Ultra Melides / Tróia com vencedores repetidos

A história desta competição desportiva, 12ª edição da Ultra Maratona Atlântica Melides / Tróia,  começa no ano de 1987, com a designação de “Raid Pedestre Tróia – Melides”, uma corrida inspirada na celebre Marathon de Sables, podendo ser visualizada a reportagem aqui.

As características associadas à Ultra Maratona Atlântica Melides – Tróia, pela dureza e dificuldade de progressão no terreno, pelas condições de participação muito próprias e pelo cenário envolvente, com o oceano Atlântico, a serra da Arrábida e as dunas douradas a marcarem presença em cada passada dada pelo atleta, tornam a competição num evento singular, no panorama europeu das corridas de aventura e de longa distância, um aliciante para os participantes.

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Chantal Xhervelle uma das totalistas da Ultra

Antes de falar propriamente da prova, vamos falar de uma atleta, de uma referência, de uma dos únicos cinco atletas totalistas deste evento na distância da Ultra, Chantal Xhervelle, atleta com quem já tínhamos tido oportunidade de conversar (visualize aqui) e voltámos, com muito gosto, a fazê-lo de novo, transmitindo-nos a sua experiência desta edição Este ano, encontramos um piso difícil durante os 12 – 15 primeiros kms com um piso solto e monumental mole, estive bem até à Comporta, depois comecei a sofrer com o calor intenso que se fazia sentir, sem vento, nem uma brisa, tive tonturas. Pela primeira vez de todas as edições, tive que parar na Comporta, recebi água fresca, tão bom! Depois recuperar, decidi acabar a prova sem mais objectivo competitivo. O 75º Geral / 8ª F / 3ª escalão Vet II foi magnifico” a terminar, concluiu Para mim este ano foi muito duro, o piso, o calor sem vento, muita gente nas praias conhecidas, grande confusão. A organização foi excelente, sempre com atenção para todos os atletas, recebemos água fresca, todos os atletas ficaram muito felizes para essa atenção fantástica. O que foi diferente este ano, só o primeiro de cada escalão recebeu um troféu.

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José Gaspar segundo ano consecutivo a vencer a Ultra

José Gaspar – Clube de Atletismo Odimarq venceu pelo segundo ano consecutivo da Ultra Maratona Atlântica Melides / Tróia com tempo de 3h04m32, em segundo foi Mário Cassaca, do mesmo clube, com o tempo de 3:08;36 e terceiro ficou Nuno Carpinteiro – Clube Kainagua – 3:11;33.

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José Gaspar disse à nossa equipa de reportagem Sim, foi muito bom voltar a ganhar a Ultra Melides/Tróia, sinceramente sinto-me lisonjeado por já pertencer ao quadro de honra dos vencedores nesta mítica distância única em Portugal, realizada em areia, e demonstra que é necessário ter muita força e sobretudo muito sacrifício, e também de elogiar todas as pessoas, que estavam a dar uma palavra de força de carinho, no decorrer da prova e como não posso deixar de falar em todo o staff, estiveram de parabéns.”
Em relação a ter piorado a sua marca em relação a 2015 disse “Perdi substancialmente quatro minutos a 2015, este ano a prova foi mais difícil, devido à maré alta, mas sobretudo à alta temperatura “Calor” que estava nesse dia, foi o que me inibiu para não conseguir realizar com êxito uma melhor marca.”
Por ultimo confessou o que o motiva Muito bem dito o que me motiva e o que me vai motivar para voltar para o próximo ano, é tentar conseguir ser mais uma vez ser o vencedor desta mítica distância única em Portugal,e sobretudo tentar bater o seu recorde, mas com a ajuda de todas as pessoas que tenho em meu redor da minha família, e do clube o Sr Martins vou tentar ao máximo dar mais uma alegria com uma vitória.”

Patrícia Serafim cinco presenças, quarta vitória consecutiva

Em femininos Patrícia Serafim – Beja Atlético Clube, estabeleceu um novo recorde feminino. A vencedora da prova nos anos 2013, 2014 e 2015 foi a primeira da geral feminina a chegar à meta com o tempo de 3h30;46, Liliana Veríssimo – Clube Sapateira Team – Algarve, foi a segunda com o tempo de 4:12;24 e a fechar o pódio Amélia Costa – CCR Alto Moinho com o tempo de 4:14;03.

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Patrícia Serafim concedeu a O Praticante a honra de ouvir as suas declarações Já é a quinta vez que faço a Ultra Maratona Atlântica Melides / Troia e a quarta vez (consecutiva) que a venço, é uma prova única de extrema dureza, tanto por ser em areia como pelas condições climatéricas exigentes, o que me cativa bastante.” acrescentou Esta é uma prova que tem um cenário único de uma grande extensão de areia, onde se testa a resistência física e a psicológica de cada atleta. Estou muito contente pela minha vitória, foi o resultado de muito treino obtido no início da época e algum trabalho mais específico para esta prova elaborado pelo meu treinador.” sobre o apoio dos veraneantes que se encontram nas várias praias por onde o evento passa O apoio nas praias foi crucial, havia imensa gente a bater palmas à nossa passagem e a incentivar, o que nos motiva para continuar apesar das dificuldades que cada atleta vai passando com o decorrer da prova. Acho esse apoio muito importante, principalmente quando se vai a passar por uma fase e desgaste físico extremo em que o sofrimento instala-se e que no momento em que se ouve um apoio, por pequeno que seja, esse sofrimento até parece que fica para segundo plano.” terminando que Sim, para o próximo ano quero estar de volta para tentar a minha quinta vitória consecutiva.”

