EN222, Portugal de Este a Oeste, mais uma aventura

EN222

Depois de atravessar Portugal de Norte a Sul pela espetacular N2, chegou a hora de abraçar Portugal de Este a Oeste, pela Estrada Nacional 222 (EN222).

A EN222 faz parte da Rede Nacional de Estradas, com 226,3 quilómetros de extensão.

Começa em Mafamude, no centro de Vila Nova de Gaia e termina em Almendra, no concelho de Vila Nova de Foz Côa.

Foi a viagem quase na sua totalidade a abraçar o Rio Douro, passando por 5 distritos, Porto – Aveiro – Viseu – Vila Real e Guarda.

Percorrer a EN222, uma das mais bonitas estradas do mundo, que nos leva à descoberta do incrível Douro Vinhateiro.

Um percurso único a nível mundial, ao juntar três destinos classificados como Património da Humanidade:

Ribeira portuense;
Alto Douro Vinhateiro;
e as Gravuras Rupestres de Foz Côa.

Texto / Fotos: Augusto Pinto

Visualize também

Os 338 kms de um “Gigante” Português

EN222

Portugal de Este a Oeste pela EN222

A beleza da EN222 só começa a espelhar-se, ao km 30 Lomba – Gondomar, com a chegada a Pedorido – Castelo de Paiva (km35).

A sua beleza natural começa a surpreender-nos, o Rio Douro cola-se à nossa e esquerda e vai permanecer desta forma até ao Pinhão.

Pedorido – Castelo de Paiva, este antigo couto mineiro, onde junta o foz do Arda.

Onde podemos visitar a ponte de caminho de ferro de Pedorido, conhecida localmente por “Ponte Velha de Pedorido”.

Ponte Velha de Pedorido” uma estrutura de considerável valor patrimonial, em 1893, para servir o Couto Mineiro do Pejão.

Um importante testemunho de uma das mais importantes atividades económicas da história da região: a exploração de carvão.

Atualmente é uma ponte pedonal, com vista privilegiada para a foz do Arda, no rio Douro, e para o monte de S. Domingos.

Também o Choupal das Concas, é um espaço a visitar, onde uma pequena praia fluvial na margem do Douro convida a um banho.

A viagem, continua a ser beijada pelo Douro, e a cada curva, somos surpreendidos por toda a beleza natural destas regiões.

Uma visita o centro da vila de Castelo de Paiva, que recomendo vivamente.

Um dos locais mais emblemáticos é a Ilha dos Amores, uma ilhota que fica na confluência do rio Paiva com o Douro.

Na zona do Castelo (Ilha do Castelo, carinhosamente apelidada de “Ilha dos Amores”) onde foi descoberta a estrutura de uma antiga Ermida do Séc. XV.

EN222

Um amor proibido

A lenda conta que um amor proibido entre um lavrador e uma fidalga cujos encontros amorosos eram controlados pelo pai, que, para além de autoritário, não ia de feição com aquele relacionamento.

Quando o jovem pediu em casamento a fidalga, conta a lenda que o casamento não foi permitido pelo pai, visto que o casamento por conveniência era o habitual naquela época para quem vinha de famílias de sangue azul.

Revoltado, decidiu colocar fim ao homem que impedia o amor concretizar-se.

Matou o pai da sua amada quando este passava na margem do rio, e atirou-o à água.

Com medo de ser descoberto, o jovem escondeu-se na ilha, enquanto delineava um plano para raptar a sua amada e trazê-la para junto dele.

Quando finalmente conseguiu implementar o seu plano, conta a lenda que uma tempestade engoliu a embarcação.

Fala-se que a tempestade terá sido formada através do espírito do pai da fidalga, em jeito de vingança pela sua morte.

Mudámos de distrito na EN222

Km 56, mudámos de distrito, saímos do de Aveiro e entramos do de Viseu, mas é a partir daqui que as coisas começam a complicar um bocado.

Do Castelo – Castelo de Paiva, é sempre a subir até Cinfães, são 22 km.

Mas para aplanar a dureza do percurso as paisagens, a beleza natural e as gentes, são como que uma analgésico.

