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Via Nova Romana, pelas pedras da história!

A XII Ultra Geira Via Nova Romana, evento organizado pela Confraria Trotamontes e pelo Clube Orientação do Minho, integrou o Circuito ATRP.

A Ultra Geira Via Nova Romana foi constituída por 2 provas:

A Ultra Geira Romana, na distância de 50 km D+1820; D- 2300, integra o Campeonato Nacional de Ultra Trail, Serie 100;

Trail Geira Romana, com a distância de 18 kmD+ 700; D- 1026, integra o Campeonato Nacional de Trail, serie 100.

Houve ainda uma caminhada em que parte da inscrição reverteu a favor da Cruz Vermelha de Amares e dos Bombeiros Voluntários de Terras de Bouro.

 

Ultra Geira Romana pela Via Nova Romana

A prova principal Ultra Geira Romana 50km, teve início às 08h00, no Campo do Gerês, Terras de Bouro e percorreu, em parte, a Via Romana que ligava Bracara Augusta e a Astúrica Augusta. A partida ocorreu no Museu da Geira, no concelho de Terras de Bouro e a meta estava instalada em Caldelas, no concelho de Amares.

O Trail Geira Romana 18km, teve início às 10h00, em S. Sebastião da Geira e chegada a Caldelas.

A Caminhada da Geira 10km teve início às 9h00 com partida e chegada em Caldelas junto ao Posto de Turismo.

Os pódios ficaram distribuídos da seguinte forma:

Sérgio Sá – Águias de Alvelos

Ultra Geira Romana – 50 km – 129 participantes

Sérgio Sá, do clube Águias de Alvelos, com o tempo de 04:06;36 e Diogo Pinheiro, do Coimbra Trail Running, com o tempo de 04:06;50, proporcionaram espectáculo, uma diferença de 14 segundos separou os dois, que na ponta final fizeram um sprint para obter a melhor classificação, Hugo Araújo, do clube Águias de Alvelos, com o tempo de 04:17;59 fechou o pódio

Em feminino a vitória foi obtida por Rita Loureiro – Oralklass – Amigos do Trail com 05:09;59, Catarina Fernandes – Viriathvs Runners Vielpeças Trail com 05:42;01 foi a segunda e a terceira classificada foi Cristiana Ferreira – Runnig Espinho – 05:56;10.

Rita Loureiro – Oralklass – Amigos do Trail

Colectiva

Águias de Alvelos foram os vencedores, seguidos das equipas do Coimbra Trail Running e Brabus Runners

Trail Geira Romana – 18 km – 312 participantes

Adriana Dias – Oralklass – Amigos do Trail com 01:44;56, Ana Botelho – Cinfães a correr – 01:47;27 e Silvia Santos – individual – 01:48;56 obtiveram respectivamente o 2º e 3º lugar.

Em masculinos Nélson Loureiro, individual, com o tempo 01:20;47 foi o vencedor, Roberto Martinez, do EDV – Viana Trail, com o tempo 01:21;39 ocupou o lugar imediato e Tiago Pinto, do Douroconta – Gabinete de Apoio e Contabilidade, com o tempo de 01:23;06 completou o pódio.

Nélson Loureiro – individual

Colectiva

Oralklass – Amigos do Trail venceu colectivamente, com as equipas do Dá-lhe Gás Trail Team Fisioduo e do Douroconta – Gabinete de apoio e contabilidade nos lugares seguintes.

Pódium colectivo

Ave César!

06h, domingo, bora lá correr! Está de chuva, mas atleta que é atleta corre debaixo de dilúvios, granizo, trovões e mais que lhe apareça a frente!

Partimos do Porto, ainda era noite, em direção a Terras de Bouro. 29 atletas do Boavista trail prontos para correr 50 ou 18 km. A equipa mais numerosa em prova!

Se fosse para trabalhar a esta hora a um domingo acho que seríamos poucos, mas correr o atleta está sempre pronto!

A partida dos 18 km era em S. Sebastião da Geira. A viagem de Caldelas para a partida foi logo uma aventura, pois a porta da camioneta vinha aberta e a adrenalina subia em cada curva da estrada.

Chegamos inteiros e a tempo de ouvir as instruções sobre a prova, ou melhor, as recomendações de um romano que leu o seu auto de forma bastante eloquente, mas muito baixinho (o sistema de som não estava a funcionar).

Depois de saudarmos César com vários “Avé César”, partimos.

