VERA BERNARDO “SUPERAR-ME E ENCONTRAR O MEU LIMITE”
Vera Bernardo, 40 anos de idade, natural de Alverca da Beira, que representa a equipa da ARCD Venda da Luísa, é a madrinha do Viseu Trail Running, e OPraticante.pt esteve à conversa com ela.
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“Superar-me e encontrar o meu limite”
E a Vera Bernardo começou por nos dizer que: “A minha “carreira desportiva”, se assim quisermos chamar, começou há pouco mais de 7 anos, na meia maratona de Coimbra, até então, tinha praticado atletismo, voleibol e futsal no 2.º e 3.º ciclo, enquadrado no desporto escolar.
No início corria pelo Motoclube Falcões da Estrada de Pinhel, mas não estava federada, a 1.ª e única equipa que representei foi a ARCD Venda da Luísa.”
Sobre o Trail “O Trail, foi-me apresentado por alguns colegas de trabalho, eles já iam a algumas provas aqui no distrito, um dia desafiaram-me e eu aceitei e nunca mais parei.”
Continuando “É fácil ganhar gosto pelo Trail, para mim no início era uma festa, quase um convívio de amigos, onde quase toda a gente se conhecia, para além disso podia apreciar paisagens fantásticas e em cada prova, tentava sempre superar-me e encontrar o meu limite.
E acho que foi isso que me levou a gostar tanto do Trail.”
“Já houve alguns, desde seguir um percurso que não é o meu, embora estivesse bem visível que havia uma separação, mas há momentos que já não vamos a ver nada.
Houve uma vez, que já não sei se foi na Lousã ou em Miranda do Corvo, caí para um monte de silvas e só consegui sair graças à ajuda dos outros atletas.
Ir para provas e esquecer-me de parte do equipamento ou da nutrição em casa, mas sempre tive a sorte de conhecer muita gente dos trilhos e havia sempre alguém que tinha um gel a mais ou uma fita para o cabelo.” referiu Vera Bernardo sobre alguns momentos engraçados, e às vezes sem graça que já passou.
Vera Bernardo madrinha do Viseu Trail Runing
Mencionou-nos que “Quando o Fernando Martins, meu amigo e colega de equipa me convidou a apadrinhar o Viseu Trail Running, fiquei contente.
Nestes pequenos gestos, vejo o meu “trabalho” ser reconhecido e acredito que desta forma também posso ajudar a divulgar estas provas menos mediáticas no interior do país.”
Salientando “Como sou natural de Pinhel, conheço bem a cidade Viseu, mas por incrível que pareça acho que nunca fiz nenhuma prova no distrito, vai ser uma estreia.”
E deixou o convite para os indecisos em participar no evento “Desafiem-se, não importa se fazem o percurso em 2 ou em 4 horas, se fazem a caminhada ou o Ultra, o importante é saírem de casa, fazerem exercício, estarem em contacto com a natureza, trocarem experiências com outras pessoas, porque todos temos sempre alguma coisa a aprender.
Tenho a certeza que a organização, as entidades locais, os voluntários e os patrocinadores do evento, vão fazer de tudo, para receber e tratar da melhor forma possível todos os atletas.”
Campeã do mundo de Montanha Masters W40
Um título que Vera Bernardo conquistou recentemente e partilhou connosco o que viveu / sentiu nesse momento:
“Fiquei extremamente contente, nem estava a acreditar.
Como militar que sou, o Hino Nacional já tem um significado especial para mim, mas ouvir “A Portuguesa” no lugar mais alto do pódio é uma emoção que não consigo explicar, nunca mais me vou esquecer daquele momento.
Embora tenha perfeita noção que é um título de Masters, a mim soube-me como um Absoluto (até tive que fazer o controle Antidoping, uma coisa inédita para mim e 99,9% dos atletas portugueses).”
Destacando que “A preparação não foi muito focada neste Campeonato, porque já há muito tinha planeado ir fazer uma prova de 115k passado 15 dias, mas achei que a distância e a altimetria, encaixava perfeitamente no plano de treino.
A prova não começou como esperava e aos 16k, ia em 9.ª da geral e em 4.ª W40, depois aproveitei que as minhas adversárias não se sentiam tão confiantes nas descidas com o terreno molhado e escorregadio e foi a dar tudo até ao final.”
“Vai ser difícil repetir o ano de 2023”
“A época começa agora no dia 01 de novembro e tenho consciência que vai ser difícil repetir o ano de 2023, que foi um ano quase perfeito.
Mas vou continuar a trabalhar e pelo menos nas várias finais dos Campeonatos Nacionais e Taça de Portugal, vou estar presente e dar o meu melhor.” declarou Vera Bernardo sobre a época finda e a época que se vai iniciar.
Acrescentando que para obter estes resultados, são necessários sacrifícios “Temos que fazer bastantes sacrifícios, tanto a nível familiar, pessoal e social.
Como já disse, temos que treinar muitas horas, logo não conseguimos estar tanto tempo com a família, nem com os amigos.
Lembro que há 2 ou 3 anos, não deixava de sair à noite ou ir para uma concentração Motard por causa de Trail nenhum, se fosse preciso dormia 3 ou 4 horas, hoje já não é bem assim.
Hoje já abdico da vida boémia para que no outro dia possa acordar às 6 da manhã, ou simplesmente porque sei que preciso descansar, mas claro que há exceções, o Trail é uma parte importante da minha vida, mas não é tudo.”
“O apoio da família tem sido imprescindível”
Concluindo que o apoio familiar tem sido imprescindível na sua evolução “Em 1.º lugar, tudo isto só é possível porque a minha família (marido e filha) me apoia, sem a compreensão, o apoio e a motivação deles nada disto era possível, porque não são só as provas aos domingos, todos os dias da semana abdico de passar tempo com eles para poder treinar.
A nível desportivo o maior apoio que tenho, é sem dúvida da minha equipa, ARCD Venda da Luísa, que só não me apoia mais, porque não consegue mesmo.
Depois tenho a sorte de ter bons amigos que me vão oferendo sapatilhas, equipamentos, viagens, alojamento, fisioterapia, suplementação e desta forma consigo ir gerindo sem sacrificar tanto o orçamento familiar.”




