Banner superior
Coluna Dto
Coluna Esq
Coluna Esq

LOUZANTRAIL…a beleza, os trilhos, o xisto e a superação

LOUZANTRAIL uma prova organizada pelo Montanha Clube Trail Running, devido há beleza da serra da Lousã e há dureza da prova, faz desta uma prova mítica, este ano com alteração de data, tornando a prova mais interessante e mais desafiante. Assim sendo, teria de participar neste desafio!

Foto: Fotos do Zé

LOUZANTRAIL

Mais uma prova, em representação do OPraticante.pt, juntamente com os meus colegas de equipa António Soares, Nuno e Zina Fernandes, acordar cedinho, às 5h matina para ir de encontro a um empeno. Uma prova que já tinha em tempos participado, ficou marcada na minha mente, terá sido o meu segundo Trail no ano de 2016, a inexperiência originou uma inscrição numa prova dura, em que compreendi perfeitamente o significado de altimetria, nesse ano, a falta de treino originou uma semana com um andar novo… Ahahahah.

Até os animais se cruzaram ou não com os atletas – Foto: Fotos do Zé

Esta inscrição já sabia a dureza da prova, o que me esperava seria horas de movimento, então a previsão de conclusão eram de 8 horas de prova para o 43 Km e a terminar com algumas dificuldades.

Após o levantamento de dorsais, do trio que se juntou nesta aventura, um diálogo com a malta que vamos encontrando nestas loucuras, após devidamente equipados para a aventura, na linha de partida e após o controle zero, tudo até agora bem pensado, seguimos para fora do pavilhão.

Foto: Fotos do Zé

Partida em direcção aos trilhos

Contagem decrescente e lá seguem os loucos às 8 h da matina, em direcção aos trilhos. Em cerca de 2 km, já achava que tinha muita roupa, mais km menos km, comecei a “desmontar-me”, ficando apenas com uma camisola térmica, retirando todos os excessos, até o impermeável, continuando subindo até cerca do km 8, inicia a descida… Eu gosto de descer, onde acelero, por vezes a factura sai cara, quando o corpo dá de si… Nesta altura não pensava nisso, sabia que ia mais lento que o normal, mas a altimetria nesta prova, não é nada normal!

Luis Mota – Foto: Fotos do Zé

No final da descida, uma mais acentuada, uma escorregadela, pousando ligeiramente as calças numa rocha e pimba, um rasgão… Mais umas calças com marcas de guerra… E uma corrida com a roupa interior há vista… Pormenores… Ahahahah.

Conhecendo eu esta prova, os bastões seriam obrigatórios, para a minha preparação para “aliviar” o empeno… E após o Km13, já não os guardei mais, sempre com eles até quase aos Km’s finais, a cada subida eram um bom apoio.

Foto: Fotos do Zé

Trilhos de uma beleza esplêndida, sempre com muitas árvores, levada de água ao km18 (acho eu!), sempre a bom ritmo e apreciando esta beleza natural… Olhando para o relógio e as médias rondavam 2h a cada 10 Km, nesta prova e para mim, era uma média excelente.

Abastecimento bem guarnecidos

A meio da prova (km22), mais um abastecimento bem guarnecido, não faltava nada, desde dos doces regionais a sandes e coca-cola, passando a publicidade, mas esta é a bebida que adoro em prova, estava bastante dorido, mal sabia eu o que me esperava.

Foto: Miro Cerqueira

Aqui, um controlo surpresa, raramente acontece nas provas, mas para a segurança dos atletas, acho muito bem, manta térmica e frontal, obrigatório, parei neste abastecimento e comi algo mais reforçado, já teríamos somado mais de 1800 D+ da prova, mas ainda tínhamos de subir quase outro tanto.

A dificuldade maior estava para surgir, pouco depois do abastecimento, uma descida de alguns km’s e deparo-me com o km vertical, ou perto disso, sempre a subir rumo ao ponto mais alto da prova, só queria ver as eólicas, queria lá chegar, supostamente era o ponto mais alto.

Foto: Fotos do Zé

Sentia-me bem fisicamente, mas as subidas ainda me matam… Eis que o relógio marca o km30, fim da subida, um controlo de passagem, apenas uma picagem e siga… Mas após uma ligeira descida, mais uma subida ténue mas já tudo custa… Finalmente as eólicas, será o ponto mais alto?

Hugo Bia – Foto: Fotos do Zé

Será o ponto mais alto?

