ISAAC NADER CAMPEÃO DO MUNDO
Isaac Nader - Foto: FPA / Sportmedia
O momento maior aconteceu na última prova do dia, os 1500 metros. Numa corrida emocionante até ao final, o recordista nacional Isaac Nader esteve sempre no grupo da frente, em posição de luta quando o ritmo aquecesse.
Isaac Nader as palavras do campeão
A faltar 200 metros, Isaac começou a colocar-se em posição de resposta e nos últimos 60 metros foi galgando metros a alta velocidade e ultrapassou toda a gente para se sagrar campeão do Mundo, com a marca de 3m34s10”, com Jake Wightman (GBR) a ser segundo em 3.34,12, e o queniano Reynold Cheruiyot a ser terceiro em 3.34,25.
«Estou um pouco cansado, emocionalmente muito em baixo, mas muito contente, muito feliz.
Já levo algum tempo a dizer que este é o meu sonho, ganhar uma medalha, já tenho duas.
Hoje sou campeão do Mundo, só há um título maior que este, ser campeão olímpico.
Até acredito que ser bronze nos Jogos é melhor que ser campeão», referiu.
«Já calei muita gente que dizia que o Isaac não podia ganhar, mas o que importa é que eu, a Salomé, a minha família, o meu treinador, e as pessoas que acreditam realmente em mim, sempre tivemos paciência.
O que eu dizia há dois dias, cada vez tenho menos nervosismo, cada vez coloco menos pressão em mim próprio.
É uma corrida de cada vez”, continuou.
Respeito pelos adversários e confiança no trabalho
Ao longo das muitas entrevistas que deu (a prova terminou pouco depois das 22h30 e eram meia noite e meia ainda estava a dar entrevistas), Isaac foi repetindo o que sempre dissera antes das provas, que esta final seria mais aberta, que «os 14 atletas eram todos capazes de lutar pelas medalhas», mas ele não tinha receio algum:
«Respeitando todos os atletas sabíamos o trabalho que fizemos e apenas o triunfo estava na minha cabeça», adiantou.
Sobre o sprint final, acrescentou: «Desta vez não olhei para trás, sabia que ninguém vinha atrás de mim, só me preocupei com a meta».
Receção calorosa e felicitações oficiais
No final da prova, eram vários os portugueses e elementos da comitiva à espera de Isaac Nader para o felicitar, entre eles o presidente da FPA, Domingos Castro, o vice-presidente Sérgio Guedes, o team leader Ricardo Vale, o treinador Enrique Pascual e as atletas Salomé Afonso e Fatoumata Diallo.
A receção foi emotiva e os parabéns e as felicitações foram chovendo.
Até mesmo o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou o campeão do Mundo, em nota oficial publicada:
«É com um enorme orgulho que o Presidente da República congratula Isaac Nader, pela conquista da medalha de ouro nos 1.500 metros nos Campeonatos do Mundo de Atletismo, que estão a decorrer em Tóquio, no Japão. […]
Em nome de Portugal e dos portugueses, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa agradece ao atleta, à sua equipa técnica e à Federação Portuguesa de Atletismo todo o trabalho e dedicação que nos permite ver a Bandeira Nacional ser elevada, em Tóquio, ao som de “A Portuguesa”».
Pichardo apurado para a final do triplo-salto
No triplo-salto, Pedro Pichardo apurou-se para a final, saltando 17,09 metros (ficou a um centímetro da marca de qualificação direta) ao segundo ensaio.
Observando a competição, prescindiu do terceiro ensaio.
«Esta é uma pista que me diz muito. Foi aqui que me sagrei campeão olímpico pela primeira vez, a diferença é que agora já temos público», afirmou o atleta, que confessou ter feito «um erro técnico que levou a que não me conseguisse apurar logo ao primeiro salto.
Não fiz o aquecimento como deveria ter feito.
Depois, na competição, o meu pai e treinador chamou-me a atenção e corrigimos um pouco e já saltei melhor».
Para a final de sexta-feira (às 12h50, hora portuguesa), garantiu:
«Não vou cometer os mesmos erros e, para nós saltadores e lançadores, o apoio do público é muito importante.
Por isso, como sempre, vou saltar para vencer.
É o que trago no meu pensamento e não penso em marcas, apenas em vencer».
Tiago Pereira falha a final
Já Tiago Pereira não conseguiu o apuramento para a final do triplo, saindo de Tóquio com três ensaios nulos.
«Nos treinos estava a sentir-me bem, sem limitações, mas a verdade é que não consegui marcar nenhum salto.
Há dias assim, desde que comecei nos mundiais [2022] nunca tinha falhado uma final», disse no final da sua competição.




