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10 de Junho celebrado em Priscos com atletismo

10 de Junho, feriado nacional, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Dia de relembrar o passado, a glória das conquistas, a tradição…. Foi nesta premissa que a freguesia de Priscos apresentou mais uma edição do seu grande prémio de atletismo que fez certamente muitos dos presentes recordarem os tempos áureos do atletismo nesta freguesia bracarense.

10 de Junho, feriado nacional, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

O Grande Prémio de Atletismo de Priscos aconteceu no dia 10 de Junho pelas 9h30 e foi uma organização do Clube Desportivo e Cultural de Priscos (CDC Priscos). A compor a manhã desportiva esteve uma prova cronometrada na distância de sete quilómetros, diversas provas jovens e ainda uma caminhada sem fins competitivos para dar a conhecer a freguesia.

A equipa de OPraticante.pt esteve presente no evento e agora apresentamos as notas de como tudo decorreu.

Percurso exigente ao estilo da velha guarda popular

O GPA de Priscos teve partida e chegada no Largo padre Artur Lopes dos Santos e na prova principal do evento era proposto aos atletas um percurso na distância de sete quilómetros por entre algumas das principais ruas de Priscos e das freguesias vizinhas de Tadim, Fradelos e Vimieiro.

Prova popular que se preze apresenta sempre um percurso digno dessa estipulação, ou seja o percurso para além de ser curto apresenta sempre um conjunto de desafios, nomeadamente muita irregularidade de altimetria e sendo corrido em terrenos rurais, o piso muitas vezes não é favorável. O GPA de Priscos teve estas características todas e quem veio pensar que vinha fazer uma simples prova curta, teve de se aplicar mais um pouco.

Logo após a partida do largo junto à igreja, os atletas rumavam a histórica ponte das Alminhas em tom descendente num piso de empedrado traiçoeiro e na mesma toada de piso chegavam ao lugar de Ossada onde posteriormente entravam em terreno asfaltado para desce e sobe até junto da escola EB 2/3 em Tadim.

Foto: Mariana Gonçalves / Nuno Dias

Primeira grande dificuldade da prova

Na entrada do terceiro quilómetro de prova em Fradelos começava a primeira grande dificuldade da prova com a subida da N103-2 na zona de Carrasco e com a subida da AV 30. de Junho até ao túnel da A3 na entrada da freguesia de Vimeiro. A Avenida de Santa Ana é descida a grande velocidade até à passagem do quilómetro cinco de prova na ponte sobre o rio Este na rua de Santo Amaro.

Como diz o ditado em prova, se desces, vais acabar por subir, e o sexto quilómetro de prova é o segundo desafio do percurso com a subida até Macada que já ia fazendo mossa. Após a passagem lá no alto, era tempo de descer e acelerar para a meta, mas antes disso ainda havia a sempre trabalhosa e desgastante passagem na rua dos Abades.

Em suma, o percurso deste Grande Prémio de Atletismo de Priscos é um percurso exigente, como se diz na gíria, é um bom parte pernas com muito sobe e desce como é apanágio nestas provas. Os atletas têm de saber gerir bem as suas forças ao longo do percurso. Quem pensou que vinha a Priscos saborear um pudim neste percurso, enganou-se!

Foto: Mariana Gonçalves / Nuno Dias

Vencedores

Leandro Martins vence Grande Prémio de Atletismo de Priscos

A vitória no GPA de Priscos foi decidida somente nos últimos metros de prova e com apenas um segundo a separar o primeiro do segundo classificado. Na posição cimeira da prova e do escalão de Séniores ficou Leandro Martins da Escola de Atletismo Rosa Oliveira com 23:54min. Na segunda posição da prova ficou Paulo Morais do Águias da Misericórdia e em terceiro lugar Miguel Vieira do Movimento Juventude Merelim com 25:08min.

Em declarações à imprensa, o vencedor da prova mencionou que o perfil da prova apesar de ser duro, era do seu agrado e que o objectivo de futuro é focar-se na competição de pista para atingir mínimos para os campeonatos nacionais.

Foto: Mariana Gonçalves / Nuno Dias

Cecília Mouta vence competição feminina

Na vertente feminina do GPA de Priscos e no escalão de Séniores, a competição praticamente não existiu em relação à posição cimeira da prova. A vencedora da prova Cecília Mouta do Dumiense Xallenge Runners dominou de princípio a fim para cortar a linha de meta com 28:09min. A completar o pódio ficaram Liliana Santos do Dragon Club Atletismo com 34:21min e Paula Carvalho com 36:48min.

