Louzan Trail junta mil atletas
Louzan Trail uma experiência de puro trail running
Foi no passado Domingo que a Vila de Lousã acolheu a 4ª edição do Louzan Trail, prova esta a cargo do “Montanha Clube da Lousã”. O evento foi composto por 3 provas (Ultra – 45 km; Trail Longo – 25 km e Mini Trail – 15 km) e uma caminhada, prometendo uma experiência de puro trail running a todos os participantes, onde a técnica e a diversidade de trilhos seria imagem de marca de ambos os percursos.
Os percursos foram traçados sobre os trilhos históricos da Serra da Lousã, que no passado faziam as ligações entre as Aldeias do Xisto e a Vila da Lousã. A organização bateu o recorde de participantes – 1000 atletas entre as 3 provas e a caminhada que constituíram o Louzan Trail.
Esta serra apresenta um autentico ”playground” de trilhos, com as encantadoras aldeias do Xisto espalhadas por todo o lado.
Descobrir este cenário representa o mergulhar no mundo mágico de pura comunhão e envolvente vegetação luxuriante por onde espreitam corços, veados, javalis e muitas outras espécies.
Serra da Lousã inúmeras possibilidades
Serra sensível, que pede respeito, que pede um exercício físico e sensorial sempre presente, a cada passo, a cada recanto natural a cada som sobre o som da tranquilidade.
Inundada por inúmeras possibilidades de lazer e de desportos ativos, ali sente-se o pulsar da terra e a sua comunhão com os homens quando se avistam ao longe as aldeias, sendo um reconfortante porto de abrigo para quem sobe ou desce a serra numa comunhão perfeita em seu solo xistoso, naturalmente, como as árvores. Este seria o cenário que cada um iria encontrar, iria percorrer e iria usufruir.
Louzan Trail com inicio na vila da Lousã
Ambas as provas do Louzan Trail tiveram o seu ponto de partida na vila da Lousã (junto a pousada da juventude), iniciando-se sobre um carrossel de singles-tracks serra acima até ao primeiro posto de abastecimento que se encontrava situado no “Terreiro das bruxas”, fazendo com que todos os participantes chegassem já aqui com algum desgaste acumulado.
Daqui seguiam em direção ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade, para de seguida entrarem na primeira aldeia, Casal Novo, aldeia que se sobrepõe na dobra da encosta, em declive acentuado, orientando-se a Norte, e de perfil de difícil percepção. Apenas é feita e percorrida por três vielas perpendiculares, e umas quantas entradas laterais em espaços de fruição pública que quebram o contínuo de construções que de um e do outro lado se encavalitam.

Aldeia do Talasnal a fonte e o tanque emitem a melodia
Continuando pelo árduo trabalho de toda a organização na abertura de novos trilhos, os atletas rumavam a aldeia do Talasnal, aldeia esta, com mais visibilidade e carisma e simultaneamente a mais recuperada desta serra.
A fonte e o tanque emitem a melodia que acompanha a visita de cada pessoa, as casas decoram-se com os ramos das videiras. Feita e corrida por uma ruela principal sobre lascas de xisto, acompanhando o declive da encosta, diante dela derivam quelhas e becos, que criam um ambiente de descoberta que todos gostam de explorar à espera da surpresa de um novo recanto.
Aldeia do Candal, o miradouro e belissima vista que usufrui
O calor foi uma das maiores dificuldades a vencer durante o percorrer da prova, contudo, a organização precaveu-se de forma a proporcionar zonas de bastante vegetação, fazendo com que as suas sombras servissem de refresco. A próxima passagem dos atletas seria a Aldeia do Candal situada numa colina voltada para sul e que é percorrida no seu meio pela ribeira de S. João. Feita de ruas inclinadas, e de um miradouro, uma belíssima vista sobre o vale que se apresenta, refrescado pela sua Ribeira. Candal é considerada a mais desenvolvida das aldeias serranas e uma das mais visitadas, privilegiando do acesso da estrada Nacional que liga Lousã a Castanheira de Pera.
Aldeia de Cerdeira, um local mágico
Uma das ultimas aldeias a ser percorrida era a Aldeia de Cerdeira, aldeia de perfil desalinhado nas suas casas e de arte e criatividade refundada. O tom dominante do xisto sobrepõe-se ao verde das encostas declivosas rasgadas por linhas de água que se precipitam lá do cimo, aninhando-se, na mais bucólica de todas as aldeias.
A Cerdeira é um local mágico, começando desde a sua entrada, uma pequena ponte convida-nos a conhecer um punhado de casas que espreitam por entre a folhagem atravessando assim um portal para um mundo fantástico, sendo imagem perfeita num cenário profundamente romântico sobre o seu chão de ardósia que nos guia por um caminho até uma fonte no meio de uma intensa vegetação.
Dina Rocha “Sobre o Louzan há tanto para dizer!”
Dina Rocha mostrou a sua enorme satisfação ao dizer:
“Adoro aquela montanha, corro lá muitas vezes mas esta prova é sempre terrível pela sua dureza mas por isso tão aliciante e divertida.
Fiquei impressionada pela forma como a organização da prova conseguiu inovar imenso em relação à prova do ano passado, pensei que fossemos repetir trilhos mas não, tivemos trilhos novos, formas diferentes de encarar trilhos já conhecidos e uma prova muito técnica e talvez por isso desafiante. Adorei!
E dizer que isto sim é uma prova de trail, é disto que nós gostamos, é duro, ficamos cheios de dores mas vale sempre a pena!
A repetir para o ano!
Quanto ao resultado, não estava à espera porque vim sempre na 3.ª posição e é sempre complicado garantir lugares numa serra com muita pedra e descidas tão perigosas quanto mirabolantes e tive uma quebra logo ao início da prova, a chegar ao 1.º abastecimento mas depois encontrei um amigo que me acompanhou e talvez por isso tenha ganho outro ânimo e comecei a ganhar força e confiança e como adoro descidas e água, deliciei-me com as paisagens, com as cascatas, os banhos, tudo fantástico e o resultado foi bom e ainda melhor por ter corrido com duas amigas, vizinhas e duas grandes atletas.
Acho que fica tanto por dizer sobre a serra da Lousã mas há coisas que não se conseguem dizer, só sentir e naquela montanha sente-se tanta coisa mas nada como virem conhecer!”

