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Santa Luzia de degrau em degrau até ao Calvário final!

Com o objetivo de promover a prática desportiva e o contacto com a natureza, o C.A. Olímpico Vianense organizou a 7ª edição do Trail Santa Luzia (TSL), nas versões Ultra Trail (UTSL) 50 km, com desnível positivo de 2400 metros, Trail Longo (TLSL) 30km, com desnível positivo de 1600 metros, Trail Curto (TCSL) 18km, com desnível positivo de 900 metro, a Caminhada 10km e simultaneamente um evento não competitivo para os mais jovens TSL Kids.

Trail Santa Luzia

A sétima edição do Trail Santa Luzia teve a sua zona de partida e chegada no Campo da Agonia.

As distintas provas do Trail Santa Luzia percorreram os trilhos da encosta do monte de Santa Luzia, Outeiro, Afife e Carreço. Este ano, a organização trabalhou no sentido de proporcionar algo diferente aos atletas e acrescentar potencial à modalidade, a pensar nas características dos trilhos e nas condições ideais que a cidade de Viana do Castelo reúne, criando pela primeira vez uma distância ultra de aproximadamente 50 quilómetros.

Nos 50 km com 62 finalistas, os vencedores foram:

1º Roberto Martinez, EDV Viana Trail – 4h51m20s
2º Ricardo Amorim, EDL Trail – 5h03m54s
3º Gabriel Meira, EDV Viana Trail – 5h23m20s

1ª Fernanda Verde – EDV Viana Trail – 06h41m14s
2ª Ana Miranda – EDL Trail – 07h17m20s
3ª Susana Alves – EDL Trail – 07h17m21s

Nos 30 km com 136 finalistas, os vencedores foram:

1ª Adriana Dias – Oralklass -Amigos do Trail – 03h44m05s
2ª Nádia Casteleiro – Oralklass -Amigos do Trail – 03h44m05s
3ª Goreti Correia – EDV Viana Trail – 03h48m29s

1º Carlos Veloso, Airorun – 2h50m16s
2º Bruno Ribeiro, Águias de Alvelos – 2h50m17s
3º Vitor Cordeiro, EDV Viana Trail – 3h00m18s

Nos 18 km com 392 finalistas, os vencedores foram:

1º Paulo Mesquita, EDV Viana Trail – 1h34m29s
2º Marcelo Costa, AMC Trail – 1h35m45s
3º Marcos Gonzalez, GTR Galaico Trail Run – 1h36m20s

1ª Carla Pereira – Olimpico Vianense – 01h57m51s
2ª Adriana Gomes – Minha Aventura – 02h03m14s
3ª Eunice Sousa – GD Castelense – 02h05m48s

Resultados.

Começar com o pensamento na Bola de Berlim

Para mim esta foi a última prova antes do MIUT – Madeira Island Ultra Trail e sabia que tinha que aproveitar ao máximo!

Fui correr a Viana do Castelo, onde este ano já tinha feito a Meia Maratona em janeiro. Desta vez no VII Trail Santa Luzia, na companhia da Neuza Caridade e do Ivo Ferreira, duas panteras com garra!

Chegamos quase na hora mas ainda houve tempo de desejar boa prova à Joana Vieira, à Sónia Gigante Carvalho, ao Artur Fonseca e ao Joel Taborda! Grandes atletas e fãs das sapatilhas pensadoras.

Estava tanto nevoeiro que pensei que ia ver o D. Sebastião, mas como não estava em Marrocos, a probabilidade seria pequena! E foi chegar, ver, e não vencer! Não houve tempo para o aquecimento, nem quase para ligar o relógio, pois o speaker à hora certa começou a contagem decrescente e lá parti com a esperança de aquecer durante o caminho.

Inicio de prova rápido, em asfalto, pelo meio da cidade, ia a um ritmo que não é o meu, mas sentia-me bem. Passo no navio Gil Eanes, que visitei no ano passado quando vim ao Grande Trail Serra D’Arga. Havia bastante gente a aplaudir e a incentivar os atletas.

Subo a rua principal e ainda pisco o olho às bolas de Berlim. Confesso que não sou fã, mas em Roma sê romano. Aguento até ao fim, pois há a promessa de receber uma se terminar a prova.

