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Correr entre o céu e a terra por Monsaraz

O Sharish Monsaraz Natur Trail é um projeto que nasceu em 2015 e que rapidamente se tornou numa das provas mais participadas e épicas do Alentejo. A longa experiência em organização de eventos desportivos ao ar livre do Sharish Gin/GD Piranhas do Alqueva, com o apoio de vários parceiros institucionais e privados, aliada ao enorme valor histórico e paisagístico da região leva-nos a percorrer alguns dos mais bonitos trilhos desta região, com o lema da prova ” correr entre o céu e a terra “.

Os grandes vencedores foram:

Ultra Trail 45 km:

• André Trindade, ACPortalegre/UTSM, com o tempo de 4:13:44
• Diogo Vieira, ACPortalegre/UTSM, com o tempo de 4:16:47
• Ramón Rodriguez, Villanueva Trail Running, com o tempo de 4:25:41

Luís Semedo – ACPortalegre/UTSM,

Trail Longo 25 km:

• Luís Semedo, ACPortalegre/UTSM, com o tempo de 2:08:22
• David Ramalho, Gurus, com o tempo de 2:26:24
• José Pias, Pias a correr, com o tempo de 2:27:17

Trail Curto 15 km:

• Luís Campaniço, Casa do Benfica de Reguengos de Monsaraz, com o tempo de 1:19:06
• Fábio Cunha, Intermarche Vrsa Trail Runners, com o tempo de 1:22:11
• Tiago Reis, Casa do Benfica de Reguengos de Monsaraz, com o tempo de 1:23:43

Foto: José Manuel Guerra Vizuete

Monsaraz

Monsaraz é uma freguesia portuguesa do concelho de Reguengos de Monsaraz, na região do Alentejo. Foi conquistada aos mouros, em 1167, pelos homens de Geraldo Sem Pavor.

O primeiro foral veio a ser concedido por D. Afonso III, em 15 de Janeiro de 1276. O castelo de Monsaraz desempenhou ao longo dos séculos o papel de sentinela do Guadiana, vigiando a fronteira com Castela.

A vila chegou a administrar três freguesias: a Matriz de Santa Maria da Lagoa, Santiago e São Bartolomeu. Foi sede do concelho até 1838, quando esta função passou para a freguesia de Reguengos.

Em 2007 Monsaraz foi uma das finalistas na escolha das 7 Maravilhas de Portugal.

Foto: Carlos Neves

Correr entre o céu e a terra no Sharish Monsaraz Natur Trail

E foi para correr entre o céu e a terra que me inscrevi neste trail e decidi passar um fim de semana gastronómico e cultural nesta vila alentejana. A distância de 25 km faz parte do campeonato nacional de trail por isso seria mais uma para o currículo.

Cheguei na sexta-feira à noite, depois de uma viagem de comboio até Lisboa e uma viagem de carro até Monsaraz.

No coração do Alentejo, o Hotel Vila Planície é um lugar acolhedor, numa das planícies mais privilegiadas do Alentejo. No sopé do Histórico Castelo de Monsaraz, na aldeia ribeirinha do Telheiro, onde se circunscreve uma das regiões mais belas de Portugal, a apenas 1 km da Albufeira do Grande Lago de Alqueva é um lugar que propicia um reencontro com a paz e a tranquilidade e onde a “calma alentejana” reina. Colaboradores muito simpáticos, com duas piscinas para quando está bom tempo e um pequeno-almoço reforçado.

Andreia Ribeiro – Foto: Bernardete Morita Photography

Rocha dos Namorados e o Cromeleque do Xarez

No sábado aproveitei para visitar algum património da região, nomeadamente, a Rocha dos Namorados (onde se deve atirar uma pedra com a mão esquerda e ver se ela fica em cima da enorme rocha; caso não fique deve tentar-se até ficar; o número de tentativas reflete o número de anos que se fica sem casar; embora já seja casada decidi tentar a minha sorte para ver se tinha jeito. E não é que acertei à 2ª tentativa?).