Depois da chegada a Cinfães, já tínhamos ultrapassado a barreira dos 100 km.

Como não era uma prova de competição, e o objetivo era desfrutar todo o esplendor desta Nacional, dei por terminada a primeira etapa.

Assim permitiu-me conhecer melhor esta vila que é uma dádiva da natureza!

Desde o ponto mais alto, na serra do Montemuro, ao imponente rio Douro, passando pela extraordinária beleza do vale do Bestança.

A saída de Cinfães, em direção à Régua é feita por uma descida vertiginosa, que nos leva até ao Rio Bestança.

O Rio Bestança considerado um dos rios mais limpos da europa e que desde já aconselho a uma visita.

EN222

Momentos únicos de uma beleza ímpar

A EN222, coloca-nos ao longo dos seus mais de 200 km, momentos únicos de uma beleza ímpar, e começamos por Porto Antigo e Caldas de Aregos e Resende.

As vilas que nos vão “saltar” ao caminho nos próximos km, antes de entrarmos na Régua.

É a partir deste ponto que muitos consideram o troço mais bonito (eu considero toda a EN222).

Régua – Pinhão, são 27 quilómetros e 93 curvas a acompanharem o serpentear do Douro, na companhia de um cenário em socalcos verdadeiramente inspirador.

Peso da Régua – teve origem numa casa romana que aqui existiu, a “Villa Reguela“.

Mas o seu grande desenvolvimento registou-se após 1756 com a criação da Real Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, que instituiu a 1ª região demarcada de produção vitivinícola a nível mundial.

Situada junto ao Rio Douro, esta localidade teve um papel preponderante na produção e na comercialização do Vinho do Porto.

Era a partir daqui que as pipas de vinho eram transportadas em barcos rabelos até Vila Nova de Gaia, onde o vinho envelhecia nas caves.

EN222

Visita “relâmpago” à Régua

Depois de uma visita “relâmpago” à Régua, estava na altura de percorrer os 27 km mais aclamados da opinião pública.

Embora o percurso seja plano, a maior dificuldade é o trânsito constante.

Alguns condutores a fazerem ultrapassagens que invadiam a nossa faixa de rodagem, não respeitando as bicicletas.

Enfim, isso é uma constante em todas as estradas nacionais, como seria de calcular, depressa chagamos ao Pinhão

Pinhão – uma vila no coração do Douro, património da UNESCO, ao contrário de muitas outras vilas ou aldeias da região, Pinhão é relativamente recente.

Foi fundada apenas no século XIX, muito por causa da necessidade do transporte e acomodação de pessoas ligadas à indústria do tão famoso vinho do Porto que se produz nas encostas do Douro.

Aconselho uma visita a esta magnifica vila, que se banha nas belas margens do Douro.

Já contávamos com mais de 150 km nas pernas, mas as coisas iam começar a complicar.

Pois do Pinhão até São João da Pesqueira, era sempre a subir, nomeadamente até Ervedosa do Douro.

EN222

Km 171 da EN222 não estava muito longe

O Km 171 não estava muito longe, mas não foi uma meta impossível de atingir.

A nossa chegada a S. J. da Pesqueira, foi brindada com chuva, mas nada que nos assustasse.

Embora depois de apetrecharmos as malas das bicicletas com sacos de plástico, a ameaça de temporal rapidamente se evaporou.

São João da Pesqueira – a Região Demarcada do Douro classificada em 2001 pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade.

No caso particular do concelho de S. João da Pesqueira, o detentor da maior área classificada.

Tem paisagens magníficas onde predominam os vales e as montanhas, as vinhas trabalhadas ao longo dos séculos de tradição e saber.

Mas, principalmente o rio Douro, um rio serpenteante que confere a esta região e concelho uma beleza única, tradição secular e originalidade.

Depois de deixarmos o km 171 para trás, ainda nos faltavam 41 para atingirmos o objetivo que era Vila Nova de Foz Côa.

Mas depois de chegar lá ainda nos faltavam 20 km, que eram na realidade 40, pois era uma viagem de ida e volta.