Veteranos

A prova teve somente um escalão de veteranos para masculinos e femininos. Na competição masculina a vitória foi para José Marques da Gulbenkian e na competição feminina para Rosa Oliveira da Escola de Atletismo Rosa Oliveira.

Foto: Mariana Gonçalves / Nuno Dias

Equipas

Na competição por equipas, a vitória sorriu ao Águias da Misericórdia com 14 pontos. Na segunda posição ficou os Dumiense Xallenge Runners com 56 pontos e na terceira posição os Amantes do Tacho com 134 pontos.

Foto: Mariana Gonçalves / Nuno Dias

Provas Jovens

O evento teve provas jovens. Eis os vencedores nas diversas provas:

Na competição masculina venceram Salvador Marques do Dragon Club Atletismo (Benjamins A), Leandro Gonçalves do Liberdade Futebol Club (Benjamins B), João Azevedo da Escola de Atletismo Rosa Oliveira (Infantis) e Rafael Castro da Escola de Atletismo Rosa Oliveira (Juvenis).

Na competição feminina triunfaram Margarida Silva do Dragon Club Atletismo (Benjamins A), Margarida Leitão da Escola de Atletismo Rosa Oliveira (Benjamins B) e Cátia Silva da Escola de Atletismo Rosa Oliveira (Juvenis)

Nota: Na competição de infantis em virtude de não haver atletas para competição feminina, estabeleceu-se escalão único.

Foto: Mariana Gonçalves / Nuno Dias

Evento com organização esforçada e disponível para evoluir

Nos últimos cinco anos, o Grande Prémio de Atletismo de Priscos teve a designação de Grande Prémio de Atletismo Braga – Priscos, uma prova de dez quilómetros entre a cidade e a aldeia. Neste ano de 2019, por uma questão financeira, com os elevados custos que implicava o policiamento da N14, a prova voltou às suas origens e aos moldes que a fizeram ficar famosa na década de 80, com uma prova somente na aldeia.

Uma prova de cariz popular não tem aquele aparato de uma prova de uma grande promotora, mas foi com satisfação que chegamos cedo ao local da prova e verificamos que já muita gente enchia o largo da igreja, desde atletas a simples espectadores. Estava um ambiente bem composto e tudo dava a prever que o evento seria um sucesso.

Foto: António Sousa

Este é o primeiro passo para uma prova evoluir

Era visível que o staff que constituía a organização da prova estava a fazer de tudo para proporcionar um bom evento. Desde a pessoa que ficava nos cruzamentos das estradas a controlar até ao pessoal do secretariado, passando mesmo pelos batedores das motos que iam a abrir caminho para as provas jovens. Era notório o esforço da organização e no final da prova em conversa com responsáveis era também visível a vontade e a abertura a sugestões para fazer a prova crescer. Esse é o primeiro passo para uma prova evoluir.

Foto: António Sousa

A organização permitia levantar o dorsal no dia da prova e este decorreu sem demoras e onde o atleta recebia um saco plástico com o dorsal com chip e uma t-shirt técnica laranja alusiva à prova. Após a prova, os atletas recebiam para além da medalha finisher, um abastecimento com água, maçã e pacote de bolachas. Para um preço de inscrição de seis euros, o que os atletas receberam está a um nível aceitável.

No local, todo o espaço estava bem isolado e com as suas valências bem definidas. No alto do largo estava o pódio como se quer, do lado o secretariado e com a partida sempre em linha de vista. Nas edições anteriores da prova, o local de chegada foi junto ao pavilhão gimnodesportivo numa estrada secundaria, portanto, a escolha para a partida e chegada da prova neste ano e espero que em anos futuros foi acertada já que o largo padre Artur Lopes dos Santos é o cartão de visita da aldeia.

Foto: Mariana Gonçalves / Nuno Dias

Boa moldura humana no Largo da Igreja

Como mencionado, desde cedo que o local de partida e chegada da prova teve uma boa moldura humana. Desde crianças que iam participar nas suas provas, atletas que já chegavam com antecedência para a prova principal, meros curiosos, espectadores atentos ao evento, foi bom ver o local cheio de alegria e animação.

Se nas primeiras horas da prova dominadas pelas provas jovens, a alegria e a ansiedade das crianças tomava conta do local, com o aproximar da hora da prova principal que saiu com algum atraso o ambiente já era de nostalgia e de respeito com muitos atletas veteranos a aproveitarem para reverem velhos conhecidos e tirarem aquela fotografia que fica para a história.

Foto: Mariana Gonçalves / Nuno Dias

É este misto de idades, posturas perante as provas, perante a vida, que fazem estas simples provas populares de atletismo sempre repletas de histórias e vivências.

