Vouga Trail, um desafio pintado de verde!

Vouga Trail

Foto: Susana Luzir -- Fotógrafa

A Associação AZtrail organizou, no passado dia 9 de Janeiro de 2022, a terceira edição do Vouga Trail, em parceria com o Município de Sever de Vouga, dividida nos eventos Vouga Ultra Trail (55km), Vouga Trail Longo (35km), Vouga Trail Curto (25km) e Vouga Mini Trail (15km).

Em simultâneo com estas distâncias competitivas, realizou-se uma caminhada de cerca de 12 km. No dia anterior, 8 de Janeiro, decorreu o Vouga Kids.

Vouga Trail
Vouga Kids – Foto: Daniel Lobo

Com início e fim no centro de Sever de Vouga, no Parque Urbano e Lazer de Sever do Vouga, contou com cerca de 1500 participantes de vários pontos do país!

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Texto: Pedro Garrido // OPraticante.pt
Fotos: Daniel Lobo Photography / Fotos do Zé / Frítz Photography / Susana Luzir

Partida do Vouga Ultra Trail!

Com tudo preparado na véspera – equipamento, hidratação, alimentação, material obrigatório – depressa me coloquei pronto para começar o desafio. Já tinha também procedido ao levamento do dorsal e à validação do teste negativo à Covid-19.

Tive ainda o cuidado de estudar o percurso, em particular o gráfico da altimetria, ver os pontos mais críticos, que é como quem diz, onde vão surgir as maiores paredes!

É uma informação útil para ter no dorsal, essencialmente a pensar naqueles que possam não ter acesso a meios digitais para consultar durante a prova, e gerir assim melhor as energias!

Vouga Trail
Partida Vouga Ultra Trail – Foto: Frítz Photography

A cerca de 20 min da hora prevista de início, passei o controlo zero onde era verificado se tínhamos o material obrigatório (dorsal, telemóvel, impermeável e manta térmica).

Com todos os atletas já na linha de partida, começou a contagem decrescente do Vouga Ultra Trail.

Desafio pintado de verde e bem molhado

A chuva prometia não dar tréguas. Ainda antes de partir já estava bem molhado! Dado o tiro de partida, iniciamos o percurso logo a subir, ou seja, logo com o motor a aquecer e bem.

Vouga Trail
Minas do Braçal – Foto: Frítz Photography

Ainda com pouca luminosidade e algum nevoeiro entramos pela serra. Percurso muito bonito, com destaque para as Minas do Braçal, a cascata da Cabreia e as margens do rio que tem a curiosidade de mudar de nome: Rio Bom para Rio Mau.

Cascata da Cabreia – Foto: Fotos do Zé

Aos 8km, em Vila Fria, passei pelo primeiro posto de abastecimento, sem parar como previsto. O pensamento era já de iniciar a subida até ao Arestal, ultrapassar a primeira “parede”. E assim foi, a caminhar até lá acima!

Percurso cheio de Single tracks e linhas de água!

Chegado ao Arestal, ponto de maior altitude da prova, mais um ponto de abastecimento. Daqui até ao próximo posto de abastecimento, nos Amiais, foi quase sempre a descer. Trilho muito técnico e escorregadio, mas espetacular!

Passadiços do Gresso – Foto: Frítz Photography

Percurso praticamente sempre em single-tracks, com zonas com bastante inclinação, com linhas de água, com passagem pelos passadiços do Rio Gresso, .. todo um cenário incrível “pintado de verde”.

Após contornar a aldeia de Couto de Esteves, tínhamos a beleza da albufeira da barragem de Ribeiradio, no rio Vouga, que viríamos a atravessar após a aldeia de Vilarinho já depois de passar nos Amiais.

Albufeira Ribeiradio – Foto: Susana Luzir — Fotógrafa

O corpo “obrigou” a parar no abastecimento em Alagoa

Já com mais de metade de prova realizada, a segunda parede da prova não foi nada fácil. Ao contrário da subida do Arestal, não foi fácil nem a caminhar. Zona com pedras enormes que obrigavam a usar as mãos, quase que a escalar.