A nossa viagem foi feita em autonomia total, e sem qualquer suporte logístico tínhamos que planear toda a viagem a contar apenas com nós mesmos.

“Terra Quente”

Com a chegada a V. N. Foz Côa, decidimos avançar para os km finais da EN222.

Depois de uma breve visita a esta cidade, situada na região do Alto Douro, numa área de terras xistosas também conhecidas como “Terra Quente”.

Vila Nova de Foz Côa é uma cidade, sede de concelho.

Viu o seu nome correr fronteiras pela descoberta e classificação como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO das suas gravuras rupestres paleolíticas ao ar livre no vale do Rio Côa, um dos maiores centros arqueológicos de arte rupestre da Europa.

Região maioritariamente agrícola, é também conhecida como a “Capital da Amendoeira”.

Devido à grande densidade desta árvore no concelho, em parte derivada do especial microclima de cariz mediterrânico que aqui se faz sentir.

Permite paisagens sem igual quando estas amendoeiras florescem e vestem os campos de branco e rosa.

Normalmente na segunda semana de Fevereiro prosseguindo até aos primeiros dias de Março.

EN222

Muitos aventureiros na EN222 (de bicicleta) ficam só por …

Os restantes 20 km (40 na realidade) não são nada convidativos.

Agora entendo por que é que muitos aventureiros na EN222 (de bicicleta) fiquem só por Foz Côa.

O percurso além de nos brindar com paisagens soberbas, também nos presenteia com uma grande subida.

Ao longo deste percurso podemos vislumbrar o pouco do troço de via férrea que serpenteia as margens do rio Douro.

Esta antiga linha que fazia a ligação entre as estações do Pocinho (Vila Nova de Foz Côa) e Barca d’ Alva (Figueira de Castelo Rodrigo).

Insere-se num traçado de cerca de 30 quilómetros por entre túneis e pontes “de grande imponência”, mas está ao “abandono”.

Após alguns, penosos e ingremes km, avistamos Castelo Melhor, que nos acenava imponentemente do nosso lado direito, a chamar-nos para uma curta visita.

Castelo Melhor

Castelo Melhor – apresenta um património de gravuras rupestres incomparável.

A região apresenta, pois, vestígios de ocupação humana desde tempos muito remotos.

Tanto nestas importantes gravuras rupestres, como nos muitos vestígios de ocupação humana da Idade do Cobre ou do Bronze.

E posteriormente do período de ocupação Romana, como os vestígios de uma via em Penascosa que ligaria a Almendra ou da Villa romana em Orgal.

Suevos, Visigodos e Mouros também terão deixado a sua marca por estas paragens.

De facto, Castelo Melhor passou apenas a fazer parte do Reino Português após o importante Tratado de Alcanizes (1297).

Esta pacata aldeia rural com as suas típicas ruas de casario de pedra, onde reina a paz de espírito e tranquilidade.

Aliada a uma história bem rica e antiga, e monumentos como o Castelo, a Igreja Matriz, a Capela de Santa Bárbara ou a Capela e o Miradouro de São Gabriel, de onde se tem uma vista fenomenal.

Ao km 222, termina esta soberba EN222

Ao km 222, termina esta soberba EN222, e somos brindados com esta a bela aldeia de Almendra, que merece uma visita.

EN222 é uma estrada de uma beleza ímpar, que recomendo a todos fazerem e que a melhor forma de o fazer é de bicicleta.

Pois só assim se consegue desfrutar de todo o seu esplendor, e é fazer estes 222 km, sem pressas.

Deixem-se levar, “naveguem” pela beleza do Douro.

Apreciem a serra de Montemuro, “mergulhem” nas águas do Paiva, do Bestança e do Côa.

Deslumbrem-se com as vinhas do Alto Douro Vinhateiro.

Serpenteiem as ruas e calçadas de :

Pedorido;
Castelo de Paiva;
Cinfães;
Caldas de Aregos;
Resende, Pinhão;
São João da Pesqueira;
e outras cidades, vilas e aldeias.

[divide icon=”circle” width=”medium”]

Parceiros

Deixe uma resposta