Colectivamente o Clube de Atletismo Odimarq com 10 pontos foi o vencedor por equipas na prova da Ultra disputada por 207 atletas, os lugares seguintes foram ocupados por Beja Atlético Clube – 24 pts e Monsanto Running Team 51 pts.

Corrida Atlântica triplicou número de participantes

No ano de 2014 surgiu a 1ª edição da Corrida Atlântica Comporta – Tróia com a distância de 15km e com o objectivo de ir ao encontro dos atletas com menor condição física e psicológica, consequentemente ainda não preparados para concluir com sucesso os 43 km da Ultra Maratona Atlântica Melides – Tróia, que se repetiu em 2015 e este ano, com sucesso.

Paulo Guerra vencedor sem compromisso

Paulo Guerra conhecido atleta, foi o padrinho da prova, tendo participado nesta distância e confessou-nos A minha participação foi melhor do que estava à espera, pois entrei na corrida para me divertir e acabei ganhando no meu escalão e 4 lugar na geral. As sensações foram excelentes pois recordei os corta Matos com lama, mas sem compromissos, bem diferente de antes. Claro que vou repetir, correr nas maravilhosas praias da costa vicentina é lindo em todos aspectos, esta organização, esta região merecem o êxito que alcançaram.”

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Jorge Robalo o vencedor estreante

Nos 15 kms da Corrida Atlântica, que se realizou pela terceira vez, quase que triplicou o número de participantes, no total alinharam à partida na praia da Comporta 233 atletas, e o vencedor Jorge Robalo – Clube de Atletismo Vale Figueira necessitou de somente 55 minutos e 31 segundos, para percorrer a distância, Celso Graciano – Beja Atlético Clube – 55;38, terminou no lugar imediato, com Pedro Marques – O Praticante – 57;36 a subir também ao pódio em terceiro.

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Jorge Robalo no final da sua prova era um homem feliz “Foi a primeira vez que fiz esta prova, e ser vencedor é uma felicidade.” manifestando ainda “Para ser sincero só conhecia esta prova pela ultra maratona os 43km, não sabia que existia uma de 15km. Quando soube que também organizavam a de 15km e com a falta de provas nesta altura do ano e com a tabela monetária aos três primeiros a ser atractiva, optei por me inscrever, já no ultimo dia de inscrições abertas. Pensei vou à aventura tentar o pódio, não tinha nada a perder, senão desse ficava a experiência. Não fiz nenhum treino especifico na praia,e apenas fiz 2 treinos com o cinto de bidons (água) para experimentar.
Gostei da prova, gostei de correr na praia, a organização esteve impecável(apenas atrasou-se na entrega de prémios), o transporte para a prova, que a organização disponibiliza penso que devia ser gratuito, o facto de ficarem com os nossos pertences na Comporta e levarem até à zona de meta é muito bom e correu tudo bem. O facto de ser uma prova em autonomia em termos de hidratação torna-se mais interessante. Das recomendações que a organização faz penso que fui o único dos dez primeiros da geral a levar hidratação, e fez-me falta, não levei chapéu nem óculos de sol, nem coloquei protector solar, achei que me prejudicaria.
Uma prova a repetir para o ano sem dúvida se não houver nenhum contratempo.
A vitória foi ao sprint poderia ter sido um dos dois calhou-me a mim. Viemos sempre os dois desde os 5km,o Celso (2ºclassificado) veio sempre aos esticões consegui sempre responder a todos os ataques dele, vim sempre mais resguardado, tentei fugir aos 13,5km quando já se consegue ver ao longe o pórtico da meta, não consegui, então achei que iria ser ao sprint ou até um dos dois perder as forças…foi ao sprint e venci eu.” sobre o apoio das pessoas nas praias disse “Só já mais perto da meta, talvez nos últimos 3km, é que se começaram a ver algumas pessoas na praia, as poucas que estavam apoiaram e incentivaram batendo palmas, na zona de meta, sim, já estavam bastantes pessoas e todas a gritar empolgadas com nosso sprint final.”

Inês Marques terceira vitória consecutiva

Em femininos, Inês Marques do ACRSD, repetiu o triunfo das duas edições anteriores, conquistou a primeira posição com o tempo de 1h06m35, segiu-se Céu Nunes – Clube Correr Lisboa – 1:10;23 e em terceiro ficou Carla Dias – AC Portalegre/ UTSM – 1:10;41.

