Corvo, apaixonados pela natureza e pelos desportos “outdoor, alimentados pelo sonho de dinamizar as gentes locais, cria em 2009 a Associação Abútrica, a qual inclui também os amantes de trail running (Abutres Running Team):
Associação Abútrica – Abutres Running Team
“A Associação Abútrica tem como missão promover a inclusão, a aquisição de hábitos de vida saudável e a formação integral das pessoas qualquer que seja a sua faixa etária, através da prática de actividades físicas e desportivas, promovendo o turismo e comercio tradicional na região e a eco-responsabilidade.”
No ano seguinte é registada a marca Abutres e o seu logotipo. Já em 2011, e com o crescimento do trail running a acontecer um pouco por todo o país, a Associação decide criar a prova de trail “Trilhos dos Abutres”, o qual serviu de mote, também, para a criação em Miranda do Corvo da primeira escola de Trail Running e do primeiro Centro de Estágio de Trail Running em Portugal.
Desde então, todos os anos a prova é realizada percorrendo parte da Serra da Lousã e dando, aos seus participantes, a possibilidade de passar por zonas de beleza pura e ímpar: o Parque Biológico, quedas de água mágicas, ribeiras vibrantes, desfiladeiros naturais que “apimentam” a prova e as tão conhecidas aldeias do Xisto. São estes detalhes que tornam estes trilhos épicos!

A minha experiência….
De facto, ainda mal eu conhecia a dinâmica do Trail Running, e já ouvia falar do mítico Trail dos Abutres: uma prova épica sim, com um grau de dificuldade de relevo, com trilhos muito técnicos e, pela época do ano em que decorre, recheada de lama e muita água.
Pelas características que me foram sendo apresentadas de quem participou nas edições anteriores, e como pouco amiga de trilhos muito técnicos que envolvam cordas, lajes escorregadias, inúmeras pontes de madeira, subidas e descidas em que quase de gatas somos “obrigados” a percorrê-las, muitas vezes o disse: “Trilhos dos Abutres, não obstante a beleza de que me falam, não é definitivamente para mim!”
Mas a essência de quem pratica desporto é, acima de tudo, a superação individual, o sair da sua zona de conforto afim de evoluir, crescer e afinar as capacidades que se vão apreendendo na modalidade (em qualquer modalidade), para que se consiga fazer um pouco melhor do que da última vez.

Miranda do Corvo, um fim-de-semana cinzento mas em que o sol espreitou e aqueceu
Assim, vi-me em Miranda do Corvo, num fim-de-semana cinzento mas em que o sol espreitou e aqueceu, pronta para me aventurar num treino solitário pelo percurso das provas.
Tive a sorte de poder percorrer o percurso dos 30km, tendo arrancado logo após a prova dos 50km. E subscrevo tudo o que me foi dito das anteriores edições: paisagens deslumbrantes e vibrantes, trilhos de dificuldade elevada com tudo a que temos direito numa prova de trail pura e dura. Marcação do percurso, voluntários, abastecimentos e restante organização têm nota máxima! Fui em treino, mas registei o esforço e dedicação que foram colocados em cada detalhe, para que aos participantes fosse proporcionada a melhor experiência possível.
Comecei o treino entre amigos, sempre de sorriso no rosto, até aos 11km (divisão de percursos), tendo prosseguido a solo até ao final. O sorriso gelou e ficou tímido em muitos momentos… onde “entravam” cordas, e pedras e pontes onde os meus pés dançavam. A descida de Gondramaz ficou na memória! A Serra da Lousã ficou tatuada no meu íntimo.
Fiquei encantada e rendida aos Abutres!
O evento….
Foi a 7ª edição dos Trilhos dos Abutres – 28 e 29 de fevereiro 2017, que teve dois padrinhos ilustres: Lucinda Sousa e Luiz Mota, tendo ambos participado na prova de maior distância. Mais uma edição com detalhes a relevar, pois é um evento que vai além das provas de trail em si:
• Este é um evento que prima por uma atitude eco-responsável, desde a sua primeira edição, e pela defesa da conservação do meio natural e optimização dos percursos (nomeadamente com o uso de sinalética apropriada). Tem também um cariz solidário, em que mais uma vez foram colocados à disposição dorsais solidários, cuja receita será distribuída por entidades locais.
• Em simultâneo decorre a ExpoTrail (Feira Abútrica) situada no mercado na zona da meta, onde são expostos produtos regionais, material de corrida e expositores de entidades parceiras da organização.
• Os acompanhantes não ficaram esquecidos e foram disponibilizados autocarros que permitiram àqueles ir até aos postos de abastecimento dar o seu apoio e carinho aos familiares e amigos que participavam nas provas.