O Cromeleque do Xarez (para quem não sabe o que é um cromeleque, é o conjunto de diversos menires dispostos em um ou vários círculos, em elipses, em retângulos ou em semicírculo; trata-se de monumentos da pré-história, estando associados ao culto dos astros e da natureza, sendo considerados um local de rituais religiosos e de encontro tribal), o Menir do Outeiro, o Menir da Bulhoa, e o Alqueva. Fizemos um passeio de barco à vela muito agradável. O tempo estava excelente e deu para relaxar e apanhar uns banhos de sol.

Ao final do dia ainda tive tempo de ir a Vila Viçosa ver o palácio. O jantar foi perto do hotel para me deitar cedo. Recomendo o espaço, pois é muito bem decorado, com uns carris dentro do restaurante e também a comida que é deliciosa. Chama-se Xarez e vale a pena a visita. Ao contrário do que é costume comi “apenas” uma sopa de tomate com ovo escalfado e queijo que estava de lamber os beiços.

Domingo, 07h, hora de acordar para ir correr

Começo por fazer 2 agradecimentos: Obrigada Nuno serra e André Girão, sem vocês não teria voltado a correr 15 dias depois da entorse que tive em Barcelos! Sempre acreditaram que era possível e eu acreditei também.

Recordo o lema da prova que é correr entre o céu e a terra, o que faz parecer um Trail fácil, suave como as nuvens brancas, mas acabou por ser quente como o sol! Também porque estava muito calor, mas principalmente porque foi duro!

É o tipo de Trail quebra tudo, costas, pernas, joelhos… sobe desce, sobe desce, sobe com inclinação, desce também inclinado.

Comecei a medo nas pedras pontiagudas do castelo Monsaraz, medo que o pé não estivesse pronto, medo que cedesse e não desse para continuar, ou pior que voltasse a torcer.

Foto: Carlos Neves

Primeiros km à volta do castelo!

Os primeiros km são passados às voltas do castelo! Fiquei logo furiosa pois fica a sensação que fazem para acrescentar km e desnível a uma prova e não pela beleza do caminho. E esta sensação permaneceu ao longo dos km porque se subia de um lado e descia se do outro só para subir outra vez uns metros mais à frente. Ia quase em último e assisti à 1ª queda. Uma atleta que escorregou nas pedrinhas históricas do caminho. Queixava-se do joelho, mas no geral estava bem. Como estava acompanhada, continuei.

Foto: José Manuel Guerra Vizuete

Fui passando alguns atletas, principalmente nas subidas. Não estava a 100% de forma, mas consegui manter-me focada e concentrada e lá fui ganhando alguns lugares. Fui fixando as pessoas que iam comigo: um casal de atletas em que o rapaz ia motivando a rapariga para não parar nas subidas e manter o ritmo; uma atleta, mais velha com bastões que ia em despique saudável comigo; os grupos de amigos que iam a conversar.

Chego ao 1º abastecimento e vejo uma descida abrupta. Fico preocupada porque era uma zona técnica em descida o que ia implicar um maior esforço para o meu pé e um cuidado redobrado. Assisto à 2ª queda de uma rapariga que vinha atrás de mim, culpa não só o terreno, mas também dos atletas dos 15 km que não respeitavam ninguém e queriam passar a todo o custo.

Foto: José Manuel Guerra Vizuete

São mais rápidos que eu, blablablabla …

Compreendo que querem fazer bons tempos, que são mais rápidos que eu, blablablabla, mas em single tracks há que ter cuidado, em single tracks com descida bastante inclinada ainda mais e o respeito é muito bonito e eu gosto, porque no fundo estamos todos em prova e ninguém é mais que o outro!

Os km foram passando e apesar de alguns olhares de lado e resmungar por entre dentes, fui ganhando lugares. Só pensava “Ai se não tivesse que ter cuidado com o pé”! Mas tinha, e tinha que estar atenta às pedras, aos ramos, às raízes cortadas, a tudo e também correr. Coisa que fiz pouco porque na montanha russa que foi esta prova havia pouco caminho que desse para correr.

