Bairrada Ultra Marathon 150, que belo postal de Portugal

Bairrada Ultra

Muito ouvi dizer, falar e comentar acerca da “ Bairrada Ultra Marathon 150 ”, o que desde logo me fez ficar com a “pulga atrás da orelha” em propor-me a tamanho desafio, não só pelas paisagens deslumbrantes que me descreveram, mas também pela prova física e técnica que leva os atletas participantes a superarem-se.

Cedo começou a prova com gravação meses antes de vídeos de apresentação de alguns participantes, orgulhosos de irem participar na prova, sendo que para uns seria a primeira vez e seguiriam os instintos pessoais ou os relatos daqueles que já lá tinham ido em anteriores edições … e voltaram este ano de 2019.

Viagem até Águeda, a cidade que acolhe a 5ª edição do evento denominado “ Bairrada Ultra Marathon 150 ”, cidade que é parte integrante da rota da Bairrada e do leitão assado e dos vinhos frisantes fresquíssimos, que seriam um dos prémios à espera dos atletas quando terminassem a prova – cerca de 750 inscritos, sendo que 500 participavam a solo e 250 em duplas e triplas.

Bairrada Ultra Marathon 150

A “ Bairrada Ultra Marathon 150 ” dava a possibilidade aos participantes de se inscreverem em vários formatos: a solo cumprindo, os 150km; em dupla e triplas com 75km e 50km respetivamente por atleta na versão estafeta.

Como referido, viagem até ao local da prova na véspera para pernoita no pavilhão do GICA, local que a organização, a cargo da Câmara Municipal de Águeda, da Imobiliária Medicértima e do Sérgio Varela, disponibilizou aos atletas participantes na B150, uma vez que a prova teria o tiro de partida apontado para as 7h do sábado, dia 11 de maio. Para tal os atletas teriam de se fazer acompanhar de colchão e saco cama.

Antes de se deitarem para descansar, todos tiveram à sua disposição um reforço alimentar do qual se podia degustar canja, pão, carnes assadas, bebidas e cafés, mas acima de tudo entrar no espírito da “coisa” e confraternizar com todos aqueles já no local se encontravam. Cumprimentos aqui e ali a muitas caras conhecidas destas andanças – algumas uns habitués deste tipo de provas – e siga para a cama que a alvorada seria dada cedo.

O inicio do “ Bairrada Ultra Marathon 150

De manhã cedo começou o burburinho habitual com uns a acordarem, outros a chegarem e todos com o mesmo destino: os belos e duros trilhos que a organização tinha preparado para os atletas. Para quem não tinha levantado os frontais no dia anterior, foi igualmente rápido e célere fazê-lo, o que permitiu que os horários propostos fossem cumpridos e, assim, estivessem todos os atletas alinhados na manga de partida para o início da prova às 7h.

Percorridos os primeiros quilómetros da prova pelas artérias da cidade, seguindo a viatura da organização, rapidamente se entrou nos trilhos e aí começou a navegação por GPS, única forma de seguir o percurso e que serviria não só de controlo no final ,caso suscitassem dúvidas quanto ao total cumprimento do percurso, mas que permite também acabar com as fitas, sendo que, em todos os locais em que se considerou necessário, a organização tinha muitos elementos assim como placas indicativas de todos os perigos que pudessem surgir.

Os primeiros 30km da prova foram rolantes e sem qualquer tipo de dificuldade, permitindo que se formassem pequenos grupos, o que alongou e distribuiu os atletas pelo percurso.

Pouco antes dos 50km, local de transição das triplas e coincidente com o primeiro abastecimento, surgiu o primeiro desafio numa subida com cerca de 10km.

Organização não deixou por créditos alheios a fama

Em todos os abastecimentos, a organização não deixou por créditos alheios a fama e ofereceu de tudo aos participantes: comida, bebida, apoio mecânico (e moral) e até uma mini discoteca para que todos pudessem descontrair e preparar para, agora sim, o início da dureza e dos inúmeros trilhos e single tracks que fizeram a delícia de todos, do mais miúdo e miúda ao graúdo e graúda! Todos se divertiram – o que se podia confirmar pelos comentários e gritos de prazer e alegria que aqui e ali os atletas soltavam.

Prosseguimos num traçado de sobe e desce constante, dificultado pela chuva que caiu nos dias anteriores à prova e que tornou o terreno um tanto ao quanto pesado – mas é disso que a malta gosta!

Seguiu-se o abastecimento dos 75km, ponto de transição das duplas e novamente uma bancada repleta de comida e bebida e nova animação a cargo de bateristas… A festa estava animada, pesasse, todavia, o estado físico debilitado com que muitos já se deparavam, mas, ainda assim, seguiram seu rumo.

Continuou o show de trilhos e rapidamente se chegou aos 100km de prova com novo abastecimento e onde se daria a ultima transição das triplas e iriam surgir as maiores dificuldades do dia: a subida ao miradouro do Junqueiro com os seus 28% de inclinação num alcatrão novíssimo mas que ainda assim tinha um grau de dificuldade extremo (ou não levassem já nas pernas 105km de prova) e, seguidamente, a ascensão ao ponto mais alto da prova no Caramulinho com os seus cerca de 1000 metros de altitude (para lá chegar os atletas tiveram de superar uma subida em pedra molhada e com lama – tudo isto em 12km).