Pois, alto era, uma paisagem indescritível, um frio terrível e o vento completava o ambiente gélido… Apesar de não ter chuva… Um baloiço em madeira, com a mensagem convidativa “Senta-te”, mas sinceramente só queria iniciar a descida para fugir aquele frio… Assim aconteceu até chegar ao último abastecimento a 12 Km’s da meta, Km 32.

Foto: Fotos do Zé

Ao chegar aqui, um ambiente rural, uma fogueira dentro do espaço para aquecer os voluntários que lá se encontravam. Uma sopa quentinha e saborosa, tipo lavrador, soube mesmo bem, mais um pão da região, uma mini completou o menu, tentei parar o mínimo tempo possível para continuar a prova sem arrefecer muito.

Uns doces da região, com uns doces na mão, abandonei o espaço e continuei… Logo após o abastecimento mais uma subida, ainda com a sopa num sobe e desce, em direcção a umas antenas e aqui sim, foi a altitude mais elevada da prova cerca dos 1.212 metros…

Foto: Fotos do Zé

Para derreter o que restava de músculos e articulações ainda intactas, as descidas até ao final, cerca de 10 Km, em constante descida, vos confesso, não esperava estar tão bem fisicamente… Em passo acelerado, lá ia saltando e me divertindo, sentia a prova a terminar e feliz porque estava dentro do tempo que tinha em mente… chegada há meta inferior a 8h.

Trilhos espectaculares premiaram quem participou

Continuando por trilhos espectaculares, em fase de conclusão e análise, estava a terminar de alma cheia pelas diversas paisagens e aldeias por onde esta prova passou, dura, seria uma definição ligeira, seria melhor classificar a prova com o superlativo para terem um pouco de noção da dureza da prova, achei a prova duríssima e senti a minha evolução, porque 2016 não está esquecida e as dores da pós-prova se sentem, normalmente.

Terminei em 268º geral / 68º M40 com 08h06m16s, enquanto o meu colega de equipa António Soares terminou em 218º geral / 15º M50 – 07h37m26s, para além de nós no Ultra LOUZANTRAIL, OPraticante.pt esteve também representado nos 29 kms, mas desses colegas vou falar mais abaixo neste artigo.

Ester Alves e Cristina Couceiro uma corrida épica até à linha da meta – Foto: Miro Cerqueira

Para a história de mais uma edição ficam os mais rápidos das três distâncias e da representação de OPraticante.pt

Ultra Louzantrail com emoção até à meta- 43 kms – 344 participantes

A distância onde os portugueses ocuparam na totalidade o pódio masculino e feminino e houve emoção na linha da meta, para além desta distância só nos masculinos dos 16 kms foi possivel repetir a situação.

Foto: Miro Cerqueira

E neste escalão assistiu-se a um magnifico espectáculo para os espectadores presentes na linha de meta, após 43 kms de corrida, a 2ª e 3ª classificada empenharam-se pela melhor classificação, e correram até mais não poder, a diferença foi de décimas de segundo, que definiram o segundo lugar obtido por Cristina Couceiro – ARSM – Associação Recreativa S. Miguel – 06h11m44s327, com Ester Alves em representação da Salomon a obter o 3º lugar 06h11m44s573, sendo Sofia Roquete – AMCF – Arrábida Trail Team – 05h57m55s a vencedora da distância.

Foto: Miro Cerqueira

O destaque em masculinos vai para Ricardo Silva – EDV – Viana Trail foi o mais forte e venceu com o tempo de 04h30m12s, Nuno Silva – 04h47m38s e Hugo Gonçalves – 04h56m20s ambos a representar a equipa da Team Trail Bifase, foram respectivamente 2º e 3º classificado.

Louzantrail Longo – 29 Kms – 490 participantes

Eduard Texidor – Salomon com 02h50m49s foi o vencedor, deixando para trás o português André Rodrigues – Prozis Athlet – 02h52m02s e Santiago Mezquita – Solorunners – 02h53m53s.

Foto: Miro Cerqueira

03h20m32s foi o tempo da vencedora Paula Cabrerizo – Ekuon – El Conchel Sport Team, Charlotte Morgan – Carnethy Hill Racing Club – 03h24m00s e Marta Molist – Inverse Team – 03h31m03s completaram o pódio.

Foto: Miro Cerqueira

Louzantrail – 16 kms – 382 participantes

A vencedora feminina foi Brigida João – Saca Trilhos Anadia com 02h05m01s, Clarice Daibert – Mlmixrun – 02h23m17s obteve o 2º lugar e o 3º lugar foi para Silvia Dias – Dá-lhe Gás Team – 02h26m10s.

