O atual maior evento turístico desportivo da Madeira

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Com a plena integração no calendário do World Tour, o MIUT® consolidou a importância e a notoriedade no panorama internacional do trail running. A presente edição estabeleceu igualmente um novo recorde de participação de atletas e colaboradores e assumiu-se indiscutivelmente como o atual maior evento turístico desportivo da Região Autónoma da Madeira.

A oitava edição do MIUT® – Madeira Island Ultra Trail, prova do calendário UTWT – Ultra Trail World Tour, realizou-se a 23 de abril, numa organização do Clube de Montanha do Funchal. O evento, constituído por 4 percursos de distâncias, desníveis e exigência diferenciados, com locais de partida distintos, mas todos eles a finalizarem na cidade de Machico, mais concretamente na praça do Fórum Machico, reuniu cerca de 3 milhares de participantes, entre atletas e voluntários. Em termos desportivos, o atual maior evento turístico-desportivo da ilha da Madeira foi ainda, pontuável para o CNUT – Circuito Nacional de Trail Ultra Endurance, atribuindo, também, 5 pontos para a participação no Ultra Trail do Monte Branco 2017.

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Zach Miller no Pico Areeiro

Depois de uma semana de mau tempo, o São Pedro deu tréguas e ofereceu um clima ameno ao atletas, que partiram de Porto Moniz iluminados pela lua cheia. Adivinhava-se uma prova extremamente competitiva, pois na partida além dos melhores portugueses alinhavam também grandes estrelas internacionais. Num ritmo intenso, Zach Miller (vencedor da CCC 2015) e Antoine Guilon (vencedor da UTWT 2015) saíram fortes e a liderar a prova, à frente de um grupo sólido de corredores que íam num ritmo mais calmo, entre eles Tòfol Castanyer, Cyril Cointre, e o vencedor do ano passado Luis Fernandes. Quando o sol nasceu, Miller ainda liderava enquanto Guilon se deixou passar por Castanyer que acabou por cortar a meta em 2ª lugar, batendo o recorde da prova desta posição.

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Tòfol nunca tinha participado no MIUT e estava com muitas dúvidas se conseguiria terminar. “Tive alguns problemas físicos na última semana e não sabia como o corpo ia reagir. Por outro lado já não dormia há uns dias por causa do périplo que foi chegar aqui, devido ao cancelamento de voos. No princípio da prova acusei algum cansaço e fui em 8º e 9º nas primeiras 5 horas, quando o sol nasceu ganhei nova energia e comecei a ganhar posições, era impossível apanhar o Zach porque estava a fazer um grande prova, mas concentrei-me em conservar o 2º lugar”. Explicou Tòfol

O 3º lugar foi ganho por Sébastien Camus que fez uma prova muito regular do início ao fim. Luís Fernandes acabou por ser o primeiro português a chegar a Machico, alcançando o 7º lugar da geral.
O Atleta da Salomon Suunto Portugal, Armando Teixeira, foi o 2º português a cortar a meta, conseguindo o 11º lugar da geral e 3º no seu escalão. Armando fez a travessia da ilha em 15h21 menos 5 minutos do que no ano passado. Esta foi a sua 6ª participação no MIUT e a mais competitiva de todas em que participou. Deu o máximo e sente-se feliz por mais um MIUT terminado.

Ester Alves, venceu a prova no ano passado e, apesar da forte concorrência, levava grandes expetativas. Foi traída pelo seu estômago e obrigada a desistir aos 85 quilómetros. A atleta da Salomon Suunto Portugal manteve-se sempre perto de Caroline Chaverot, Andrea Huser e Emilie Lecomte. “Tentava nunca me afastar e andei muitos quilómetros com a Emile Lecomte, ela desce muito depressa e eu tive de arriscar muito nas subidas para não deixar fugir a 3º posição, mas os erros alimentares que cometi e os limites a que levei o meu corpo não me deixaram progredir mais e quando cheguei ao Pico Ruivo já não tinha forças nem para caminhar.” Explicou Ester.

A vencedora foi Caroline Chaverot que completou a prova em 14h35 e ficou em 8º da classificação geral.

Romeu Gouveia, o novo elemento da família Salomon Suunto Portugal, estreou-se em representação da equipa e na Madeira, e não se saiu nada mal, alcançando o 8º lugar da geral na maratona, com um tempo de 04h20. “Tendo em conta que estive doente e não tenho treinado como queria a prova correu melhor do que o esperado, adorei, diverti-me imenso, e corri ao lado dos grandes atletas.”