Deslumbrante a vista a 360º

Chegados ao topo do Caramulinho era deslumbrante a vista a 360º que não deixou ninguém indiferente a tamanha beleza natural – aliás, uma constante durante o percurso desta 5ª edição da “ Bairrada Ultra Marathon 150 ”.

Aqui sim: os atletas já podiam respirar fundo pois pela frente tinham 32km em descida até à meta, sendo que aos 134km de prova ainda tiveram direito a um abastecimento que, depois da longa e dura subida, lhes soube “pela vida”.

Descida a velocidades alucinantes sempre com indicações de perigos, ganchos arrepiantes, trilhos fenomenais como até aqui e rapidamente estávamos a entrar na cidade de Águeda onde terminava a edição 2019 da “ Bairrada Ultra Marathon 150 ”. Ainda antes de se cortar a meta já se comentava que na 4ª edição a presença era quase certa tal a qualidade e categoria com que a organização idealizou este evento (a saber: no dia seguinte ao terminar da prova já se encontrava em curso a idealização e preparação da edição 2020).

A edição mais dura física e tecnicamente

Aquando do corte da meta, uma vez mais os atletas tinham à sua disposição um reforço alimentar e líquido. Foi unanime entre todos que esta foi a edição mais dura física e tecnicamente, mas, sem dúvida alguma, a mais bela e desafiante – o que se pode comprovar pelos números: dos 500 atletas a solo que iniciaram a prova, apenas 351 a conseguiram terminar!

Todos os participantes tinham à disposição banhos quentes no pavilhão do GICA e, para quem assim optou aquando da inscrição no evento, o almoço que tinha como ementa, e não podia deixar de ser, Leitão assado da Bairrada (o que por momentos fez esquecer as “agradáveis” dores no corpo proporcionadas por este evento).

Bairrada Ultra Marathon 150

E os vencedores foram

Na prova masculina o grande vencedor foi Nelson Sousa – Team Bike Brothers / Trek / Catlike com o tempo de 07h14m09seg, seguido de Sérgio Ribeiro – Ribeiro´S Bikeshop – 07h19m26s e Tiago Clamote – Vasconha BTT Vouzela – 07h19m28s, que proporcionaram espactáculo com a sua ponta final para obterem a melhor classificação.

Já na prova feminina a vencedora foi Ilda Pereira – Casa Myzé Team – 09h30m59s com o tempo de 9h30m59seg seguida de Catarina Simões – individual – 11h07m35s e Rosa Fernandes – Mouquim / Afacycles / Eugénios / Bargauto / Cosmocar – 14h33m31s.

Quanto às restantes classificações por escalões, onde se incluem as Duplas e Triplas, os vencedores foram Rui Correia / Marcelo Almeida – Indelague / Joni´S Bike / Megafone A – 2 – 067h46m12s nas duplas e nas triplas Igor / Licinio e Diogo – Clube Btt Agueda/Fundiven A – 3 foram os vencedores, podendo ser todas as classificações aqui. https://stopandgo.com.pt/timing/?id=321

Ricardo Saraiva e Paulo Monteiro representantes de OPraticante.pt

Nesta prova OPraticante.pt esteve representado por Ricardo Saraiva e Paulo Monteiro que terminaram a prova respetivamente no 90 e 150º lugar da geral

Que belo postal de Portugal

No final foi possível colher a opinião acerca da prova pela vencedora feminina Ilda Pereira:
– “Tal como já tive a oportunidade de dizer, há muito que namorava a Bairrada Ultra Marathon 150 e o que vim encontrar nesta prova não defraudou as minhas expectativas!
Para mim para o sucesso dum evento é essencial a simpatia do staff (a alegria no trabalho que estão a fazer), bons abastecimentos e devidas indicações.
Tudo isso e muito mais está na Bairrada Ultra Marathon 150.

Disse e volto a dizer: “Que belo postal de Portugal nos fornece os trilhos por onde passamos! Um encanto de país à beira mar plantado! Agora que fui convidada para madrinha da edição de 2020, espero poder partilhar nos trilhos com os amantes do BTT este grande evento!

 

Uma mancha de betetista do melhor

Já para Henrique Resende da organização da prova, em fase de rescaldo da edição 2019 e já na preparação para a edição 2020 disse que “Foi um ano duro de reconhecimento de trilhos.
Mas achei que este ano poderia subir a fasquia relativamente à animação do B150…. e foi mesmo possível na maior Ultra de Portugal tem um espírito de festa…
Tornou-se uma verdadeira loucura ver os betetistas, voluntários, público a divertir-se com a prova, mesmo a pararem para poderem tocar bateria… até as colunas sem fios fizeram milagres nos abastecimentos!
Como referi no final foi uma Ultra que me encheu o coração, desde uma equipa fabulosa de voluntários, 85!!!excelente!!!

Concluindo “Uma mancha de betetista do melhor… em conclusão, é unanime em palavras dos atletas que esta foi uma das melhoras provas nacionais.
Vamos trabalhar para a sexta edição ser ainda mais marcante que a de 2019… estamos cá para continuar a deixar marca no BTT nacional e sempre com o mesmo lema… evento em que o lucro reverte a favor de instituições.
Obrigado a todos e até Maio de 2020.

E brevemente iremos também publicar o testemunho do vencedor Nelson Sousa, que nos trará um relato excepcional sob o seu ponto de vista do evento.

Sitio oficial do evento.

Página do evento.

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Texto: Ricardo Saraiva
Fotos: Cedidas pela organização

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