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Trilhos de Viana: A beleza e a técnica na Santa Luzia

O mês de Fevereiro mesmo sendo um mês curto em termos de competição apresenta-se com um vasto número de eventos de elevado interesse. A abrir o mês, os atletas eram convidados a viajar até Viana do Castelo para a segunda edição dos Trilhos de Viana que prometia apresentar as belezas da Montanha da Santa Luzia.

II Trilhos de Viana

A segunda edição dos Trilhos de Viana aconteceu no Domingo (9) de Fevereiro pelas 9 horas em Meadela, Viana do Castelo e foi uma organização da Associação Moradores da Cova com a direcção técnica de Leandro Freitas.

A compor o evento estiveram três distâncias, duas competitivas com um trail longo de vinte e cinco quilómetros com um desnível 1000 mts D+ e um trail curto de 15 quilómetros com altimetria 600 mts D+ e ainda uma caminhada sem fins competitivos e somente da promoção da saúde e do bem-estar na extensão de dez quilómetros.

A equipa de OPraticante.pt esteve presente no evento e agora apresentamos todas as notas como tudo decorreu.

Percurso de várias facetas pelas Montanha de Santa Luzia

O evento teve partida e chegada junto à sede da Associação Moradores da Cova na Meadela e após a partida e dando a volta às imediações do bairro, os atletas entravam logo no trilho tendo no seu lado o Estádio Municipal Manuela Machado.

Os primeiros três quilómetros eram em ascensão, sendo os dois primeiros os mais duros com subidas íngremes e que logo criou filas de espera que se foram diluindo com mais ou menos dificuldade.

Ao terceiro quilómetro de prova atinge-se os 300 metros de altitude no Alto do Frade e estávamos em plena Montanha de Santa Luzia e passávamos junto à emblemática Casinha dos Aviões que é um dos ex-libris do local.

Neste local foi projectada a instalação de um posto de controle aéreo durante a 2ª Grande Guerra – Casa do Radar, mas que agora funciona como miradouro.

A primeira travessia molhada….

Atingido este pico, surgia a primeira grande descida da prova, mas que não permitia grandes velocidades pois ao quilometro seguinte aparecia a primeira travessia de um curso de água e esta era com o auxílio de cordas e supervisão dos bombeiros, o que gerou nova fila de espera, pois nessa zona todo o cuidado dado o estado do piso.

O quinto quilometro de prova que no final coincidia com o primeiro abastecimento era talvez o quilómetro mais fácil do percurso e assim estávamos no enfiamento da localidade costeira Areosa.

Uma segunda parte muito técnica

Podemos dividir percurso do trail curto em três partes. A segunda parte compreendida entre o quinto e o décimo primeiro quilómetro apresentou-se como a parte mais bonita do percurso, mas também a mais técnica e somente rápida para quem tem a sua técnica apurada.

Logo após a saída do abastecimento, os atletas eram convidados a atravessar a ribeira do Pêgo que nasce na Montanha de Santa Luzia e atravessa e desagua na freguesia de Areosa. Para quem pensava que as travessias com água tinham terminado, bem só agora é que tinham começado.

Trilhos de Viana
Foto: José Gomes – Atleta / Fotógrafo

Os quatro quilómetros seguintes seriam sempre na companhia de um curso de água, que desconheço o nome, mas que certamente iria desaguar na ribeira do Pêgo.

Ora na margem esquerda, ora na margem direita, sempre em subida por pedras escorregadias quer na margem quer mesmo dentro do curso de água, os atletas tiveram de ultrapassar as dificuldades impostas pelo percurso.

De enorme beleza é certo, mas ao mínimo descuido, era queda certa nas pedras escorregadias.

Foto: José Gomes – Atleta / Fotógrafo

Na entrada do nono quilómetro, finalmente terminava a água e quem aproveitou para apreciar a vista nesse sopé com a queda de água, certamente ficou satisfeito pelo esforço despendido.

Não se pense que a subida tinha terminado, pois ainda havia mais um quilometro de ascensão até ao alto no Outeiro nos 341m e a panorâmica agora era de pedra, muita pedra, frio com chuva e um nevoeiro denso. Felizmente que para os atletas do trail curto, o pico maior do percurso tinha sido atingido.

