Síndrome da Banda Ilio-tibial no Atletismo e Trail

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Foto: Freepik.com

Muitos praticantes de Atletismo e Trail sofrem do Síndrome da Banda Ilio-tibial e pensam que se trata de um problema no joelho.

Por norma o Síndrome da Banda Ilio-tibial começa por um ligeiro desconforto a correr na região lateral-externa e posterior do joelho, começando a intensificar-se ao longo do tempo. Em casos extremos pode mesmo dar impossibilidade em andar.

O que é Síndrome da Banda Ilio-tibial?

SíndromeO alongamento Ilio-tibial é uma região específica que se localiza na porção externa e posterior do joelho, onde se encontram alguns tecidos fasciais importantes para a locomoção e onde existem mais carga quando a pessoa se encontra de pé, andar ou a correr.

Por estes motivos trata-se de uma região tendinosa forte e onde passa o músculo Tensor da Fáscia Lata e também onde se insere o Grande e Médio Glúteo.

Tensor da Fáscia Lata

SíndromeO Tensor da Fáscia Lata tem origem na Crista ilíaca, espinha ilíaca antero-superior e chanfradura femuro-cutânea e insere-se no tubérculo de Gerdy (que se localiza entre a tuberosidade anterior da tíbia e a tuberosidade externa da tíbia).

O Tensor da Fáscia Lata tem como função movimentos abdução e rotação interna da coxa e faz também extensão da perna.

O Grande Glúteo é o outro músculo que se insere na Banda Ilio-tibial e que poderá ter influência no síndrome da Ilio-tibial.

O glúteo é composto por três músculos: Grande Glúteo, Médio Glúteo e Pequeno Glúteo.

O Grande Glúteo é o músculo superficial dos glúteos, tendo origem na porção posterior do lábio externo da Crista Ilíaca, na fossa externa, na Crista do Sacro e do Cóccix, nos tubérculos sagrados póstero-externos, nos bordos laterais do Sacro e do Cóccix e na face posterior do grande ligamento sacrociático.

Este músculo insere-se em 2 planos: um superficial que se confunde com o Tensor da Fáscia Lata e num plano profundo que se insere no ramo externo de trifurcação superior da linha áspera do Fémur, ou Crista do Grande Glúteo, e no lábio externo da linha áspera.

Os movimentos associados a este músculo são: extensão e rotação externa da coxa, faz também uma ligeira adução pelos feixes inferiores e abdução pelos feixes superiores.

Quais os sintomas mais comuns do Síndrome da Banda Ilio-tibial?

Os Atletas por norma numa fase inicial do Síndrome da Banda Ilio-tibial começam a sentir um ligeiro desconforto na zona lateral externa do joelho começando a intensificar com o passar dos quilómetros, após treino os sintomas tendem a desaparecer.

Com o passar do tempo e dos treinos os sintomas vão ficando mais intensos, podendo chegar ao ponto da pessoa não conseguir correr e até mesmo andar.

No seu dia-a-dia poderá sentir dor ou desconforto ao subir escadas.

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Quais são as principais causas da Inflamação da Banda Ilio-tibial?

As causas desta patologia que é muito comum nos Atletas são muito diversas e podem ser:

Demasiados treinos e exigentes (Overtraning) – o corpo humano tem a capacidade de recuperação neuromuscular e a carga de treinos for demasiada elevada o corpo não consegue fazer uma recuperação muscular a 100%;

Técnica de corrida desapropriada e alterações na biomecânica da pessoa – muitas das vezes existe alterações anatómicas e até mesmo a técnica de corrida não ser apropriada e existir demasiadas solicitações de determinados músculos;

Ténis desadequados para o desporto ou demasiado gastos – o calçado para os Atletas é muito importante visto que estes podem diminuir vários factores prejudiciais ao corpo do Atleta com as vibrações provocadas pela pisada;

Falta ou ausência de treinos de força – A corrida é um exercício físico de repetição em que o Atleta passa muito tempo a exercer os mesmos movimentos e acaba por criar muitas tendinites;

Falta de alongamentos ou métodos de recuperação muscular (massagem, rolo miofascial, tratamentos de fisioterapia, etc.) – os alongamentos são exercícios que ajudam ao músculo a fazer um estiramento e de forma voltar a sua posição de repouso. Na ausência de massagem ou alongamentos o músculo por vezes fica contraído e começa a provocar alterações em toda a estrutura humana;

Falta de repouso e também poderá estar associado uma má nutrição e hidratação.

O que fazer quando tem estes sintomas?

Quando começa a sentir os primeiros sinais (já descritos sobre o Síndrome da Banda Ilio-tibial), o atleta pode tomar algumas medidas que por vezes costuma ajudar a não evoluir a lesão e evitar que o mesmo seja obrigado a parar de treinar.

Das primeiras coisas é interromper o treino, fazer gelo para diminuir a inflamação (primeiras 48 horas).