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Depois de ouvirmos alguns dos melhores atletas nacionais, nada melhor que ouvir as declarações de um atleta do pelotão na sua primeira participação no MIUT, ouvimos “António Vilela” – 190º geral / 23º M45 com 24h21m

Tanto que se pode escrever e dizer sobre o MIUT. São 115 km de momentos e experiências tão diferentes das que nós, atletas de trail, estamos habituados. É uma corrida tão linda, tão brutal, tão espetacular, tão difícil – muito difícil – que dificilmente sairá das nossas memórias. Só mesmo quando a repetirmos é que, algumas dessas memórias, serão substituídas por outras ainda mais gratificantes.
Quando nos inscrevemos na prova pela primeira vez, apesar de termos (ou não) escutado as opiniões de todos os que já a vivenciaram, não fazemos ideia do que nos espera, tanto na beleza de percurso como no nível de dificuldade. Para participar no MIUT é preciso coragem e determinação, é sem dúvida a prova mais difícil que alguma vez fiz, é sem dúvida alguma uma prova que nos ensina, que nos molda e que nos prepara mentalmente para a grandes provas que fazemos em Portugal. Simplesmente brutal!
A organização está de parabéns. Cumpriu o que todos estávamos à espera deste tipo de provas. Boa assistência médica, organização no controle, abastecimentos q.b.. Para os voluntários uma palavra de enorme agradecimento pelo trabalho desempenhado, foram excelentes, muito colaborantes, atenciosos, dedicados, disponíveis, ou seja, foram enormes. Muito calor humano. Obrigado!
Voltando à aventura, o fato de atravessarmos a ilha da madeira por locais tão emblemáticos torna esta prova diferente de todas as outras. Adorei a passagem pela Floresta Laurissilva. E passei por lá durante a noite, faço ideia se fosse de dia. A passagem pelo Pico Ruivo – 3º mais alto de Portugal e o mais alto da Madeira – pelo Pico Areeiro – o 3º mais alto da ilha – e também pela vereda do Larano, que já foi feita de noite, tornaram esta aventura na experiência mais notável do meu percurso de atleta.
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Outro aspeto que torna esta prova única é o seu nível de dificuldade. 115 km com 7.000 m de desnível positivo faz com que os atletas se sintam verdadeiros heróis. Comprova-se no simples fato de metade dos passageiros, na viagem de regresso a Lisboa, vestirem orgulhosamente a camisola do MIUT e/ou o colete, prémio de Finisher. Todos com a mesma vontade de voltar.
Eu voltarei. Voltarei a fazer a prova, voltarei a arriscar, voltarei a sofrer, voltarei para usufruir desta prova singular, única!

Resultados

MIUT (115km / 7000D+)

1. Zach Miller (Nike) – 13h53
2. Tòfol Castanyer (Salomon Etixx) – 14h02
3. Sébastien Camus (Garmin) – 14h20

1. Caroline Chaverot (Hoka One One) -14h35
2. Andrea Huser (Mammut) – 15h56
3. Emile Lecomte – 17h26

ULTRA (85km / 4400D+)

1. Damien Douvry (WAA) – 10h22
2. Gerald Bauer (Clube de Montanha do Funchal) – 10h59
3. Luis Fernandes (Trilhos dos Templários) – 10h59

1. Magali Gigon (Entraid49) – 13h07
2. Aoife Quigly – 13h33
3. Sylvie Quittot – 13h42

MARATHON (43km / 1100D+)

1. Francisco Freitas (ACD Jardim da Serra) – 03h52
2. Nelson Graça (Run.pt) – 03h59
3. Fernando Gomes (Clube de Atletismo Ferreira do Zézere) – 04h02

1. Amandine Ferrato (New Balance) – 04h03
2. Nadège Vignand – 04h57
3. Carla Leite – (Clube Desportivo Escola Porto da Cruz) – 05h11

MINI (16Km / 350D+)

1. Jorge Pimenta (RC Travel) – 01h14
2. Vitor Rodrigues (Tomiauto Trail Team) – 01h19
3. Paulo Aguiar – 01h21

1. Ida Tjrsvaag (Skjang IL) – 01h23
2. Vera Pinto (AD Amarante Trail Running) – 01h44
3. Elsa Freitas (Clube Desportivo Escola de Santana) – 01h45

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