Foto: Miro Cerqueira

Nelson Costa – Associação Recreativa Casaense / Escola de Atletismo de Coimbra / Intermaché Condeixa necessitou de somente 01h40m49s para percorrer a distância e vencer, sucederam-lhe no pódio Paulo Serra – Montanha Clube Trail Running / Efapel – 01h41m21s e Tomás Estevães – Run.pt – 01h44m13s.

Foto: Miro Cerqueira

OPraticante.pt em dose dupla em duas distâncias

Louzantrail Longo – 29 km

Zina Fernandes – 474º geral / 27ª F40 – 06h49m41s, Nuno Fernandes – 475º geral / 64º M45 – 06h49m41s.

Sem dúvida um dos Trails mais bonitos que já fiz. Deu-me uma alegria e um prazer enorme percorrer os trilhos da serra da Lousã, single trecks fantásticos e paisagens espectaculares.
A escolha dos percursos, marcações, variedade abastecimentos, segurança e todo o staff ao longo do percurso: tudo 5 estrelas! Prémio finisher top, parabéns a todos os envolvidos no sucesso do evento.
Trail puro e duro, feito por atletas que gostam de proporcionar aos outros o prazer que têm nos trilhos. Obrigado Montanha Clube e demais parceiros.
Tudo o que se pode esperar numa prova de trail! Para voltar sempre!” foram as declarações finais destes dois atletas.

Zina Fernandes e Nuno Fernandes – OPraticante.pt

Ultra Louzantrail – 43 kms

António Soares – 218º geral / 15º M50 – 07h37m26s, Manuel Martins – 268º geral / 68º M40 – 08h06m16s.

E para concluir o que senti, vivi neste maravilhoso evento que recomendo, e as palavras que conseguimos a organização nos manifestasse.

O LOUZANTRAIL na perspetiva da Organização

Ao escolher o mote “Prova de Emoções” não tínhamos a noção que não nos estávamos apenas a referir aos atletas. Os membros da Organização passaram, nos últimos meses, pela paleta completa de emoções, desde a alegria à tristeza, não esquecendo a surpresa e o medo.” começou por dizer a organização

Foto: Miro Cerqueira

Acrescentando “Apesar da equipa já ter alguns anos de experiência, e da edição de 2018 ter sido muito positiva, a integração dos 29 km nas Golden Trail National Series – Circuito Ibérico, trouxe uma responsabilidade acrescida.
Sem mudar rigorosamente nada no que havia sido programado para esta distância (percurso, abastecimentos e preço de inscrição), a Organização esforçou-se por acolher as sugestões da Salomon, patrocinadora do percurso, e integrá-las no que havia sido previamente definido.

Todas as opções e decisões tomadas foram postas à prova no fim de semana de 26 e 27 de janeiro, altura em que as preocupações desapareceram e a equipa entrou em piloto automático.
Todos sabiam o seu papel, o que fazer e decisões a tomar. Contudo, apenas no decorrer das próximas semanas conseguiremos apreender o que verdadeiramente foi o LOUZANTRAIL 2019.” concluíram.

Foto: Miro Cerqueira

A minha avaliação pessoal

Uma prova já com bastantes edições, bem organizada, excelentes marcações com a cor das fitas não deixando margem para dúvidas (laranja), começo a concluir, de facto é uma cor adequada para as provas de trail, não sendo confundida com a vegetação e afins.

A minha avaliação pessoal sobre a prova é máxima, os abastecimentos excelentes, os voluntários da prova em vários pontos, a assistência médica e de socorro muito boa. Os banhos a uma temperatura adequada, pelo menos água morna é sempre melhor que gelada e uma medalha de uma beleza adequada a todas paisagens percorridas e a passagem das aldeias!!!

Parabéns a todos os envolvidos, pelo sucesso da edição de 2019, e um agradecimento à organização pela sua cooperação para que o nosso projecto pudesse desenvolver o seu trabalho, bem como às Fotos do Zé e ao Miro Cerqueira por terem cedido as fotos que ilustraram este artigo.

Seguindo para outras aventuras, lobo solitário na montanha, está em casa!

Até breve!

[dividir ícone = “círculo” width = “medium”]

Texto: Manuel Carlos Martins
Fotos:

Sobre o Autor

Artigos relacionados

Deixe uma Resposta