Outra medida é alterar o programa de treinos diminuindo cargas e quilómetros, implementar uma vez ou duas por semana treino de reforço muscular (bicicleta, musculação para membros inferiores e outras regiões).

Fazer mais alguns dias de descanso e marcar uma massagem desportista com um terapeuta descrevendo os seus sintomas. Por outro lado, verificar o estado do calçado e se treinar com vários pares de ténis reparar ou tentar perceber quais é trazem mais incómodo na corrida.

O Atleta também poderá perceber qual o seu tipo de pisada e a sua forma de correr. Para esta avaliação poderá recorrer a um podologista ou fazer um teste de biomecânica da corrida.

Estes especialistas irão recolher muitas informações e poderão informar da sua maneira de correr que poderá provocar lesão, e até mesmo dar informações de exercícios para melhoria da técnica de corrida.

No entanto, existe outra possibilidade que é pedir a alguma pessoa que filme o Atleta a correr de diversos ângulos de forma a perceber todas as fases da pisada do Atleta ao solo.

O Atleta ao ver a filmagem depois torna-se mais simples perceber dos seus erros na corrida e pedir alguns conselhos ou até mesmo ajuda a um treinador ou preparador físico.

Caso os sintomas continuem deverá recorrer ajuda de um terapeuta de forma a diminuir a inflamação da banda ilitotibial e também inibir pontos de tensão muscular e ajudar a reequilibrar toda a estrutura humana.

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TENS é um recurso

O TENS é um recurso que poderá ser utiliza, visto que a corrente elétrica aplicada sobre a pele com finalidade de diminuir a dor e atua sobre a liberação de opióides endógenos a nível medular e da hipófise.

A Acupuntura é outra técnica muito utilizada para recuperar muscular, tendinosa e ligamentar. A Acupuntura irá aumentar da circulação sanguínea, que por sua vez vai fazer com que os nutrientes provenientes da alimentação cheguem ao músculo afetado e possa recuperar.

Por outro lado, irá existir uma oxigenação do tecido muscular que vai ser extremamente importante visto que o Oxigénio é responsável pela eliminação do ácido láctico produzido pelo esforço físico. Isto leva ao aumenta da circulação linfática e drenagem de toxinas no organismo.

A inserção de agulhas irá ser em pontos de dor, em alguns pontos de Acupuntura que ajuda na activação e/ou inibição de várias estruturas envolventes.

Acupunctura

Para obtenção de melhores e mais rápido resultados é efetuado electroacupuntura, ou seja, após a inserção e aprofundamento das agulhas de acupuntura são ligados determinados pontos a uma máquina electroestimuladora que irá emitir dois tipos de onda.

Uma onda irá fazer a contração muscular e outra o seu relaxamento. Assim vamos estar a dar informação ao nosso Sistema Nervoso Central para atuar e despontar todos os mecanismos naturais de recuperação intramuscular.

Com a técnica da Acupuntura e com recurso à electroestimulação podemos diminuir o tempo de recuperação consideravelmente, e também aumentar o potencial do músculo e torna-lo mais forte para futuros treinos.

Massagem Desportiva

A Massagem após uma sessão de acupuntura irá auxiliar a oxigenar os músculos, aumentar a circulação sanguínea, a drenar as toxinas no organismo.

Uma boa massagem poderá ajudar bastante o atleta a recuperar e com a utilização de algumas técnicas somáticos e até mesmo miotensivas poderá ajudar.

Como prevenir lesões na Banda Ilio-tibial?

Sendo o Sindrome da Banda Ilio-tibial uma patologia que poderá estar associada com a estabilidade do ilíaco (“anca”), os atletas poderão fazer fortalecimento muscular como por exemplo as duas imagens que se seguem:

 

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As massagens desportivas também são um bom complemento para alivio das tensões musculares e reequilibrar todas as estruturas nos membros inferiores.

E por outro lado ajudam na remoção de ácidos e resíduos linfáticos, como ácido láctico produzido pelos treinos. Assim ajuda o organismo a recuperar mais rapidamente de treino para treino.

A Acupuntura pode ser um complemento para atletas que façam treinos com maior quilometragem e mais exigentes. Isto porque, ao ser inserido uma agulha na pele, a agulha irá atingir músculos muito mais profundos.

Assim o tratamento de recuperação muscular com recurso à Acupuntura irá ser muito mais eficaz e trás mais resultados num curto espaço de tempo.

A Osteopatia também ajuda na prevenção, visto que a Osteopatia tem uma visão por um todo no corpo humano e reequilibrados de todas as estruturas musculo-esqueleticas do corpo e assim o atleta terá um rendimento de cada articulação e cada musculo mais eficaz.

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Os alongamentos e o rolo miofascial após o exercício físico são um excelente complemento para recuperação muscular evitando o risco de aparecimento de lesões desportivas.

Estes exercícios nas imagens seguintes poderão ser feitos de forma a prevenir como auxílio no tratamento da lesão da Banda Ilio-tibial.

 

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Texto / Fotos: Joaquim Ribeiro (Terapeuta) – Acupumed

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