“Aproveita que a seguir vais sofrer”

Continuamos a correr na cidade e mesmo antes de começar a subir passo num túnel com uns grafitis muito giros e penso “Aproveita que a seguir vais sofrer”.

À saída do túnel avisto as escadas, 659 degraus do inferno até chegar ao santuário de Santa Luzia. Volto a repetir 659 degraus! Ia com a intenção de os contar um a um, mas ao fim de uns 50 desisti e pensei “Depois confirmas o número de degraus na Wikipédia”.

No meio uma placa que dizia “Calvário“, nada mais a comentar.

Ao fundo quase não se vê a igreja de tanta humidade e nevoeiro. Como sobrevivi às escadas chego ao 1º abastecimento líquido mesmo no topo.

E continuamos a subir, pela zona da Areosa, com algumas partes rolantes de poucos metros.

“Será que estou a pagar por algum pecado?”

Vejo uma cruz e como estávamos na Páscoa penso “Será que estou a pagar por algum pecado?

E vamos que vamos até ao 1º abastecimento sólido ao km 10. Os voluntários estavam animados e até se meteram comigo. Pergunta-me um rapaz “Então o Boavista bebe uma cerveja?“, isto enquanto dançava ao som de um qualquer regaton. Bem recheado, com marmelada, amendoins, sandes, bolos, um repasto grande, mas eu já estava com vontade de acabar, por isso segui em frente ainda com os amendoins na mão.

Encontro os atletas da caminhada numas ruínas de um antigo convento. Tiro fotos e vamos!

E sigo numa parte rolante, penso que na zona da Meadela, que se prolongou até aos 14 km mais ou menos metro. Aproveitei para correr, absorver a humidade, andar por zonas de floresta que mais pareciam saídas de um filme de Halloween ou de terror, de tão sinistras e vazias que eram!

Novamente encontro um senhor que a cada curva do caminho lá estava, não fazia parte do trail, não me parecia local, mas estava sempre lá, confesso que achei um pouco sinistro, e nesta parte da prova eu ia sozinha, por isso abrandei o ritmo e deixo-o ir na minha frente para estar no controlo. Chego aos Arcos do Fincão e mais uma subida, a última até encontrar novamente o Santuário de Santa Luzia.

Nevoeiro era intenso, na zona de Darque

O nevoeiro era intenso, na zona de Darque, e quase nem as fitas a indicar o caminho se viam.

Chego ao 2º abastecimento, na Aldeia Velha, depois de passar uma espécie de Museu. Não se via um palmo à frente do nariz. Obrigada aos voluntários que ajudaram a encontrar o caminho. Como já estava nos 15 km e só faltavam 3 para acabar reabasteci pouco e continuei.

Chego ao Santuário, e quase choco com a igreja pois não se via nada. E a seguir o que se segue? 659 degraus a descer. Escada abaixo, lá vou eu. Passa mais um atleta dos 30 km a alta velocidade.

Reta pela cidade, descida pela rua das bolas de Berlim, virada à direita e quase na meta. Muita gente com ramos, ou não fosse domingo de ramos. Dia abençoado pela época e pela chuva que miudinha continuava a cair.

O roxo do chão indicava não o calvário (esse já tinha passado nos 1318 degraus) mas o caminho até à glória da meta. Passo 1, passo 2, passo 3 e ainda mais 2 atletas. Ia a todo o gás!

“Então Sapatilhas, vamos dar corda aos sapatos”

Já quase a chegar ouço “Então Sapatilhas, vamos dar corda aos sapatos“. E dei! Fim, 18 km, 03h16.

Ainda fui a tempo de reencontrar o Joel Taborda, dar dois dedos de conversa, e ah não esquecer a fila para a bola de Berlim. Afinal, eu mereço!

Vejo a Neuza Caridade ao fundo, minha companheira de equipa! Tudo correu bem no trail e as preocupações desta pantera esfumaram-se no nevoeiro. Conversa de gaja para aqui, conversa de gaja para ali, chega o Ivo Ferreira, outra pantera com garra e estava na hora de ir embora.

Página do Clube Olimpico Vianense.

Página do evento.

Sitio oficial do Clube Olimpico Vianense.

Texto: Andreia RibeiroOPraticante.pt / Boavista TrailSapatinhas Pensadoras
Fotos: Objetiva em movimento

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