Trilhos de Viana
Foto: Laureano Freixo Photography

Um regresso com história e talvez a preparar o futuro

Atingida o topo do percurso, era tempo de descer e tirando uma subida ao quilometro doze e catorze, o percurso de trail curto não tinha mais ascensões.

Vindos por entre caminhos descendentes de pedras do Outeiro, os atletas entram na antiga São Mamede que mesmo pertencente à freguesia da Areosa, tem muita história e que em Agosto é conhecida pela sua festa do Mel. Nesse mês e aproveitando as festividades acontece o trail da Rota do Mel.

Trilhos de Viana
Foto: Laureano Freixo Photography

O segundo abastecimento da prova ao quilometro onze acontece junto à capelinha de São Mamede e nem de propósito, o abastecimento dava a provar aos atletas a aguaria local, o mel que era servido em broa de milho.

Após este ponto, havia a separa ração de percursos, os atletas do trail longo tinham ainda mais um obstáculo pela frente com a longa subida até aos 500 metros de altitude até ao marco geodésico do Outeiro.

Trilhos de Viana
Foto: Laureano Freixo Photography

 

O regresso à Meadela….

Para os atletas do trail curto dos Trilhos de Viana, era tempo de regressar à Meadela. Na saída de São Mamede, atravessa-se uma ponte e passava-se pelas ruínas que indicam o local da “Aldeia Velha”, origem do povoado de S. Mamede.

Tirando uma ligeira ascensão ao quilómetro doze, o terreno é sempre em descendente e carregado de pedra pelo que todos os cuidados eram poucos e a juntar à confusão, a partir deste ponto estavam os inúmeros caminheiros que faziam os atletas do trail terem que fazer um ziguezaguear por entre pedras e paus.

Com mais ou menos velocidade, a descida ao quilómetro treze foi ultrapassada e era tempo de sujar os pés com um pouco de lama que marcava o single track ao lado de um ribeiro para depois se entrar no ultimo quilometro de prova nos terrenos descendentes que no inicio de prova foram feitos em ascendente e terminar a prova com a companhia da chuva que a partir de determinado ponto não deu tréguas aos participantes.

Trilhos de Viana, um trail com trilhos de fazer jus à Princesa do Lima

O percurso apresentado na segunda edição dos Trilhos de Viana esteve ao nível da cidade que representa. Com um trilho marcado pela beleza natural e com as várias facetas que o terreno da Montanha de Santa Luzia apresenta.

Começando com uma grande carga de terreno florestal, passando aos terrenos molhados e escorregadios e terminando com o terreno rochoso que marca a geografia local, foi um trilho bastante completo.

Para além de ter sido bastante completo, tinha o acrescento de ser um trilho técnico, para os que gostam da técnica no trail e ao mesmo tempo desafiante para os que não possuem a técnica apurada. No final, tudo se resume a um desafio de enorme valor e interessante e que merece uma nova visita.

Trilhos de Viana
Foto: Laureano Freixo Photography

Joel Pereira bisa no Trail Longo dos Trilhos de Viana

Na competição do trail longo do evento o grande vencedor foi Joel Pereira do Minho e Lima Trail que terminou a prova isolado com 2:21:52 e assim repetiu a vitória do ano passado. Completaram o pódio Nuno Guimarães dos Trogloditas Runners com 2:26:04 e Luís Silva do ACRA Running com 2:26:41.

Paula Costa vence competição feminina e também bisa no evento

Na vertente feminina da prova, a grande vencedora foi Paula Costa da Academia Desportiva de Arcos de Valdevez com 2:57:22 e que tal como o vencedor masculino bisa nas vitórias no evento. Fecharam os lugares cimeiros duas atletas do EDV Viana Trail, Fernanda Verde com 3:03:45 e Patrícia Palma com 3:17:19.72.

A prova teve vencedores por escalão e estes foram os seguintes:

Na competição masculina venceram João Afonso da Alexandra Carvalho Team (Sub23), Joel Pereira do Minha e Lima Trail (Séniores), Luís Silva do ACRA Running (M40) e José Santamaria do S.D. Barbantia Roda (M50).

Na competição feminina triunfaram Patrícia Palma do EDV Viana Trail (Séniores), Paula Costa da Academia Desportiva de Arcos de Valdevez (F40) e Isabel Martins dos Amigos da Montanha (F50).