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Ouvimos Inês Marques que nos disse qual é o sabor de repetir a vitória “Vencer todas as edições desde que a corrida se realiza é certamente gratificante. Demorei mais 3min do que o ano passado a completar os 15km, devendo-se ao facto de não estar em forma, bem como às condições que se fizeram sentir.” salientou as diferenças que sentiu em relação a 2015 “Este ano, a areia estava mais mole e o piso mais inclinado no início da prova, o que dificultou a progressão. Para além do piso, a maré ainda estava alta quando partimos, pelo que andei a fugir das ondas para não molhar os ténis. Porém, à medida que nos fomos afastando da praia da Comporta, a areia começou a ficar mais dura.
Penso que a nível competitivo esta edição esteve também mais forte.” e a terminar deixou a sua opinião sobre o que pensa sobre estas provas “É uma prova diferente do normal. Tem algumas componentes incontroláveis, tais como o estado do piso, as marés, o calor,… o que se torna aliciante para mim. Gosto de variar o tipo de provas onde participo, desde o trail (o que mais adoro) até à pista. Correr na praia é desafiante, mas ao mesmo tempo relaxante, através do som do mar e da vista com que somos presenteados ao longo da prova.”

Colectivamente o Beja Atlético Clube que tinha sido segundo classificado na Ultra, foi o vencedor por equipas na Corrida Atlântica com 44 pontos, SR Jardoeira / Runcrosstrail.com ocupou o lugar segunte com 47 pts e o vencedor da Ultra fechou o pódio com 54 pts, a equipa de O Praticante obteve o 8º lugar com 189 ps,entre 18 equipas que pontuaram.

O Praticante esteve representado por meia dúzia de atletas, com destaque para o Pedro Marques 3º Geral / 3º M / 2º escalão Sén na Corrida Atlântica, onde Cátia Serôdio obteve o 48º geral / 4ª F / 4ª Escalão Sén – 1h13m14s, Carlos Gasopo – 138º G / 118º M / 16º escalão Vet IV – 1:32;10, Carlos Figueira – 193º G / 155º M / 25º escalão Vet IV – 1:49;01 e Miguel Silva – 202º G / 160º M – 41º Sén – 1:51;27, na Ultra Maratona Atlântica o unico representante Silvestre Demétrio obteve 4h37m13s na 45ª geral / 41º M / 7º escalão VET III.

O Praticante no pódio com Pedro Marques

Pedro Marques o melhor representante de O Praticante manifestou através das suas palavras a sua satisfação por se ter superado e alcançado o pódio nesta sua primeira experiência “Depois de vários relatos de amigo(a)s que já correram nesta prova, tanto na Ultra como na Corrida Atlântica, tinha o objectivo de há algum tempo participar na prova, mas na distância curta. Nesta edição de 2016 parece que houve um aumento significativo de inscrições e também de nível competitivo. A prova saiu a um bom ritmo, embora o primeiro km tenha sido o mais lento, devido à partida ter sido efectuada em areia solta e a inclinação para o mar bem acentuada. Cedo se isolaram cinco atletas que se mantiveram até ao 3º km, no 4º km já só iam três atletas juntos na frente e ao 5º km o abandono de um destes, proporcionou a luta a dois pelo 1º lugar, seguidos de perto por mim. E assim foi até final dos 15km, pois decidiu-se o vencedor ao sprint em areia solta na reta da meta e eu cheguei no 3º lugar sózinho desde o 4º km! Em relação à organização, o local é lindíssimo, não dei por atrasos nos transportes, nem na partida, o abastecimento no final também esteve bem, assim como as ofertas dos patrocinadores num saco da Desportos Veloso. A melhorar, talvez a entrega de prémios por escalões… É de voltar a repetir, mas com a maré vazia !

pedro

 

A prova contou com vários patrocinadores. Desportos Veloso foi um deles, uma Loja de desporto e de comércio de artigos têxteis desportivos.
São distribuidores das melhores marcas, tais como Joma, Nike, Luanvi e Strike. Garantindo assim produtos de qualidade para os seus clientes. Foi um dos patrocinadores desta edição, os sacos, em que vinham os vários brindes, eram desta empresa.

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No final da prova foi oferecido a todos os atletas uma garrafa de vinho tinto da Quinta Brejinho da Costa. Para além desta garrafa tinham ainda em exposição várias garrafas das quais se destacavam duas, a garrafa Branca da Colheita de 2015 e a Tinta da Colheita de 2012.

vinho
Garrafa do meio foi o vinho dado aos atletas. As garrafas nas pontas foram as de destaque da exposição de garrafas

Tudo dito sobre a 12ª Ultra Maratona Atlântica Melides / Tróia e a Corrida Atlântica, vamos esperar pelas novidades de 2017, se de facto avança a ideia de alterar a sua data de realização, para quando ? Que alterações vão ser inseridas, mais outro abastecimento como foi referido por vários atletas ? Aguardemos……. e entretanto venham as férias, e mais treino para que em 2017 seja mais fácil percorrer os 43 ou os 15 km, que tudo se conjugue para novo êxito.

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Fotos: Paula – CM Grândola / Espiral Photo / Alexandre Nunes

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