Banner superior
Coluna Dto
Coluna Esq
Coluna Esq

Deus desenhou montanhas quase perfeitas, por trilhos tortos

Agora que se inscreveram e vieram cá é para acabar… sem desculpas” foram estas as palavras sábias que nos foram transmitidas pelo amigo Armando Teixeira, embaixador do Andorra Ultra Trail e vencedor dos 83 km da prova Celestrail (umas das 5 distâncias que compunham o Andorra Ultra Trail).

Foi com este conselho na memória e com todo o entusiasmo que aquele ambiente transmite, que a prova foi encarada.

Equipa CTAD com Armando Teixeira

A partida

Foi uma verdadeira festa o que se viveu nos instantes antes da partida, um verdadeiro tributo ao trail na sua essência mais pura.

Os atletas foram o centro das atenções, onde tudo foi feito para elevar os seus níveis de adrenalina por forma encararem positivamente os muitos km que os esperavam.

As ruas coloridas, os cronómetros em contagem (das diversas provas já iniciadas), o relógio da torre bem iluminado, as conversas que se ouviam no ar dos milhares de pessoas que ali se encontravam, a música do grupo de precursão que tocava de forma entusiástica e o nervosismo que se sentia e ouvia no ar, vindo dos cerca de quinhentos atletas que se preparavam para partir, foram verdadeiras especiarias que condimentaram ainda mais, tudo o que se estava a viver.

Para que nada faltasse, a partida foi acompanhada por uma explosão de cores projetadas no céu, embelezando e engrandecendo ainda mais aquela partida.

A prova Celestrail

A noite estava fantástica para se correr, temperatura ótima que nos permitia correr com pouca roupa.

Os primeiros km foram feitos de forma rápida, pois eram planos e sem grandes dificuldades.

Mas rapidamente a primeira dificuldade apareceu, com uma subida lenta e longa que rapidamente colocou todos os atletas em fila indiana.

Quando olhávamos para trás, mais parecia que os pirilampos tinham adotado a postura de formiga, formando um carreiro de luzes de centenas de metros.

Depressa se percebeu que os Pirineus não iam ser meigos, a inclinação e a tecnicidade dos trilhos, davam sinais claros que a tarefa ia ser dura e árdua.

Trilhos fantásticos, subidas impiedosas, descidas alucinantes, com paisagens fabulosas foram sendo ultrapassados, passo a passo, salto a salto umas vezes a correr e outras (muitas) a andar, num carrossel de emoções, onde o importante é saber dominá-las.

O entusiasmo dos bons momentos pode-nos levar a excessos, mas os momentos depressivos são o nosso maior inimigo, tornando-se importante dominá-los, para nunca entrarmos em desespero.

Esta terá sido a chave, para que 288 atletas (dos quase 500 que iniciaram a Celestrail) conseguissem chegar ao fim.

As muitas desistências ocorridas, espelham a dureza da prova.

A tempestade

Ao início da tarde abateu-se, durante umas horas, sobre a montanha uma tempestade, com trovões, chuva torrencial acompanhada de granizo e ventos ciclónicos, obrigando os atletas a usarem a roupa obrigatória transportada nas suas mochilas.

Pela primeira vez vi-me obrigado a usar praticamente tudo o que tinha levado de agasalho, permitindo-me manter o meu corpo quente e desta forma defender-me de uma possível hipotermia.

Foi uma lição, com a alta montanha não se brinca, nem se facilita.

Resultados das diversas distâncias

Celestrail 83 km

O Atleta da Salomon Suunto Armando Teixeira precisou de apenas 10 horas e 55 minutos para terminar os 83 km da Clestrail. Foi a forma perfeita de voltar às provas após uma paragem forçada e a melhor maneira de retribuir o convite da organização para ser embaixador desta fantástica prova.

Aqui ficam algumas das palavras proferidas pelo atleta após a vitória

O percurso e as montanhas são de cortar a respiração, mas à beleza junta-se a dureza.

Este evento é perfeito, aqui existe cultura de montanha, respira-se natureza e liberdade, toda a organização e voluntários fazem sentir-nos em segurança e os atletas são tratados de forma muito pessoal e o ambiente é fantástico

Armando Teixeira

Em segundo lugar ficou David Rovira com o tempo de 11h05m e em terceiro Miikka-Pekka Rautiainen.

O português mais rápido a seguir a Armando Teixeira foi David Pinto que cortou a meta em 8.º lugar.