Hugo Silva vence competição masculina do Trail Curto

No percurso dos quinze quilómetros do II Trilhos de Viana, o grande vencedor foi Hugo Silva do Olímpico Vianense que cortou a linha de meta isolado com 1:18:47. Fecharam o pódio Avelino Macedo do Vila Verde a Correr com 1:21:19.34 e Igor Moreira do Melgaço Alvarinho Trail Team com 1:21:19.

Eunice Sousa triunfa e bisa no sector feminina

Na vertente feminina da prova, a vitória foi para Eunice Sousa do GD Castelense que terminou também isolada a sua prova com 1:40:55 e assim repetiu a façanha do primeiro lugar obtido no ano anterior. Completaram o pódio Anabela Fernandes com 1:42:23 e Joana Barros do CAM/Team Workout 48 com 1:45:46.53.

A prova teve vencedores por escalão e estes foram os seguintes:

Na competição masculina venceram Marcos Mota (Sub23), Hugo Silva do Olímpico Vianense (Séniores), Avelino Macedo do Vila Verde a Correr (M40), Daniel Cardoso do AiróRun (M50) e Arsénio Fernandes da ARSM (M60).

Na competição feminina triunfaram Susana Costa da Academia Desportiva de Arcos de Valdevez (Sub23), Eunice Sousa do GD Castelense (Séniores), Eliana Pereira da Alexandra Carvalho Team (F40) e Florinda Fernandes da CAM/Team Workout 48 (F50).

Vencedores por equipas

Na classificação colectiva, jornada de duplo triunfo para a equipa do Minho e Lima Trail que arrecadaram a primeira posição tanto no trail curto como longo.

OPraticante.pt sobe ao pódio no trail curto

A equipa do nosso projecto participou neste evento com dois atletas no trail curto e obteve um pódio. Tiago Lopes que terminou a prova com 1:48:56 no 86º lugar da geral e 3º lugar no escalão sub23. Nuno Fernandes completou o percurso com 2:40:43 no 343º lugar da geral e 106º sénior.

Evento com excelente organização e com tudo ao dispor dos atletas

O II Trilhos de Viana tinha como lugar central a sede da Associação Moradores da Cova na Meadela. Aproveitando o espaço e logística que o espaço detém, aí estavam todas as valências do evento: secretariado, bar, zona de abastecimento final, casas de banho, balneários e espaço do pódio.

Na chegada ao local, cedo se constatou que a afluência ao evento seria elevada com uma ligeira confusão no estacionamento. O levantamento do dorsal decorreu sem muita demora com as três provas a terem o seu espaço próprio para o levantamento do dorsal.

Na entrada para o secretariado, os atletas tinham de confirmar na lista o seu número de dorsal e por essa altura já se via, o organizador Leandro Freitas a todo o vapor para que tudo corresse de feição.

Trilhos de Viana
Leandro Freitas – Foto: Bia Martins Fotografia

No levantamento do dorsal o atendimento foi feito com simpatia e aos atletas era entregue um saco com o dorsal com chip, um par de meias alusivas ao evento, senhas para o abastecimento final e folhetos promocionais.

Após a prova, os atletas recebiam para além do prémio finisher, um azulejo alusivo ao evento, o abastecimento final. Para um preço de inscrição a rondar os 12/14 euros, o que os atletas receberam esteve a um bom nível.

Uma partida animada…. nos Trilhos de Viana

A prova teve início às 9 horas e estava uma linha de partida bem composta com todas as três distâncias a partirem à mesma hora após o tiro de partida dado pelo presidente da associação local, José Abadesso.

A caixa de partida estava bem isolada e com o já conhecido pórtico de Viana do Castelo com a afamada expressão “Quem gosta vem, quem ama fica” bem ao centro.

Após a prova, tirando a forte chuvada que caía e atrapalhou a chegada dos atletas e a cerimónia do pódio que decorreu no campo de futsal do espaço, tudo correu na normalidade com os atletas a terem o espaço para tomarem banhos de água quente e posteriormente terem a zona de abastecimento final, que não teve grandes filas de espera.

Em suma, em termos de organização do espaço e do evento, o II Trilhos de Viana decorreu de forma irrepreensível.

Boa organização estendeu-se a um percurso irrepressível

A boa organização do evento estendeu-se aos trilhos com estes a estarem com excelentes marcações tanto a nível de fitas, como placas informativas de onde virar, de perigo e em certos pontos com a quilometragem e através de pinturas no chão.