Bo Irik “Uma Serra de muitos encantos”
“A prova do Louzan Trail é fantástica, das melhores de Portugal, não só por se realizar na Serra da Lousã mas também pela excelente organização da prova. Fomos muito bem recebidos, num recinto animado e sem filas para levantar os dorsais e t-shirts.
No recinto também havia uma feira de trail running com algumas lojas e marcas de referência. O briefing, na véspera, foi apresentado de forma interessante e divertida e suscitou algum nervosismo entre os presentes.
Os elementos da organização e os voluntários mostraram-se todos muito preocupados com os atletas e sempre com um sorriso na cara. Os abastecimentos estavam todos muito bem compostos e a sinalização excelente. Na meta, o ambiente era animado enquanto o Jorge Moita recebia os atletas e falava com alguns deles ao microfone.

As provas este ano contaram com trilhos novos, muito giros e muito técnicos. Dada a elevada probabilidade de calor, a organização teve o cuidado de escolher trilhos com bastante sombra. Penso que 80% dos trilhos estavam de facto à sombra, o que foi bastante agradável. Além disso, passamos por vários riachos e tanques de água para refrescar.
O percurso da prova dos 25K foi extremamente desafiante, tanto em termos de tecnicidade como em termos de perfil altimétrico. Troços planos eram raros, íamos sempre a subir ou a descer!
Em termos de paisagem, penso que é escusado voltar a repetir a quão bela esta Serra é. A vegetação, nalguns locais do tipo Laurissilva, é inspiradora. Muitas espécies de árvores, como castanheiras gigantes, acácias e eucaliptos bem-cheirosos. Foi um buffet de cheiros, desde a lavanda, ao eucalipto, ao alecrim, relva cortada, palha seca e simplesmente terra.”
Por Bo Irik – “Correr na Cidade”
Os vencedores
Louzan Trail
Em masculinos assistiu-se a uma empolgante luta pela vitória entre os dois primeiros classificados, com a diferença final a ser de 2 segundos, Ricardo Silva – EDV-Viana Trail – 3h 10m 52s foi o vencedor, ficando em 2º Bruno Sousa – Satecnosol Outdoor LaSportiva – 3:10;54, César Barros – Sport Clube Beira Mar – 3:21;08 ocupou o ultimo lugar do pódio.
Em femininos Ana Feiteira – ARSM-Associação Recreativa de São Miguel – 4:38;22 venceu com mais de um minuto Dina Rocha – Coimbra Trail Running – 4:39;33, com a Patricia Fernandes – 4:43;04 colega da equipa da vencedora a obter o 3º lugar.

Sky Marathon Louzan Trail
Luis Mota – Casa do Benfica de Abrantes – 6h 35m 49s foi o vencedor destacado, com mais de cinco minutos sobre Rui Pacheco – AMCF – Arrábida Trail Team – 6:42;58, com Pedro Batista – ARSM-Associação Recreativa de São Miguel – 6:58;21 a fechar o pódio masculino.
Em femininos Ester Alves – Salomon Suunto Portugal – 7:10;30 foi a vencedora feminina e quarta atleta da geral, impressionante a sua prestação à sua frente somente os três primeiros masculinos, seguiu-se em 2ª Carla Cabral – CAOH – Clube Atlético de Oliveira do Hospital / Ginásio Extreme FIT – 8:33;40, com o 3º lugar a ser obtido por Susana Soares – Individual – 8:50;01
Poderão ser visualizadas mais fotos efectuadas por Fotos do Zé aqui.
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Texto: David Quelhas
Fotos: Fotos do Zé