Ao pódio feminino subiu Maria Escudero com o tempo de 13h29m, seguida de Mary Gillie (14h) e de Severine Duhalde (14h27m).

Eufória 233 km

Jorge Serrazina e João Colaço

A corrida novidade desta 9.º edição do AUTV – a Eufória, teve como vencedores a dupla Nahuel Passerat e Julian Morcillo que completaram os 233 km com 20 000 metros de desnível positivo em 68 horas e 49 minutos. A dupla de franceses debateu-se com a dupla de checos Filip Siliar e Pavel Paloncy que acabaram por arrecadar o 2.º lugar.

Os portugueses mais rápidos em prova foram a dupla João Colaço e Jorge Serrazina que cortaram a meta em 12.º lugar após quase 71 horas em provas. Uma prova fantástica destes dois fantásticos atletas, numa prova de dureza extrema ao nível físico e psicológico.

Ronda dels Cims 170 km

Na Ronda dels Cims (170km com 13 500 m D+) a prova rainha, o vencedor foi Antoine Guillon com um tempo de 31horas e 5 minutos.

Os primeiros 3 terços da corrida foram liderados pelo compatriota Vivien Reynaud, que acabou por abandonar a corrida ao km 87, momento em que o Campeão do Mundo de Ultra Trail em 2015 tomou as rédeas da corrida até ao final, cruzando a meta a umas confortáveis 2 horas do catalão Pep Ballester que chegou em 2.º lugar.

O pódio ficou completo com a chegada de Yannick Gourdon.

Os portugueses brilharam e no top 10 ficaram José Silva (6.º lugar), Guilherme Lourenço (7.º lugar) e Hugo Gonçalves (9.º lugar).

No pódio feminino a italiana Lisa Borzan e a japonesa Kaori Niwa lideraram toda a corrida, mas Liza foi a mais rápida e cortou a meta em primeiro. Em terceiro ficou Marina Plavan.

Mitic 112 km

Na Mític com 112 km e 9700 metros de desnível positivo, o vencedor foi Sebas Sanchez, seguido de Vicente Parra e Luis Tejero.

O português mais rápido foi David Santos (16.º lugar).

A portuguesa Olivia de Sousa brilhou e conseguiu o 4.º lugar no pódio feminino, ficando atrás da vencedora Aida Fornieles, de Sabrina Solana (2.º lugar) e de Zhanna Andreeva (3.º lugar).

Marató dels Cims 42 km

Por fim a última prova competitiva a sair foi a Marató dels Cims, com 3000 D+, cujo vencedor foi Roberto Garcia, seguido de Pol Bertrand e de Adran Robert.

O português mais rápido em prova foi Pedro Miguel Correia (18.º lugar).

A mais rápida foi Queralt Ribe, seguida de Mila Duran e de Annie Baumber, Sara Garcia foi a portuguesa mais veloz, alcançando o 5.º lugar entre as meninas.

 

Para encerrar esta festa do trail que assenta nos pilares da solidariedade e superação, no domingo às 9h da manhã partiu a caminhada solidária – Solidaritrail com 10 km – onde todos puderam sentir a experiência de percorrer alguns trilhos das montanhas mágicas do pequeno país dos Pirinéus.

Equipa CTAD – Trilhos de Cinfães

Equipa CTAD

A nossa equipa CTAD – Trilhos de Cinfães fez-se representar em Andorra por três atletas: Tiago Leal, Isabel Almeida e Viriato Dias que foram acompanhados na viagem e em toda a sua preparação por outro atleta Alex Tondela que corre pelas cores do Beira Mar de Aveiro.

Tínhamos como objetivos disfrutar de tudo o que a prova nos ia proporcionar e sobretudo terminá-la.

Estes dois objetivos foram conseguidos e a satisfação no final foi enorme.

A Isabel Almeida voou nas montanhas e terminou a prova em 115º lugar com um tempo fantástico de 17h29, Tiago Leal alcançou o 124º lugar com um tempo de 17h47, Viriato Dias ficou em 171º lugar com 19h06 e por último Alex Tondela classificou-se em 247º lugar com 20h55.

Talvez 2018 traga uma segunda participação nesta fantástica prova.

Texto: Viriato Dias / Ana Águas
Fotos: Stephane Salerno / Morcillo / AUTV – Photossports

Sobre o Autor

Artigos relacionados

Deixe uma Resposta