Maggiora, Portugueses com grandes classificações

Maggiora

No passado sábado teve lugar em Maggiora a primeira das 3 provas que compõem o Circuito Italiano da Spartan Race 2019. 13k por entre os bosques de uma encantadora vila italiana, que desafiaram os atletas com cerca de 22 obstáculos e alguns trechos de terreno bastante técnico.

Filipa e Samuel Castela

Os portugueses Samuel e Filipa Castela e Rui Canelas integraram a bateria Elite, composta pelos grandes nomes europeus deste desporto; os primeiros a testar os seus limites no percurso montado para este evento, realizado em Maggiora.

A prova começou com um arranque fortíssimo, e nem as 3 paredes iniciais fizeram reduzir o ritmo dos melhores atletas em competição. A velocidade foi sem dúvida a característica principal da Super de Maggiora, tendo os 10 primeiros classificados conseguido completar todo o percurso em menos de 1h12min.

Cargas, obstáculos de suspensão, deslocamentos de agilidade lateral, arame farpado, lança e fossos de lama foram alguns dos desafios com que os atletas se depararam. A maioria dos mesmos encontrava-se concentrada numa ‘Festival Área’ de enormes dimensões, que permitiu à assistência acompanhar os espartanos durante o percurso.

Filipa Castela “carregando sacos de 25kg, passando por monkeybars ou paredes invertidas”

Filipa Castela relatou-nos um pouco da sua experiência:

A partida foi dada em Maggiora num terreno plano, propício a grandes acelerações. Em menos de 500 metros deparámos-nos com 3 paredes para passar por cima, depois por baixo, depois por cima novamente. O aglomerado de atletas era tal que acabou por penalizar as raparigas mais rápidas: ficámos todas presas à espera de um espaço para poder ultrapassar o obstáculo.

Posto este primeiro entrave, começámos a subir uma grande encosta, que em seguida descemos na totalidade até nos encontrarmos dentro de um riacho. Continuava o aglomerado de atletas, correndo dentro de água pelas pedras escorregadias. 1 quilómetro depois, enveredámos pelo mato cerrado, sempre a subir, até à Stairway to Sparta, uma enorme estrutura triangular no cimo de um dos montes.

A partir de então foi sempre a subir a pique ou a descer em downhill, passando por altas barreiras horizontais, carregando sacos de 25kg, passando por monkeybars ou paredes invertidas. Por vezes apareciam alguns estradões onde se podia esticar as pernas e correr a ritmos elevados, para logo encontrar obstáculos como uma cargonet vertical instável, o Twister ou o Olympus, e fazê-los ainda com o coração na boca.

“Por não ter concluído o obstáculo tive a penalização de 30 burpees”

Filipa e Samuel Castela

Foi exatamente no Olympus que cometi o meu grande erro da prova. Trata-se de uma escorregadia parede inclinada com pegas na zona superior. Os atletas devem atravessar a parede lateralmente, utilizando apenas as pegas e sem nunca tocar com os pés no chão. Ao chegar ao final, toca-se num sino que comprova que concluímos o percurso.

Pois eu, ao bater no sino, larguei a mão de trás cedo de mais e caí antes de tocar no mesmo…Estava na 8ª posição e fui realizar a penalização por não ter concluído o obstáculo: 30 burpees. Imediatamente fui ultrapassada por 6 atletas femininas e as minhas pernas ficam destruídas.

Um pouco desmoralizada, continuei o percurso. Estávamos no quilómetro 8 de 13 e foi aí que a prova se transformou numa corrida interminável por enormes estradões descendentes. Ainda tivemos que acartar com um tronco durante uma parte do percurso, saltar mais umas quantas paredes de 2,5m e uma de 3m; que para mim é sempre o terror, mas que desta vez consegui ultrapassar sem grande dificuldade.

“Rastejar na lama debaixo de arame farpado, subir e descer valetas de lama…”

Ainda recupero 4 lugares até entrar na arena. Aí encontramos um grande aglomerado de obstáculos. No espaço de 1,5k somos confrontados com um sistema de roldana onde fazemos subir e descer um peso, puxar e arrastar outro peso durante um percurso, um combo de argolas e monkeybars, um balde de gravilha num percurso que incluía um riacho, subir uma corda, rastejar na lama debaixo de arame farpado, subir e descer valetas de lama e água gelada, submergir totalmente nessa mesma água, lançar uma lança até espetar num fardo de palha, subir uma parede inclinada e completamente encharcada, e saltar o fogo mesmo antes da meta.

Falhei a lança e como tal fiz mais 30 burpees a 500m da meta. Custou-me mais alguns lugares; mas nesse momento já nada disso importa porque a meta está ali e recorda-me que consegui superar mais uma das provas daquela que é considerada a melhor corrida de obstáculos do mundo: a Spartan Race!”.

Filipa e Samuel Castela

Comitiva Portuguesa com grandes classificações em Maggiora

A comitiva portuguesa que competiu nesta prova conseguiu realizar grandes resultados, Samuel Castela 8º Elite, Rui Canelas 22º Elite, e Filipa Castela 14º Elite Feminina.

A próxima paragem do circuito de Itália será em Orte, no dia 27/04.

Pódio Masculino:
1º Eugenio Bianchi
2º Jeremie Gachet
3º Michka Guillot.

Pódio Feminino:
1ª Janka Pepova
2ª Jezabel Kremer
3ª Romy Mey

“This is Sparta!” – Mundial Spartan Race Trifecta outra das participações portuguesas.

Para os curiosos

Para quem tem curiosidade em iniciar-se nas Corridas de Obstáculos, fica a hipótese de experimentar no dia 2 de Junho, no Jamor, a prova Lynx Race.

A prova terá duas distâncias, 10k e 5k, em regime de competição e também de carácter lúdico. Também será realizada uma prova para as crianças. Para mais informações aqui.

Miguel Fernandes, responsável pelo Lynx Race, Filipa e Samuel Castela vão participar, vem conhecê-los, dois grandes atletas, duas grandes referências da modalidade

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Texto: Filipa Castela
Fotos: Cedidas pelos atletas

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