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Campeonato Mundial Spartan – Controvérsia e Resiliência

Pelo 5º ano consecutivo os melhores atletas Spartan do mundo concentraram-se nas montanhas de Squaw Valley, Lake Tahoe – California, para competir na melhor e mais dura competição de obstáculos do mundo, o Campeonato Mundial Spartan Race.

Tal como em anos anteriores, a organização da prova colocou todos os seus esforços em criar um percurso desafiante, com novas combinações de obstáculos e algum peso extra nas cargas. Para os atletas europeus, foi também o primeiro momento de contacto com alguns obstáculos introduzidos em 2019 nas corridas dos US, e que ainda não chegaram ao nosso continente.

Filipa Castela, Samuel Castela, Estela São Martinho, Nelson Martinho e Helder Rodrigues

 

Campeonato Mundial Spartan Race

A grande competição estava agendada para domingo 29/09; com a saída da elite masculina às 09:00, seguida da saída da elite feminina às 09:30, e posteriormente saídas espaçadas durante toda a manhã para os vários escalões age group.

Ainda na 6ª feira 27/09 as condições metereológicas agravaram-se bastante, com previsão de nevão e temperaturas negativas para o dia do Campeonato Mundial. Todos os atletas começaram a planear as suas estratégias para fazerem face às várias adversidades com que se iriam deparar (recorde-se que o ano passado, durante todo o fim de semana do evento, ocorreram mais de 400 desistências devido a hipotermia, isto sem se terem atingido temperaturas negativas e num dia onde o sol esteve presente).

Campeonato Mundial

O dia de domingo amanheceu completamente nevado e gelado, o que obrigou a organização da competição a tomar uma decisão complicada: adiar todas as saídas para 2 horas mais tarde. As condições estavam tão complicadas que era impossível colocar os voluntários nos vários pontos e obstáculos da prova. Para além disso, foi também decidido retirar o obstáculo onde os atletas têm de submergir por completo num tanque de água, apesar de terem mantido a natação alpina no lago.

Nada disso foi suficiente para que os atletas conseguissem conquistar as adversas condições atmosféricas no cimo da montanha. A alta concentração de obstáculos, aliada à neve, ao frio extremo, à água, e também aos fortes ventos, fizeram com que mais uma vez muitos atletas tivessem de ser retirados do percurso por hipotermia. Só entre a classe Elite desistiram da prova mais de 40 atletas, e praticamente todos eles durante o primeiro terço da prova.

Campeonato Mundial

‘Ao chegar ao lago já tinha visto de tudo à minha volta’

Ao chegar ao lago já tinha visto de tudo à minha volta. Nesse momento eu já era a única atleta elite da Ibéria em prova, todas as espanholas tinham ficado pelo caminho. Todos sabemos o que passámos no cimo daquela montanha. Passar na água do Ape Hanger, fazer burpees num charco de lama quase em gelo, rastejar com as mãos a congelar, e mesmo antes de descer para o lago ter de acartar com dois sacos durante 800m montanha acima e montanha abaixo.’, relata Filipa Castela, a única atleta de Portugal a competir na categoria elite feminina neste mundial Spartan.

Campeonato Mundial Spartan
Filipa Castela

Também Samuel Castela, o outro atleta a competir em elite pelo nosso país, nos deixou o seu testemunho: ‘Adoro conquistar desafios, ter experiências únicas, desejei um Mundial exigente, mas não pedia tanto! Foi sem dúvida uma prova de grande nível, ao nível de um verdadeiro Mundial, no entanto com alguns “extras”! Foi um desafio muito particular, e cada um tratou de levar a sua estratégia face a tudo o que se iria enfrentar!

Samuel Castela

Muitas têm sido as críticas relativamente às decisões da Spartan no que respeita à segurança dos atletas perante as condições adversas que a montanha apresentou, mas uma coisa é certa: foi um campeonato do mundo que pôs à prova todas as capacidades dos que se apresentaram na linha de partida, e que ficará para sempre gravado na memória de todos.

Já se especula que este foi o último ano em que o Campeonato do Mundo se realizou em Squaw Valley e que em 2020 rumará a outro país. Aguardamos todos o anúncio de uma localização ainda mais épica, que estas montanhas, que tantos atletas desafiaram nos últimos 5 anos!

Campeonato Mundial
Da esqª para a dtª: Helder Rodrigues, Estela São Martinho, Filipa Castela, Samuel Castela e Nelson Martinho

Resultados da comitiva portuguesa:

Samuel Castela – 53º elite masculino

Filipa Castela – 43ª elite feminina

Helder Rodrigues – 6º AgeGroup M40-44

Nelson Martinho – 11º AgeGroup M30-34

Estela São Martinho – 16ª AgeGroup F35-39

Visualize a prestação portuguesa em 2018,

Texto: Henrique Dias com a cooperação de Filipa Castela
Fotos: Cedidas pela Filipa Castela

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