A história destes 18 km é fácil de contar: primeiros 9 km sempre a correr e os restantes uma mistura de subidas e descidas, mais técnicas, mais rolantes, e um rio no final para congelar os pés e a alma.

Metade da prova que era a correr

A metade da prova que era a correr, ou seja, os primeiros 9 km, passaram a voar em apenas uma hora. Deu para correr, ouvir as conversas, apreciar a paisagem e mesmo assim fazer uma boa média de kms em uma hora.

Mais uma vez fiz o Trail sem música (está a começar a tornar se um hábito!), o que me ajudou a concentrar no que estava a fazer e no simbolismo da estrada. Pensar que por ali já tinham passado antepassados ilustres, a pé, com cavalos, a caminho de casa ou batalhas. Dá um arrepio na pele e uma motivação extra.

Aos 5 km, na freguesia de Seramil, vejo o meu colega de equipa, o Pedro Rodrigues, com dores na lombar à procura de um Brufen! No espírito de entreajuda, uma atleta tinha consigo e ofereceu-se para o ajudar. Perguntei-lhe se precisava que ficasse com ele. Disse que não, e eu continuei. Passado uns minutos lá vinha ele atrás de mim, foi uma boa companhia durante alguns kms da prova.

Estava frio, choveu, havia lama, muita água, enfim tudo que um bom trail no inverno deve ter. Mas espera, estamos na primavera! Ah, pois, mas o São Pedro esqueceu-se e lá tivemos que dar o nosso melhor em condições menos favoráveis.

A zona de Vilela tinha muita lama e o caminho estava escorregadio.

Umas ruínas em Vila Verde. Seriam romanas?

Chego ao abastecimento aos 8,5 km, não sem antes passar por umas ruínas em Vila Verde. Seriam romanas?

A partir daqui sabia que seria a subir, por isso sem perder pedalada, comecei a subida até ao cimo do monte S. Pedro. Sempre acompanhada pelo Pedro, passamos umas vinhas, zonas muito verdes até chegar ao topo e encontrar uma antena e muitas flores na zona de Amares, que com certeza não existia no tempo dos romanos.

Atrás de mim vinha um grupo muito divertido e também uma atleta que me dizia “Deixa-me aproveitar quando há uma descida, porque vocês são melhores que eu a subir”. Era bem disposta e efetivamente nas descidas passou por mim, mas no final acabei por levar a melhor e terminei primeiro. Rivalidade saudável!

Estamos na primavera! Ah, pois, mas o São Pedro esqueceu-se

Entretanto, começou a chover bastante, aquela chuva miudinha que entra por todo o lado e não serve para nada. E lá andamos às voltinhas no monte S. Pedro, e no meio deste carrocel o Pedro ganhou novo ânimo e lá foi a correr monte abaixo. Passa por mim também o Pablo, colega que estava a fazer os 50 km, e ia muito bem classificado (ficou em 6º da geral), sempre com uma palavra de conforto e motivação.

Terminada a subida, toca a descer que a meta estava à espera. Sempre com muito cuidado, lá fui fazendo o percurso até chegar ao rio final: cerca de 1 km de rio, com uma corrente moderada, mas fundo incerto e gelado até dizer chega.

E perguntam vocês, e o teu pé? O pé portou se bem pela 3 vez e está aprovado já para trilhos mais técnicos. Confesso que me assustei no rio (acho que também disse uns quantos palavrões pois estava gelado, era instável, a corrente não permitia correr e o pé andou a bambolear durante 1km) mas aguentou estoicamente as pedras soltas, o musgo e os buracos. Cá para nós que ninguém nos ouve, este km em água era dispensável, se ainda fosse verão saberia bem refrescar, mas com chuva e nevoeiro agravou mais ainda a situação de hipotermia dos atletas e também reduziu as hipóteses de um bom tempo no final da prova.

Equipa do Boavista Trail

Somos uma equipa com garra!

Cortei mais uma meta, recebi mais uma medalha e partilhei mais uma prova com a minha equipa que como sempre teve excelentes prestações. Somos uma equipa com garra!

Voltei a casa de coração cheio e pés gelados por mais uma conquista. Ser finisher do Campeonato Nacional de Trail ficou mais perto.

Soube bem percorrer estradas milenares onde romanos já passaram com as suas legiões. A história e o desporto de mãos dadas no Trail da Geira Romana, pela Via Nova Romana!

Página da Confraria Trotamontes

Página do evento.

Classificações.

Texto: Sapatilhas Pensadoras / Andreia Ribeiro
Fotos: Sports by Paulo Nunes Photography 

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