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Correr depressa mas sem pressa em Vila Pouca de Aguiar

Domingo, nesta altura do ano, é inevitavelmente dia de prova de trail, desta feita a caminho de Vila Pouca de Aguiar, nas mais belas regiões de Portugal, Trás-os-Montes.

Assumo a minha paixão incondicional por todo o norte transmontano, as minhas raízes são muito fortes, assim sendo, começava bem o dia. Mas verdade seja dita, ia com boas referências para a segunda edição do Trail Vila Pouca de Aguiar.

Gostei da primeira edição do Trail Running CTM Vila Pouca de Aguiar e, por isso, não havia como não repetir, estavam reunidas excelentes condições para um dia bem passado, tirando… Bem, havia aqui um pequeno desafio para os atletas.

A prova seria ainda mais dura que no ano anterior, tendo cerca de 8 a 10 Km a mais. Aquele final da maratona prometia deixar marcas. Em 2014 eram 34 Km, nos últimos quilómetros bastantes atletas tiveram dificuldades, tendo havido algumas desistências.

Trail Running CTM Vila Pouca de Aguiar

Voltemos a 2015. Entretanto, num ápice a “malta” estava reunida, depois dos preparativos da praxe, bastante rápidos diga-se, um secretariado ágil o suficiente para quase não se dar por ele, não fosse a simpatia com que recebiam os atletas.

Estávamos uma equipa de sete elementos a representar conjuntamente “O Praticante” e o “Ultra Trail Ibérico de Vilar de Perdizes”.

Inicialmente estava previsto arrancarmos separados por 15 minutos, entre a maratona e a meia maratona, mas habilmente foi corrigido pela organização arrancarmos juntos, com um pequeno atraso, perfeitamente normal neste tipo de eventos (ainda bem, deu para conviver mais uns minutos).

Depois de um briefing bastante completo e com todos os detalhes (nesta altura até pareciam de mais, a malta não liga tanto quanto devia), feito pelo super atleta e padrinho do evento João Oliveira, lá arrancamos com a promessa de uma grande jornada de trail, grandiosa e dura.

A boa disposição imperava mas o ritmo imposto estava alto, talvez por ser uma das provas pertencentes ao circuito nacional de Montanha, com a presença de algumas equipas bem organizadas a impor algum ritmo e competição no pelotão.

E iniciámos a prova

O início do percurso teve pequenas alterações relativamente à edição anterior, mas nada que diminuísse o interesse, talvez o ímpeto dos mais atrevidos e distraídos. Tenho por hábito partilhar sempre o percurso com alguém, conhecido ou não, assim se fazem grandes amizades no trail, e foi acontecendo isso, ora com elementos da minha equipa na fase inicial ou, mais tarde, quando tive o prazer de conhecer uma atleta exemplar, Cristina Moura (os resultados confirmaram com o 3º lugar da geral Feminina e o primeiro lugar F50).

Bem cedo surgiu o convite para a parceria de levarmos a aventura até ao final, sim até ao final. Ambos tínhamos a consciência da dureza e exigência do percurso e, por isso, fomos fazendo uma gestão conservadora. Devo salientar que o facto de o percurso ser semelhante ao ano anterior, ajudou bastante, principalmente nas zonas mais difíceis.

Invariavelmente juntava-se a nós um grupo de atletas relativamente mais jovens, com quem partilhamos algumas impressões sobre a prova, sobre a região e claro inevitavelmente sobre a gastronomia da região, não estivéssemos em Trás-os-Montes.

Abundantes e fartos abastecimentos

Já que tocamos no assunto, é de referir os abundantes e fartos abastecimentos, com bola de carne, presunto, chourição e tudo mais que possam imaginar… Alguns reparos relativos à sua localização: a referência aos quilómetros por duas vezes não correspondeu com as indicações no dorsal, mas nada de significativo, apenas pequeno fator surpresa.

Pessoalmente gostei da incursão no parque de Pedras Salgadas (teria sido interessante fazer o abastecimento no parque e provar a bendita água diretamente da fonte). Relativamente às águas distribuídas em garrafas nos abastecimentos, era perfeitamente dispensável o cenário deixado pelos trilhos com garrafas e tampas espalhadas. Ainda assim, de salientar o esforço da organização em recolher na hora o lixo.

Em todos os abastecimentos tinham caixotes (em alguns mais do que um) para depositar os resíduos, no entanto, era de ponderar no futuro fornecer apenas a água, sendo os atletas responsáveis pelos recipientes.

As águas e as Pedras Salgadas

Deixando as águas e as Pedras Salgadas (prova da maratona), esperava-se para breve o martírio e as subidas infindáveis. A verdadeira tortura começou aos 36KM e só terminou para lá dos 40KM, relembro um comentário irónico de uns soldados da GNR que interrompiam o trânsito bem lá no alto, “isto não se faz, é que nem para andar dá…”, pois mas tratando-se de trail isto pode acontecer, para os mais distraídos ficariam agora a perceber porque havia um abastecimento aos 40,5KM (apesar de anunciado aos 39,5KM no gráfico do dorsal) quando a prova acabaria perto dos 43.

Por estes pormenores se percebe que não foram poupados esforços para manter a integridade e segurança dos atletas. Alguém comentava a titulo de brincadeira que quando estava a acabar de beber a água que recolhera num abastecimento já estava a chegar a outro.

Resumindo, os percursos das duas provas estavam bem marcados, eram bastante heterogéneos, com abastecimentos em abundância. Apesar de não haver um abastecimento na meta, havia um almoço e o banquete continuava. Desde a primeira interação com o pessoal da organização e voluntários, que se verificou serem prestativos, competentes e sempre com um sorriso na cara.

Ficam os números de inscritos e finalistas para análise:

Meia Maratona – 160 inscritos terminaram 108
Maratona – 98 inscritos terminaram 49.
Caminhada – aproximadamente 300

Aguiar
Kids trail – 70 inscritos, com distâncias diferenciadas e acompanhados com monitores.
500 metros -para crianças entre os 5 e os 7 anos
1000 metros para crianças entre os 8 e 9 anos
1500 metros para crianças entre os 10 e 12 anos
2000 metros para os maiores de 12 anos

Classificações

Maratona

Nas classificações, de destacar o pódio da geral com os dois primeiros classificados da equipa C.D.R Àguias Unidas, Custódio António e Marcolino Veríssimo respetivamente e em terceiro lugar Nuno Fernandes da equipa Fafe Runners.

Sara Brito – CA Barreira, foi a vencedora feminina, Lina Porto e Sónia Borges, ambas individuais completaram o pódio.

Meia Maratona

José Carvalho do Clube Académico de Mogadouro venceu seguido de Carlos Valente do Núcleo de Atletismo de Vila Real e Artur Rodrigues da CSM a ocupar o 3º lugar.

Em femininos Sandra Cabral – individual foi a vencedora, seguida de Leonor Tato, também individual em 2º lugar e de Carla Santos em representação da equipa Ser Humano em 3º.

Gostaria de salientar as excelentes escolhas e opções de todo evento, mas especialmente a opção do trail para crianças (na versão portuguesa), demonstra um conhecimento técnico e pessoal do que deve ser o trail e como deve ser encarado pelas crianças: uma brincadeira de curta duração e dimensionada ao seu universo, principalmente no tempo despendido com atividade física.

Vila Pouca de Aguiar fica assim definitivamente no mapa das provas a experimentar e repetir, termino como comecei, Trás-os-Montes é uma paixão incondicional, onde se corre depressa, mas sem pressa, onde voltar é tão certo como a Lua o Sol.

Texto: Mauro Fernandes
Fotos: Organização

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