A segurança dos atletas esteve sempre salvaguardada onde nos pontos mais difíceis e problemáticos do trilho estavam presentes elementos dos GOBS e dos bombeiros para controlarem a passagem dos atletas.

Em zonas com descida mais íngreme, havia a presença de cordas para auxiliarem os atletas. Em muitos dos cruzamentos com estradas com trânsito havia a presença de voluntários a controlarem o tráfego, ou seja, tudo para que os atletas fizessem uma prova sem constrangimentos e problemas.

O único ponto negativo a apontar ao percurso está no facto de os últimos quilómetros de prova coincidirem com a caminhada e onde o trilho estava cheio dos caminheiros que tentavam ultrapassar a exigente descida até à meta.

Com isto, muitos atletas do trail tiveram que fazer autênticos malabarismos para ultrapassarem os presentes e em muitos casos tiveram que parar já que não há bom senso de certos caminheiros, que simplesmente vão caminhar de fones no ouvido e não ouvem quando se pede para passar e se alguém lhes toca na ultrapassem ainda reagem mal e com insultos, enfim é o que é!

Trilhos de Viana

Bom número de abastecimentos

O evento teve um número de abastecimentos adequados para as provas com o trail curto a ter abastecimento ao quilómetro cinco e onze e o trail longo a também ter um abastecimento ao quilómetro dezassete.

Nos abastecimentos era colocado ao dispor o normal neste tipo de abastecimentos com bebida e ainda frutas, marmelada, pão, tostas, batatas e ainda a iguaria local, mel para se colocar no pão. Um abastecimento sincero e adequado para a prova em si.

Nota para a presença nos abastecimentos de espaços para o depósito do lixo, embora ainda no trilho se tenham visto alguns restos de plástico das barras energéticas usadas por alguns atletas.

Nuno Fernandes de OPraticante.pt

Bom abastecimento final

O II Trilhos de Viana fica marcado por ser um evento que sabe receber bem os presentes no evento e apresenta aos convivas um bom abastecimento. Antes da prova, os atletas são convidados a tomar café e a comer um bolo para ganharem energia para a prova que vão fazer.

Após o evento e de banho tomado, os atletas tinham à sua espera uma mesa farta com um abastecimento bem energético e para além disso tinham ainda na mão três senhas que vinham no kit de atleta que davam direito a uma bebida, a uma canja de galinha com pão e ainda uma bola de Berlim de uma pastelaria conhecida da cidade. Com o frio que estava, soube bem a canja quentinha e as provas dos doces propostos.

Trilhos de Viana, um evento de comunidade, mas de grande valia

Presente pela primeira vez nos Trilhos de Viana, foi com agrado que participei no evento e faço dele um balanço bastante positivo. Foi um evento bem completo que animou a manhã de Domingo.

Um evento organizado pela Associação Moradores da Cova, sob a direcção técnica de Leandro Freitas, que mostra não ser preciso muita exuberância para se pôr um bom evento em prática, somente uma boa dose de vontade, esforço, trabalho e colocar à frente pessoas que sabem o que fazem.

Em termos organizativos, um evento impecável e quase sem pontos negativos a apontar com tudo a decorrer com normalidade. O trilho apresentado com as diversas facetas da Montanha de Santa Luzia cativa os presentes e acima de tudo desafia-os para um excelente desafio de corrida.

Trilhos de Viana

Em relação à adesão ao evento, este foi um sucesso com o aumento dos participantes em todas as distâncias. No trail longo a adesão foi de 150 atletas e no trail curto de 460. Juntando com a adesão da caminhada, foi um evento a rondar os 800 participantes o que é um excelente número global.

Participar em qualquer evento desportivo em Viana do Castelo é de um sentimento e presença muito intensos e quem nele participa no final regressa a casa satisfeito e com vontade de voltar mais uma vez, pois já como diz o ditado:

Quem abala de Viana
Leva no peito Agonia
O Lima a correr no sangue
Nos olhos Santa Luzia

Reserva na tua agenda, 7 de fevereiro de 2021, próxima edição dos Trilhos de Viana. 

Página da prova.

Evento 2020.

Texto: Nuno Fernandes
Fotos: Cedidas pela organização e de José Gomes – Atleta / Fotógrafo e Laureano Freixo Photography

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