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Treino de força, o seu lugar na sociedade

Durante décadas o treino de força (treino com resistências, musculação) tem sido o parente pobre da prescrição de exercício em todas as suas vertentes.

Treino de força (treino com resistências, musculação)

No que diz respeito aos ganhos de força e massa muscular – hipertrofia – a profissão continua a basear-se em larga escala nos relatos provenientes da experiência no terreno. Reproduzem-se dogmas e esquemas na esperança de que produzam os resultados vistos nos ídolos ou referências de desportos como o culturismo.

No âmbito da saúde a realidade não é diferente, apenas já bem dentro dos anos 2000 a ACSM passou a recomendar o exercício de fortalecimento muscular no planeamento semanal (apesar de já reconhecer a sua potencial importância anteriormente).

Pois hoje, a realidade é diferente. Hoje, numa população extremamente envelhecida, as caminhadas já não são suficientes.

No Brasil, nosso país irmão, o profissional de exercício é já considerado em algumas especialidades um profissional de saúde. Existem, inclusivamente, ginásios quase exclusivamente com aparelhos de treino de força montados em Hospitais Públicos (e.g. Hospital das Clínicas).

Resistência, musculação

Treino de força, um “medicamento” para várias patologias?

Abre-se aqui a porta para podermos testar, enquanto comunidade científica, a possibilidade do exercício (treino de força neste caso) ser não só protetor, mas um “medicamento” para várias patologias – Exercise is Medicine™ está já em 6º lugar no top das tendências do mercado de fitness para 2020 ACSM .

A esse propósito, um recente estudo de caso desenvolvido por Seguro et al (2019) mostra a evolução / recuperação de uma senhora idosa com uma abordagem de dose mínima de treino de força.

Um plano de 2 séries de 4 exercícios, replicada 2 vezes por semana (40min de treino semanal) provocou melhorias drásticas na qualidade de vida, perfil cardiometabólico, diminuição da polimedicação e outros.

O treino de força, neste caso, substituiu muitos medicamentos ao mesmo ritmo que permitiu uma melhoria demasiado evidente da função física e desempenho das atividades de vida diárias. E isto com apenas 40 minutos de treino semanal, quando aquilo que é pedido no que diz respeito ao treino aeróbio é uma atividade de 150 a 300 minutos/semana.

Um “medicamento” para várias patologias?

Qual a quantidade mais eficaz?

A visão do treino de força como um medicamento que diminui factores de risco e probabilidades de eventos cardiovasculares (Yang et al 2019); uma ampola que melhora a qualidade de vida ou reduz as dores lombares de forma tão ou mais eficaz do que os exercícios de Pilates; um comprimido que aumenta a força e a massa muscular, traz-nos para outra dimensão – qual a quantidade mais eficaz?

Qualquer medicamento ou suplemento tem potencialmente uma determinada dose que passa a ser tóxica para o nosso organismo.

Se é verdade que na relação entre o treino aeróbio e a saúde esse limite (no caso de existir) é muito mais ténue, no que se refere ao treino de força e os seus resultados parece que encontramos esse teto de dose máxima bastante mais perto.

Quando pensamos no treino de força e o seu papel no fitness, imaginamos aí um fim dedicado à composição corporal (aumento da massa muscular ou perda de massa gorda) ou à performance (aumento dos níveis de força).

Treino de força

Treino com resistências neste campo reflete-se …

A toxicidade deste medicamento que é o treino com resistências neste campo reflete-se através da diminuição progressiva dos ganhos quando ultrapassamos a dose máxima. Os ganhos existem, apenas entram em declínio. E o limite é individual, mas real.

Será que não estaremos a induzir em erro os nossos clientes e alunos quando lhes pedimos a quantidade ideal de exercício para o seu objetivo? Não será que estaremos a debater pormenores quase supérfluos do treino quando passamos ao lado da variável que de facto importa – a intensidade de esforço?

São várias as questões para as quais precisamos de resposta. Não temos dados certos, mas temos bons intervalos para nos poder balizar, e infelizmente estamos por vezes muito fora daquilo que é ideal.

O treino aeróbio tem do seu lado a vantagem da praticabilidade da prescrição na vertente da saúde, o que esbarra na dificuldade que é ter um treino de força acompanhado para a maioria da população.

Parte de nós ter o conhecimento que nos permita ser o mais eficiente e eficaz possível na obtenção dos resultados pretendidos, conseguindo assim chegar ao máximo de pessoas possível com os menores custos (financeiros, temporais e até motivacionais). Enquanto profissionais do exercício, podemos fazer mais e melhor.

Frederico Abreu

Currículo de Frederico Abreu

– Mestrado em Gestão do Desporto – Organizações Desportivas | Universidade Técnica de Lisboa (UTL)/ Faculdade de Motricidade Humana (FMH) / Instituto Superior de Gestão e Economia (ISEG);
– Licenciatura em Ciências do Desporto – Ramo Educação Física e Desporto Escolar na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa;
– Diretor Técnico e Coordenador PT + Aulas de Grupo Indice Gym;
– Profissional Certificado Go4Training;
– Tutor/Orientador de Estágios do Curso de Técnico Especialista em Exercício Físico;
– Autor Especialista Gym Factory
– Especialista/Palestrante – Treino na Gravidez e Pós-Parto – Índice Gym | Mamãs e Bebés

Texto: Frederico Abreu / Promofitness

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