O corpo começava a dar sinais que teria que parar no próximo abastecimento em Alagoa. Aproveitei para repor algum líquido nos flasks, comer algo e segui “viagem”.

Vouga Trail
Foto: Frítz Photography

A chuva e, nesta zona, novamente o nevoeiro era a minha única companhia.

Já na cabeça, era vários os pensamentos: “Será que o corpo aguenta até ao fim? Será que vou ter caibras? Será que consigo manter o ritmo?

Entusiasmei-me com a descida até aos Amiais, se calhar vou ter mais calma agora nesta descida.

Oh pah estou a adorar, vou é desfrutar e depois logo se vê”.

A caminho da Meta do Vouga Trail

Quase sempre a descer, cheguei ao último abastecimento, em Paradela, cerca do km 46. Não tinha intenção de parar mas tive que parar.

Controlo de material obrigatório, por sinal apenas do item frontal que não tinha sido verificado no controlo 0. Fiquei com sensação de “caça à multa” e não de preocupação do bem-estar do atleta, do cumprimento das regras.

Foto: Frítz Photography

Pouco depois, o percurso entrou na ecopista do Vouga e passamos na bela Ponte do Poço de Santiago, ex-líbris do município de Sever do Vouga e considerada a mais alta ponte de pedra em Portugal.

Ponte do Poços de Santiago – Foto: Frítz Photography

A cerca de 6km da meta, não queria acreditar no que estava a ver. Pelo gráfico já antecipava uma subida, mas não daquela dureza.

Os kms já pesavam (e muito!) nas pernas, pelo que foram instantes finais da prova com muita luta física e mental até finalmente ver a placa a indicar 500 metros para a meta.

Os olhos até brilharam, as dores “quase” que desapareceram. É tão bom cruzar a meta!

Organização da prova

É quase obrigatório começar por dar os parabéns à organização, a todos aqueles que contribuíram para a concretização da prova. Demonstram muita coragem e resiliência em realizar um evento desta envergadura no contexto atual.

Vouga Trail
Organização – Foto: Daniel Lobo

A nível dos percursos, em particular nos 55km (distância por mim realizada), passamos por locais fantásticos, trilhos para todos os gostos, uns mais técnicos outros mais rolantes. A exceção foi mesmo a zona da barragem de Ribeiradio em que tínhamos um troço em estrada, ainda mais a subir.

Anunciaram na partida que na divisão das distâncias iria ter elementos da organização, além das placas indicativas. Não se verificou e talvez tenha sido o aspeto menos positivo da prova, levando a alguns atletas a fazer quilómetros adicionais, ou até mesmo realizando uma distância diferente da que estava inscrito.

Foto: Susana Luzir — Fotógrafa

São muitas distâncias para uma só data. Estamos a falar de 4 distâncias de carácter competitivo mais a caminhada. Certamente obriga a uma logística enorme.

No Sábado, além do Vouga Kids, podia ser colocada outra distância, diminuindo assim o fluxo de atletas no Domingo e aumentando a capacidade de gerenciar os recursos disponíveis.

Independentemente, de um ou outro ajuste (que é sempre discutível), estamos já ansiosos pela quarta edição!

Pedro Garrido – OPraticante.pt – Cascata da Cabreia – Foto: Fotos do Zé

A equipa de OPraticante.pt no Vouga Trail

OPraticante.pt esteve representado na distância de 55 km por Pedro Garrido – 05h28m15s, que obteve o 2º geral – 2º MSenior. Já no Mini Trail esteve representado por João Garrido – 01h41m11s, 38º geral, 10º M40.

No Vouga Kids, a participar pela primeira vez, Lourenço Garrido obteve o 2º lugar no escalão Benjamins B. É sempre de enaltecer as organizações que promovem o desporto para os mais novos. São o nosso futuro!

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