Concurso FotoTrail dos Abutres
• E para que todos os momentos das provas fiquem devidamente registados e sirvam de boas memórias aos que se aventuram pelos trilhos abútricos, foram muitos os fotógrafos que acompanharam os atletas e se arriscaram a entrar nos trilhos, tentando captar o fantástico da envolvência da prova, quer fosse em trilhos serpenteantes, em subidas exigentes, em descidas vertiginosas, ou mesmo nas quedas de água que fascinavam e nos faziam desviar o olhar do trilho. Para eles a organização realizou o concurso FotoTrail dos Abutres: prova de fotografia que decorreu no sábado, 28 de Janeiro, e que premeia as três melhores fotografias.
Foram cinco as provas realizadas: Ultra Trilhos dos Abutres (50km | D+ 2442), Trilhos dos Abutres (30km | D+ 1444), Donwtrail Abútrico (15km), Caminhada (cerca de 12km) e Trilhos Júnior.
Donwtrail Abútrico (15km)
A primeira edição desta prova teve a participação do meu colega de corrida, de aventuras David Silva em representação da equipa de OPraticante.pt, ele também um apaixonado, e que voltava a correr quase 5 meses depois de ter sofrido uma entorse, e que prova ele escolheu, logo o Donwtrail Abútrico, tendo tido o gosto de o ouvir dizer:
“Foi muito melhor do que me tinham pintado o percurso”
“Tirando o inicio lá no cimo da Serra, junto às eólicas com as suas pás a 90 mts do solo, em que o nevoeiro, a chuva miudinha, e um frio trazido pelo vento, gelou todos os que nesta prova se aventuraram, deu-se a partida e os participantes começaram a aquecer um pouco, ao contrário de sábado o sol não aqueceu, mas a temperatura foi agradável, tirando ai cerca de 2 kms, antes dos 2 kms finais de alcatrão, ai sim durinhos, a definir bem a palavra “Trail”, com os pés a enterrarem-se na totalidade no solo, devido à intempérie que naquela região transformando os caminhos em lama total, com passagens por ribeiros que se formaram com a chuva que caiu, onde consecutivamente ia lavando a lama acumulada nos ténis, nas pernas, para de novo logo a seguir as sujar”

Fiquei fã dos Abutres
“Mas fiquei fã desta prova, que à três anos perseguia para participar, este ano foi-me dada essa oportunidade, obrigado Tiago Araújo e gostei estreei-me na primeira edição do Donwtrail Abútrico, mesmo assim arrisquei, sabendo ter de ter cuidado, seria sempre a descer, o importante, terminei bem com saúde, e o tempo foi o menos importante, o importante foi ter-me superado ter ganho confiança e para o ano que vêm estar lá de novo, mas para os 30 kms pelo menos”
Para concluir ” Parabéns Abutres, parabéns a todos os que participam na organização, este evento não é somente de uma pessoa, é de um grupo de pessoas, que criam um grande e positiva sinergia para que seja este sucesso”
Os pódios…
Os vencedores das principais provas foram os seguintes:
46 Kms
André Rodrigues (Dr. Merino/4Moove), ao fim de várias tentativas finalmente o vencedor deste evento com 5h02m42s, Tiago Aires (Edv – Viana Trail) a recuperar de uma lesão, obteve o 2º lugar com 5:07;51 e Ricardo Silva (Edv – Viana Trail) ufechou o pódio com 5:17;08.

Em femininos a equatoriana Mercedes Pila (Spothg-Amlsport) venceu com 6:16;08, Lucinda Sousa (Gondomar Futsal Clube) a madrinha da prova obteve o 2º lugar – 6:27;50, e o 3º lugar foi obtido por Fernanda Verde (Edv – Viana Trail) – 6:43;31
António Soares foi o único representante de OPraticante.pt nesta distância, obtendo o 7º escalão M50 (240º g) com 8h08m31s.

Colectiva
1ª EDV – Viana Trail, 2ª Dr. Merino / 4 Moove e em 3ª AMCF – Arrábida Trail Team
30 Kms
Tiago Romão (U.F Comércio E Indústria Atletismo) – 2:59;28 venceu, 2º Romeu Gouveia (Salomon) – 3:04;10, e 3º Paulo Serra (individual) – 3:04;22.
Rui Miguel foi o único representante de OPraticante.pt nesta distância, obtendo o 149º M40 (414º g) com 6:34;47.
Sandra Mendes (Profisio Team) foi a vencedora com 4:13;05, seguida de Daniela Russo (Oralklass-Amigos Do Trail) em 2º lugar – 4:20;34 e o 3º a ser obtido por Nádia Casteleiro (Oralklass-Amigos Do Trail) – 4:20;40

Colectiva
1ª Satecnosol Outdoor / Raidlight Portugal, 2ª All About e 3ª Oralklass – Amigos do Trail
Downtrail 11 kms
A prova onde ouve emoção até à linha da meta, uma disputa levada muito a sério pelo Jorge Pimenta (Dci/Ccdrpedrulha Mealhada) e José Sequeira (Montanha Clube Trail Running/Efapel), para a obtenção da vitória, que Pimenta levou a melhor obtendo 45m46s contra os 45;59 do seu adversário, foi impressionante a velocidade colocada no terreno, nos ultimos metros por estes atletas, que entusiasmou quem assistiu, no lugar seguinte ficou Miguel Jaques (Olimpico Vianense Trail/ Nd Sport) – 48;12.
Tuxa Negri (Gin Quinta Do Valbom – Aaalcochete) com 57;31 obteve a vitória da 1ª edição desta distância, Diana Ferreira (Barcelos Runners) – 1:01;28 ocupou o lugar seguinte e Cátia Rodrigues (Proaventuras) – 1:05;43 ocupou o 3º lugar
Colectiva
1ª Montanha Clube Trail Running / Efapel, 2ª Coimbra Trail Running e 3ª Papamilhas

Trilhos Júnior
OPraticante.pt no pódio dos Trilhos Júnior, através de Jorge Soares, o vencedor
Visualize mais fotos sobre a prova aqui e aqui.
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Texto: Margarida Amaro – AMCF – Arrábida Trail Team
Fotos: Miro Cerqueira | prozis / Zé das Fotos