Muralha de Évora, 155 km’s à sua volta
Foto: Carlos Neves
O ultramaratonista João Artur Tomáz, cujo currículo desportivo apresenta o título do corredor mais novo a completar a prova PT281 (281 kms na Beira baixa em quatro dias), esteve entre sexta-feira e sábado a correr à volta da muralha de Évora, ao longo de 24 horas, tendo percorrido um total de 155 quilómetros.

155 km’s à volta da muralha de Évora durante 24h
“O principal objetivo era testar a minha capacidade de progressão continua durante um período largo de horas”
Como forma de se preparar psicologicamente para a dureza do tipo de prova em que participa – ultramaratonas de trail running -, e como agora o “calendário” está parado devido à COVID-19, João Artur Tomáz, natural de Portalegre, mas residente em Évora há muitos anos, decidiu assumir esta empreitada, “que era um desejo de longa data”.
Ao todo, o atleta, que foi contando com a companhia de diversos companheiros deste mundo, “que ajudaram bastante na obtenção do objetivo”, completou 34 voltas, fez 155,1kms, e ultrapassou 1101 metros de desnível positivo com 2201 metros de desnível acumulado.
“Ao contrário do que previa, a grande dificuldade foi o nascer do dia. Esperava que me trouxesse alguma facilidade para fazer frente à privação de sono durante a noite. Pelo contrário. A claridade obrigou-me a fechar os olhos o que me provocou uma sensação de sono brutal”.

“Deu para contar semáforos, aspersores e candeeiros”
Para fazer face às dificuldades provocadas pela falta de descanso noturno, o ultramaratonista alentejano recorreu a algumas estratégias pouco ortodoxas. “Para me abstrair disso fiz de tudo. Contei os candeeiros, os semáforos, cheguei até a contar os aspersores de rega do jardim. Se me perguntarem, não faço ideia de quantos são”.
“Apesar de conhecer este percurso como a palma das minhas mãos, tive períodos muito difíceis. É muito complicado psicologicamente ver a demora de tempo para conclusão de cada volta”, revela ainda.
Adiantando mais à frente que “a maior dificuldade de todas foi, claramente, o piso onde decorreu a maioria do percurso. As pedras da calçada foram demolidoras. Após as 13/14 primeiras horas os pés começaram a sofrer bastante, o que me obrigou a baixar drasticamente o ritmo de progressão”.
Página do atleta.
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Texto / Fotos: Carlos Neves