MATILDE JORGE FAZ HISTÓRIA EM OEIRAS
De braços no ar, depois curvada com a mão no rosto incrédulo, Matilde Jorge celebrou o match point selado com um winner na linha que fez dela a primeira portuguesa a atingir as meias-finais de um WTA 125, logo na edição inaugural do Women’s Indoor Oeiras Open, organizado pela Federação Portuguesa de Ténis no Complexo de Ténis do Jamor.
A número dois nacional, de 21 anos e 287.ª classificada do ranking mundial, viveu um momento apenas comparável à emoção da irmã mais velha, Francisca Jorge, que aplaudia orgulhosa na bancada depois de ver a mais nova ultrapassar o melhor resultado português de sempre em singulares num WTA 125.
Fonte: FPT
Reviravolta épica frente a Stefanini
Frente à italiana Lucrezia Stefanini, 138.ª da hierarquia mundial e ex-99.ª, Matilde Jorge selou a vitória ao quarto ponto de jogo, com os parciais de 2-6, 6-1 e 7-6 (8/6).
Convertendo sete pontos de break e salvando seis dos 12 enfrentados, a vimaranense ainda chamou o fisioterapeuta ao court para ser assistida à perna esquerda.
Apesar dos match points adiados no nono e no décimo jogos do terceiro set, resistiu até ao tie-break e alcançou um feito inédito para o ténis nacional.
O encontro terminou após 2.48 horas, com as bancadas em completa euforia.
Dor, resistência e decisão difícil
Depois da batalha nos singulares, Matilde Jorge estava inscrita na variante de pares ao lado da irmã Francisca, com quem iria disputar o acesso à final.
No entanto, acabou por abdicar do encontro, por precaução física.
“A única coisa que disse foi que achava que não ia conseguir jogar os pares.
Por ser com a Kika foi mais fácil tomar a decisão.
Sempre soubemos que a nossa prioridade eram os singulares. Iria forçar a perna. Foi a melhor decisão”, explicou.
Atualmente 91.ª mundial em pares, soma 25 títulos nesta variante, dois deles em torneios WTA 125.
Portugal sonha com uma final inédita
As meias-finais de singulares realizam-se este sábado, a partir das 11.00 horas, com o encontro entre a polaca Maja Chwalinska (134.ª) e a checa Darja Vidmanova (137.ª).
Na outra meia-final, Matilde Jorge vai defrontar a russa Alina Korneeva, tornando-se a primeira portuguesa de sempre a disputar o acesso à final de um torneio WTA 125.
“Acreditei até ao fim”
“Estou bastante feliz.
Entrei para dar tudo no encontro, sabia que ela era uma adversária muito dura e tentei passar-lhe eu essa mensagem.
Foi muito intenso até ao final, especialmente o terceiro set. Valeu a pena ter-me mantido no jogo e lutado até ao fim”, afirmou Matilde Jorge.
Depois de desperdiçar dois match points, manteve-se “lúcida” e “sem baixar a guarda”.
“Acreditei que podia dar a volta”, reforçou em conferência de imprensa.
Ambição maior do que o feito
Apesar do momento histórico, a tenista vimaranense não dá o trabalho por concluído.
“Sinto que este feito ainda não acabou.
Não estou satisfeita ainda, quero continuar neste torneio o máximo possível.
A minha preocupação agora é recuperar o melhor possível para amanhã.
Só cairá a ficha quando vir as notícias, mas não quero que isso me desencaminhe dos meus desejos”, concluiu.