Foto: Carlos Neves

E eis que numa curva do caminho, vejo a atleta mais velha dos bastões a vomitar. Paro, vejo se está bem, e como estava acompanhada segui caminho. E pensei, este trail é só quedas e gente a sentir-se mal!

A partir dali o percurso dos 15 e dos 25 km era separado e finalmente tudo ficou calmo para se fazer a prova em paz. Volto a ficar sozinha, mas sabia que não ia em último. Continuei a subir até chegar ao topo, de onde se observava o Alqueva em baixo. Foi a paisagem mais interessante de todo o percurso. Espero não ofender ninguém, mas paisagem de cortar a respiração e nos deixar encantados só nos montes do Norte!

Havia muito pó! Fruto da seca que se tem sentido, mas também talvez típico desta região do Alentejo. E lá vamos nós descer novamente, pelo meio de um campo de flores. Vejo ao longe o 2º abastecimento e também uma mancha florescente no caminho. Era um atleta que ia a caminhar por isso aproveitei e passei à frente.

Foto: Carlos Neves

E como tudo o que desce, sobe …

Por volta dos 12/13 km, no 2º abastecimento, senti um certo desconforto no tendão Aquiles, fruto de tantas subidas. Custava-me correr, mas como havia poucos trilhos para isso continuei. Começam a passar por mim os atletas dos 45 km, muito simpáticos e sempre a incentivar. E como tudo o que desce, sobe, enquanto olhava cá de baixo os atletas que desciam, um pouco mais ao lado via os que subiam.

Mais uma volta no carrocel! E lá fui eu pelo meio das flores outra vez, mas agora a subir. Estava muito calor. Passamos algumas zonas de água, mas a minha vontade de acabar era mais forte do que a de tomar banho, por isso nem parei.

Foto: Carlos Neves

De repente olho para o lado esquerdo e vejo novo abastecimento. Ia com 17 km e o abastecimento seria aos 21 por isso é como estar a ver uma garrafa de água no deserto e não lhe poder tocar! Sigo. Encontro mais um casal que pensaram o mesmo que eu sobre o abastecimento. Consigo ultrapassá-los e mais à frente passo mais uns 4.

Depois de subir, descer, subir, descer, lá chego ao repasto dos 21 km. Como só faltavam 4 km quase nem parei, peguei nuns quantos amendoins e ala que se faz tarde. Ainda houve espaço a uma subida com corda e um toque num badalo para a sorte final.

De volta ao castelo, e com mais umas voltinhas pelo meio, cortei a meta sem dores, com o pé inteiro, sem estar inchado, em 5h15. O tempo não foi famoso, mas não corria há 15 dias. Não fui a última mesmo com o pé depois de uma entorse, por isso estou muito contente com a minha prestação. O importante era não agravar a lesão para me permitir continuar a treinar e competir.

António Soares, Sandra Oliveira, Artur Basílio, Arminda Basílio e Ana Roque os atletas que representaram a equipa de OPraticante.pt

António Soares coloca no pódio OPraticante.pt

Bem e antes de me despedir, referir que o projecto de OPraticante.pt com quem colaboro, também marcou presença de cinco atletas nas várias distâncias, um atleta nos 45 km, António Soares 11º geral / 2º M50 – 05h03m14s, dois atletas nos 25 km, Artur Basílio 87º geral / 19º M40 – 03h13m56s e Sandra Oliveira 215º geral / 4ª F40 – 03h54m38s nos 25k e mais duas atletas nos 15k, Ana Roque 347º geral / 20ª F45- 02h56m02s e Arminda Basílio 348º geral / 33ª F40 – 02h56m02s, “onde a equipa se sentiu como a correr entre o céu e a terra, slogan, o lema da prova que realmente se encaixa nesta prova maravilhosa” foram as palavras unânimes de todos eles, que acrescentaram ” voltaremos “.

Parabéns à organização, pela marcação dos trilhos e pelos voluntários ao longo do caminho que eram muito simpáticos.

Só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo

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Sitio oficial do evento.

Texto: Andreia Ribeiro – Sapatilhas Pensadoras
Fotos: Bernardete Morita / Carlos Neves / José Manuel Guerra Vizuete

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