Ao terminar a prova, foi bom ver na linha de chegada e no café junto à estrada, muita gente a aplaudir quem chegava à meta e até com direito a hi5 de crianças. Assim nem custa terminar a prova e quando se termina assim fica-se com uma impressão agradável da prova, pois a última impressão é que conta.

Foto: António Sousa

Pouco apoio nas estradas

Se tenho de elogiar a moldura humana que estava junto à partida e chegada da prova, o mesmo não posso dizer sobre o cenário ao longo do percurso. Não que o mal seja somente de Priscos, não, o mal já é generalizado pelo país. Há certos lugares que quando passa uma prova de atletismo na rua, as pessoas parecem que estão a ver extraterrestres a passar.

Nesta prova pouco se apoio se viu ao longo dos sete quilómetros de prova, umas palmas numa casa em Ossada, uns força num cruzamento por parte de uma família em Fradelos, um habitante de Vimieiro que refrescava os atletas com uma mangueira de água e pouco mais há a dizer sobre o apoio visto.

Em termos de organização do percurso, nada de errado há a apontar. Todos os cruzamentos ao longo do percurso sempre isolados e com voluntários presentes. A prova teve dois abastecimentos de águas, ao km 2.5 e km 5, o que é raro de acontecer numa prova curta. De notar que quem estava nos abastecimentos tinha a preocupação de recolher as garrafas de água que os atletas iam deitando ao chão. Nota ainda para o facto de as águas estarem muito gelada.

Foto: António Sousa

Porque os atletas jovens são o futuro….

Quem acompanha os meus artigos de provas, sabe que defendo que todas as provas devem promover uma corrida jovem antes da prova principal. Tem que se apostar no desporto jovem para melhorar os índices de vida dos mais novos que mais tarde vão ser o futuro do país.

O CDC Priscos sendo um clube formador na área de atletismo, está de parabéns por apostar nas provas jovens no seu evento anual de atletismo e faço votos para que assim continue por muitos anos.

Foto: Mariana Gonçalves / Nuno Dias

Grande Prémio de Atletismo de Priscos – uma prova que pode evoluir muito se assim o quiserem

O Grande Prémio de Atletismo de Priscos voltou este ano às suas origens. A competição focou-se nas ruas da aldeia, pois é nelas que está concentrada a história da prova que ficou famosa na década de 80. A comprovar isso está o facto de do CDC Priscos ter recebido da Associação de Atletismo de Braga o troféu que foi entregue na primeira edição da prova e que agora volta a casa.

Festa é festa, nostalgia é nostalgia, mas nos tempos que vivemos, o que conta no final de contas são os números e se a prova foi viável financeiramente. Aí nesse ponto, os números não mentem e as duas últimas edições da prova tiveram baixos números de adesão na prova principal, 128 finalizadores o ano passado e neste ano apenas 112. É preciso fazer algo para levar a prova a bom porto.

Foto: Mariana Gonçalves / Nuno Dias

Sugestões para melhorar

Pessoalmente depois de ter estado à conversa com elementos da organização após a prova, creio que há essa abertura para essas melhorias e não sendo de todo um especialista na área, mas sendo alguém que vai vendo como funciona este meio, deixo aqui algumas sugestões:

A data da prova é mal escolhida, junto a um dos fins de semana com mais provas a norte, certamente que a adesão ia ser curta. Dei a sugestão de colocar a prova por alturas da celebração do São Tiago que se celebra na aldeia.

Foto: Mariana Gonçalves / Nuno Dias

Apostar em alguns prémios monetários. Quem anda neste ramo, sabe perfeitamente do que falo, acho que não é preciso dizer muito.

Aumentar o número de escalões da prova. Quem faz a prova são sobretudo os atletas veteranos. Não faz sentido somente colocar um escalão de veteranos.

Mas acima de tudo o que devem fazer melhor é promover a prova. Uma prova promovida um mês antes, é meio caminho andado para ter baixa adesão. Esta prova necessita de mais e melhor divulgação.

Nuno Fernandes – Foto: António Sousa

Evento foi um sucesso

No final da prova, o responsável pelo atletismo do CDC Priscos, José Maria disse que o evento foi um sucesso, que se conseguiu reunir no total cerca de 400 participantes e que há vontade de no próximo ano de fazer mais e melhor. É esse o espírito que se deve ter e não tenho dúvidas que com as mudanças certas e mais divulgação a prova vai melhorar e muito.

Texto: Nuno Fernandes
Fotos: António Sousa / Mariana Gonçalves / Nuno Dias

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