Célia Azenha e os 866 Km da Transpyrenea

Dos Cinco portugueses que entraram nesta aventura, a que muitos dos que a têm acompanhado chamam de ” Loucura”, três ainda estão em competição, a resistir e estando mesmo muito perto do final. O principal fator de desistências tem sido o tipo de terreno, a altimetria e as condições meteorológicas que se fazem sentir: tempestade, nevoeiro e fortes chuvas. A tempestade faz as suas vítimas de hipotermia, mas os pés fazem a maior parte das vítimas.

João Oliveira, mesmo depois de se ter perdido duas vezes, continua na luta a tentar concluir os cerca de 866 km no menor tempo possivel, indo neste momento na 14ª posição, no ponto de controlo 19 (727 kms). João não conseguiu ir atrás da vitória, depois de se perder pela segunda vez, devido ao cansaço acumulado e ao estado dos pés.

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Jorge Serrazina e João Colaço já não seguem juntos. Colaço aproveitou para parar num abrigo de montanha depois do CP13 (463 kms) para descansar mais um pouco e Serrazina seguiu tendo já passado a terceira e ultima base de vida (678kms) no 33º lugar. Colaço já ultrapassou o CP 17 (606 kms) na 45ª posição.

O português Daniel Dias começou muito bem mas não conseguiu atingir o CP9 (323 kms), tendo desistido.

Tivemos a oportunidade de falar com Célia Azenha que já chegou a Portugal , após ter abandonado a prova depois da primeira base de vida (166 kms), que nos relatou a sua aventura neste evento.

Célia Azenha e a sua relação com a Transpyrenea

Célia Azenha decidiu aos aos 51 anos aventurar-se nos Pirinéus. Corre desde 1998, há 18 anos. “Corri a 1ª maratona de montanha (Maratona de Alfondeguilla- Espanha) e de estrada a Maratona dos Descobrimentos, ambas em 2001”, sendo as primeiras Maratonas de muitas.

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Como conheceu a Transpyrenea e o que a motivou a inscrever-se?

Conheci a prova através de amigos e inscrevi-me por ser uma novidade neste tipo de desporto

Como se preparou?

Fiz cerca de 1700 km em provas desde o inicio do ano, algumas de 100 km, 160 km como preparação (GR10 – Xtrem; Circuito do Território Centro; La mission – patagónia; Peneda -Geres Trial adventure ; 100Km de Portalegre; Estrela Grande Trail; Oh Meu Deus 160km; a Freita, entre outras.)

Quais foram as maiores dificuldades que sentiu nesta prova?

A falta de conhecimento do GPS, não estando no regulamento da prova como material obrigatório, era obrigatório ter conhecimento desse equipamento para prosseguir no trilho certo; o peso ás costas, dormir ao relento…os poucos recursos da organização em orientar os participantes.

Como são as paisagens?

Fabulosas. As condições climatéricas na montanha, como todos destas andanças sabemos, podem mudar o panorama de um momento para o outo. Assim, sem sinalizações específicas da prova (era necessária “ler” as marcas de GR10) era difícil prosseguir.

Alguma história que queira contar?

Tive muita sorte de durante o temporal que se fez sentir por encontrar um refúgio muito acolhedor e que me ajudaram a regressar á Base de vida no momento em que decidi abandonar a prova.

Se para o ano esta prova voltasse a realizar-se ia outra vez?

Não, nos moldes deste ano, não

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Foto de: Paulo César Borges

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