Couto Mixto – Uma Républica esquecida

Couto Mixto

Couto Mixto – Uma Républica esquecida que um “Exército Barrosão” teima em relembrar

No âmbito de uma série de atividades de natureza e desporto, gratuitas, com objetivo de promoção da região do Barroso, promovendo a sua cultura, tradições, história e património, desenvolvidas por Mauro Fernandes Events em parceria e acompanhado por amigos, depois da caminhada e corrida de montanha do LaroucoFest2017 a 29 de Julho, apresenta aquele que pode muito bem ser uma descoberta fascinante…Nesta caminhada são anfitriões Padre Fontes, Domingos Chaves e Mauro Fernandes. Fica um pequeno resumo para os mais curiosos!

Couto Mixto

Couto Mixto

Constituído formalmente no século XII, possivelmente entre os anos de 1143 e 1147, o Couto Mixto foi atè há pouco mais de 150 anos, uma pequena república com cerca de vinte e sete quilómetros quadrados de superfície, situada nas hoje terras galegas entre as serras do Pisco e do Larouco, limitada a sul pela fronteira portuguesa, com três povoações – Santiago, Rubiás e Meaus -, que nunca tinham feito parte de qualquer um dos países da Peninsula Ibérica e onde viviam entre oitocentos, e mil e duzentos habitantes.

Diz-se, que os habitantes do Couto Mixto desfrutavam de uma série de privilégios: tinham direito a decidir se queriam ser espanhóis ou portugueses ou não optar por nenhuma nacionalidade; que não pagavam impostos nem a um país nem ao outro, nem podiam ser recrutados pelos respectivos exércitos; que não necessitavam de licença para portar armas; que podiam cultivar o que quisessem, inclusivé tabaco, cujo cultivo estava estritamente controlado.

Tanto em Espanha como em Portugal não tinham …..

Tanto em Espanha como em Portugal; que não tinham a obrigação de usar papel selado oficial para nenhum tipo de acordos ou contratos, obrigatório nos dois países; e diz-se também, que tinham permissão para transportar o que desejassem, sem risco de serem interceptados pelos agentes de autoridade de qualquer dos dois países, por um caminho neutral de seis quilómetros – o chamado “Caminho Privilegiado”, que unia as três povoações do Couto Mixto com a localidade portuguesa de Tourém, atravessando território de Espanha e Portugal.

É igualmente vóz corrente, que dentro do perímetro do Couto Mixto, quer as autoridades portuguesas, quer as espanholas, não podiam entrar em perseguição de ninguém que ali se tivesse refugiado.

Este privilégio, talvez fosse uma reminiscência das suas origens, contudo, esse direito de asilo nem sempre teria sido respeitado pelas autoridades dos dois países.

O resto da “estória”…..

O resto da “estória” desta pequena “república” e deste povo que terminaria com a assinatura do Tratado de Lisboa entre Portugal e Espanha no ano de 1864, ao estabelecerem os novos limites fronteiriços entre os dois países, ignorando o direito histórico-jurídico dos habitantes do Couto e anexando as suas aldeias ao território espanhol, vai ser relembrada em 6 de Agosto próximo, pelo padre António Lourenço Fontes, “comandante” de um “exército de barrosões”, que a partir da aldeia de Tourém no concelho de Montalegre se propõe “invadir” o antigo território dessa interessante experiência democrática que ficou esquecida por mais de um século e agora se pretende relembrar.

[divide icon=”circle” width=”medium”]

Texto: Domingos Chaves
Foto: Mauro Fernandes

Parceiros

Deixe uma resposta